Petróleo desaba com possível acordo entre EUA e Irã pelo fim da guerra
A informação de um possível acordo foi publicada pelo jornal norte-americano Axios, citando duas fontes da Casa Branca e duas extraoficiais
atualizado
Compartilhar notícia

Os preços internacionais do petróleo operavam em forte queda, nesta quarta-feira (6/5), em meio aos rumores de que Estados Unidos e Irã, finalmente, estão se aproximando de um acordo pelo fim da guerra no Oriente Médio.
A informação foi publicada pelo jornal norte-americano Axios, citando duas fontes da Casa Branca e duas extraoficiais.
O que aconteceu
- Por volta das 8h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) tombava 12,09% e era negociado abaixo de US$ 90 (US$ 89,91).
- No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) recuava 10,27%, abaixo de US$ 100 (a US$ 98,59).
- Na sessão de terça-feira (5/5), o petróleo já havia fechado em queda. O barril do tipo WTI para junho caiu 3,9%, a US$ 102,27, enquanto o brent para julho cedeu 3,99%, a US$ 109,87.
- Na semana passada, os preços do petróleo atingiram a maior cotação em quatro anos, ultrapassando os US$ 126 o barril.
Guerra perto do fim?
O acordo, segundo as fontes ouvidos pelo jornal Axios, envolve o compromisso do Irã com uma moratória sobre o programa nuclear, e, por parte dos EUA, a suspensão de sanções econômicas contra o país persa e a liberação de ativos congelados iranianos.
A negociação também prevê que ambos os países suspendam os bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz.
Os EUA esperam a resposta do Irã em 48 horas. Segundo a reportagem, a Casa Branca acredita que este é o estágio mais próximo em que as partes já estiveram para finalizar uma negociação desde o início da guerra, que já dura mais de dois meses.
Porém, há receio por parte dos norte-americanos quanto a um consenso entre as lideranças iranianas, que o governo dos EUA acredita estarem fragmentadas.
O documento de 14 pontos prevê o fim da guerra no Oriente Médio e o início de um período de 30 dias para negociar a abertura do Estreito de Ormuz. Por parte dos EUA, o memorando é negociado pelos enviados norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
O recuo do presidente dos EUA, Donald Trump, na operação militar de guiar navios detidos em Ormuz teria sido consequência do progresso nas conversas diplomáticas. Trump afirmou nas redes sociais que a decisão de suspender a operação foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”.
Uma fonte do Paquistão ouvida pela agência Reuters confirmou a negociação do memorando de uma página. “Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá”, disse a fonte à agência.
Trump suspende ação militar para reabrir Ormuz
O presidente dos eua, Donald Trump, anunciou a suspensão temporária do chamado “Projeto Liberdade”, operação criada para escoltar navios comerciais no Estreito de Ormuz em meio ao confronto com o Irã.
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que a decisão foi tomada “com base no pedido do Paquistão e de outros países”, além do que classificou como “enorme sucesso militar” da campanha conduzida contra o Irã.
Segundo o presidente norte-americano, a pausa ocorre porque Washington e Teerã teriam avançado rumo a um possível entendimento diplomático.
“Concordamos mutuamente que, embora o bloqueio permaneça em pleno vigor, o Projeto Liberdade será suspenso por um curto período para verificar se o acordo pode ser finalizado e assinado”, escreveu Trump.
A manobra do republicano indica mudança no tom adotado pela Casa Branca nos últimos dias, quando os EUA intensificaram a presença militar na região após o fechamento parcial do Estreito de Ormuz pelo Irã.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Foco agora é reabrir Ormuz, diz Rubio
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou, nessa terça-feira (5/5), que a operação militar iniciada em fevereiro contra o Irã foi concluída e que Washington agora concentra esforços na reabertura e segurança do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio global de petróleo.
“A operação terminou. Epic Fury, como o presidente (Donald Trump) notificou ao Congresso, concluímos essa etapa. Alcançamos os objetivos dessa operação”, disse Rubio.
Segundo ele, a nova fase da estratégia norte-americana está centrada no chamado “Projeto Liberdade”, iniciativa do governo Trump para escoltar embarcações comerciais pela região do Golfo e reduzir riscos de ataques no Estreito de Ormuz.
“Agora estamos trabalhando no Projeto Liberdade. É nisso que estamos trabalhando agora. O que isso pode acarretar no futuro é especulação”, afirmou.
A Casa Branca informou ao Congresso na semana passada que as hostilidades diretas com o Irã foram encerradas após o cumprimento do prazo de 60 dias que exigiria autorização legislativa para continuidade da operação militar.
Rubio, no entanto, não descartou que os EUA retomem ações militares caso o cessar-fogo seja violado ou as negociações sobre o programa nuclear iraniano fracassem.
As tensões seguem concentradas nas discussões sobre o enriquecimento de urânio pelo Irã. O secretário afirmou que o tema será central em qualquer acordo diplomático.
“Não deve se limitar ao enriquecimento, mas também ao que acontecerá com o material armazenado em locais muito profundos”, disse.
Rubio também voltou a criticar o programa nuclear iraniano, afirmando que Teerã representa risco global e poderia “manter o mundo como refém” caso obtenha uma arma nuclear.
