Dólar e Bolsa sobem com Lula-Trump e possível acordo entre EUA e Irã

Na véspera, o dólar terminou sessão em baixa de 1,12%, a R$ 4,912, o menor valor em mais de 2 anos. Bolsa subiu 0,62%, aos 186,7 mil pontos

atualizado

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O dólar passou a operar em alta, nesta quarta-feira (6/5), em meio ao recuo dos preços internacionais do petróleo e aos rumores de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã pelo fim da guerra no Oriente Médio.

A informação foi publicada pelo jornal norte-americano Axios, citando duas fontes da Casa Branca e duas extraoficiais, o que aumentou o otimismo dos investidores em relação ao encerramento dos conflitos na região.

Outro ponto de atenção para os mercados é a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos EUA, onde se reunirá com o líder norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca. Na pauta do encontro, estão uma proposta de cooperação no combate às facções criminosas, além de temas como minerais críticos, terras raras e retirada das sanções ainda vigentes sobre importações brasileiras após a reversão do tarifaço.


Dólar

  • Às 10h10, o dólar subia 0,3%, a R$ 4,927.
  • Mais cedo, às 9h34, a moeda norte-americana avançava 0,07% e era negociada a R$ 4,916.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,931. A mínima é de R$ 4,888.
  • No dia anterior, o dólar terminou a sessão em baixa de 1,12%, cotado a R$ 4,912. Foi o menor valor em mais de dois anos, desde fevereiro de 2024.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,8% no mês e de 10,51% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta no início do pregão.
  • Às 10h13, o Ibovespa avançava 0,71%, aos 188 mil pontos.
  • Na véspera, o indicador fechou o pregão em alta de 0,62%, aos 186,7 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 0,3% em maio e valorização de 15,91% em 2026.

Guerra perto do fim?

O acordo, segundo as fontes ouvidos pelo jornal Axios, envolve o compromisso do Irã com uma moratória sobre o programa nuclear, e, por parte dos EUA, a suspensão de sanções econômicas contra o país persa e a liberação de ativos congelados iranianos.

A negociação também prevê que ambos os países suspendam os bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz.

Os EUA esperam a resposta do Irã em 48 horas. Segundo a reportagem, a Casa Branca acredita que este é o estágio mais próximo em que as partes já estiveram para finalizar uma negociação desde o início da guerra, que já dura mais de dois meses.

Porém, há receio por parte dos norte-americanos quanto a um consenso entre as lideranças iranianas, que o governo dos EUA acredita estarem fragmentadas.

O documento de 14 pontos prevê o fim da guerra no Oriente Médio e o início de um período de 30 dias para negociar a abertura do Estreito de Ormuz. Por parte dos EUA, o memorando é negociado pelos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.

O recuo do presidente dos EUA, Donald Trump, na operação militar de guiar navios detidos em Ormuz teria sido consequência do progresso nas conversas diplomáticas. Trump afirmou nas redes sociais que a decisão de suspender a operação foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”.

Uma fonte do Paquistão ouvida pela agência Reuters confirmou a negociação do memorando de uma página. “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá”, disse a fonte à agência.

Trump suspende ação militar para reabrir Ormuz

O presidente dos eua, Donald Trump, anunciou a suspensão temporária do chamado “Projeto Liberdade”, operação criada para escoltar navios comerciais no Estreito de Ormuz em meio ao confronto com o Irã.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a decisão foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”, além do que classificou como “enorme sucesso militar” da campanha conduzida contra o Irã.

Segundo o presidente norte-americano, a pausa ocorre porque Washington e Teerã teriam avançado rumo a um possível entendimento diplomático.

“Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, escreveu Trump.

A manobra do republicano indica mudança no tom adotado pela Casa Branca nos últimos dias, quando os EUA intensificaram a presença militar na região após o fechamento parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Foco agora é reabrir Ormuz, diz Rubio

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou, nessa terça-feira (5/5), que a operação militar iniciada em fevereiro contra o Irã foi concluída e que Washington agora concentra esforços na reabertura e segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo.

“A operação terminou. Epic Fury, como o presidente (Donald Trump) notificou ao Congresso, concluímos essa etapa. Alcançamos os objetivos dessa operação”, disse Rubio.

Segundo ele, a nova fase da estratégia norte-americana está centrada no chamado “Projeto Liberdade”, iniciativa do governo Trump para escoltar embarcações comerciais pela região do Golfo e reduzir riscos de ataques no Estreito de Ormuz.

“Agora estamos trabalhando no Projeto Liberdade. É nisso que estamos trabalhando agora. O que isso pode acarretar no futuro é especulação”, afirmou.

A Casa Branca informou ao Congresso na semana passada que as hostilidades diretas com o Irã foram encerradas após o cumprimento do prazo de 60 dias que exigiria autorização legislativa para continuidade da operação militar.

Rubio, no entanto, não descartou que os EUA retomem ações militares caso o cessar-fogo seja violado ou as negociações sobre o programa nuclear iraniano fracassem.

As tensões seguem concentradas nas discussões sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã. O secretário afirmou que o tema será central em qualquer acordo diplomático.

“Não deve se limitar ao enriquecimento, mas também ao que acontecerá com o material armazenado em locais muito profundos”, disse.

Rubio também voltou a criticar o programa nuclear iraniano, afirmando que Teerã representa risco global e poderia “manter o mundo como refém” caso obtenha uma arma nuclear.

Lula vai aos EUA para reunião com Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca para os EUA, nesta quarta-feira, para uma reunião de trabalho com o presidente norte-americano, Donald Trump.

A conversa ocorre sete meses após o último encontro entre os presidentes, em outubro do ano passado, na Malásia. A visita do petista a Washington estava prevista para março, mas acabou adiada por causa do acirramento do conflito envolvendo EUA, Irã e Israel.

Agora, Lula pretende retomar a discussão sobre temas de interesse da agenda bilateral entre os países. De acordo com auxiliares, o governo não vê “tema tabu” que não possa ser abordado. A postura, portanto, será de abertura ao diálogo.

Do lado brasileiro, as prioridades serão o combate ao crime organizado e a pauta comercial. O governo norte-americano estuda classificar facções criminosas, a exemplo do Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas. O Palácio do Planalto rechaça a medida por entender que a mudança pode abrir brecha para interferências externas no país.

Em dezembro, o governo brasileiro encaminhou ao Departamento de Estado uma proposta para fortalecer a cooperação no combate ao crime organizado. A parceria abrange medidas de repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas internacional.

A colaboração no âmbito da segurança pública é vista pelo Executivo brasileiro como estratégica para evitar intervenções da Casa Branca no processo eleitoral brasileiro sob justificativa de combater o crime organizado, como ocorreu na Venezuela, no início do ano. Com isso, o governo brasileiro pretende assinar um acordo de combate ao crime organizado transnacional com a Casa Branca.

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