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Negócios

Dólar fica estável e Bolsa afunda com impasse nas negociações EUA-Irã

Otimismo da véspera diminuiu nos mercados globais. Com isso, moeda americana teve leve alta de 0,05%, cotada a R$ 4,92. Ibovespa caiu 2,38%

07/05/2026 17:32, atualizado 07/05/2026 18:15
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Faga Almeida/UCG/Universal Images Group via Getty Images
Imagem de notas de dólar, empilhadas umas sobre as outras, com uma lupa sobre elas - Metrópoles

O dólar registrou leve alta de 0,05% frente ao real, cotado a R$ 4,92, nesta quinta-feira (7/5). Pequena, a variação indicou estabilidade no câmbio. Com isso, a moeda americana manteve-se no menor patamar desde fevereiro de 2024, ou seja, em 27 meses.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em forte queda de 2,38%, aos 183.218,26 pontos. O desempenho, influenciado pela  baixa de ações de grandes empresas e bancos, reverteu, ainda que parcialmente, a alta de 0,50% anotada no dia anterior.

Depois de momentos de euforia na véspera, os mercados mundiais voltaram a ruminar incertezas, com o impasse nas negociações sobre o fim da guerra entre Estados Unidos e Irã. Nesta quinta-feira, as conversas entre os dois países não deram sinais claros de avanço.

Petróleo

Ainda assim, os contratos futuros de petróleo voltaram a cair no mercado mundial. O barril do tipo Brent, a referência internacional, baixou 1,19%, a US$ 100,06. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza o mercado americano), recuou 0,28%, a US$ 94,81 por barril.

Bolsas globais

O recuo da cotação da commodity, contudo, não foi suficiente para animar as bolsas na Europa. Os principais índices do continente fecharam em baixa, revertendo a alta da véspera. O Stoxx 600, que acompanha o desempenho das 600 maiores empresas europeias, caiu 1,02%. O FTSE 100, de Londres, perdeu 1,55% e o DAX, de Frankfurt, baixou 1,02%. O CAC 40, de Paris, desvalorizou 1,17%.

Em Wall Street, a queda também deu o tom entre os principais índices. As baixas foram de 0,38%, no S&P 500; de 0,63%, no Dow Jones; e de 0,13%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas do setor de tecnologia.

Ibovespa

O resultado do Ibovespa foi puxado para baixo pelo desempenho ruim das ações de grande peso no índice. As preferenciais (sem direito a voto em assembleias) do Bradesco, por exemplo, recuaram 3,89%, a R$ 18,52.

No balanço do primeiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira, o banco apresentou um lucro líquido recorrente de R$ 6,8 bilhões, o que representou uma elevação de 16,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os analistas, porém, questionaram alguns aspectos das demonstrações financeiras como a qualidade do crédito.

Papéis de outros grandes bancos registraram baixa. No caso do Itaú, ela foi de 2,72% e, no do Santander, de 3,10%. As ações de Petrobras (-1,88%) e Vale (-1,43%) também perderam no pregão.

Dólar no mundo

A pequena alta do dólar no Brasil também ocorreu no mercado internacional. O índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como euro, iene e libra esterlina), também registrou pequena elevação. Ela foi de 0,15%, aos 98,18 pontos.

Análise

Para Bruno Perri, da Forum Investimentos, a sessão foi marcada pelos pregões negativos no exterior, com os mercados em compasso de espera em relação às negociações entre Estados Unidos e Irã. “A Bolsa brasileira, no entanto, cai de forma mais intensa e descolada do exterior, refletindo o impacto da baixa relevante no preço do petróleo sobre as empresas do setor, com maior destaque para a Petrobras, que tem grande peso no índice”, diz.

Ele acrescenta que a “frustração com os números do Bradesco, outro peso pesado do Ibovespa, derrubou os papéis do banco, impactando no setor como um todo, que tem relevância enorme no Ibovespa”.

Lula-Trump

Para Perri, a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, nos Estados Unidos, até agora, “não fez preço”, embora os comentários iniciais do líder americano apontem que o encontro tenha sido positivo.

“Já o dólar praticamente andou de lado”, afirma o analista. “Difícil atribuir grandes causas quando o movimento não tem direção firme, mas a variação está em linha com o DXY. Já a curva de juros fechou como consequência da queda nos preços do petróleo que, em caso de novos recuos, beneficiam as perspectivas de cortes da taxa Selic para este ano.”

Cautela

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que o dólar operou próximo da estabilidade, com leve viés de alta, em um ambiente marcado por cautela.

“A crescente expectativa de um acordo entre EUA e Irã e o petróleo Brent próximo de US$ 100 ajudaram a reduzir parte das preocupações mais agudas do mercado, embora o impasse geopolítico continue sem solução definitiva”, diz.

Para Shahini, a reunião entre Lula e Trump não passou despercebida. “No radar local, o encontro contribuiu para um ambiente de menor volume e postura mais defensiva dos investidores”, afirma.

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