Apesar de ameaças de Trump e escalada da guerra, preço do petróleo cai
Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã “será varrido da face da Terra” caso ataque navios norte-americanos
atualizado
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Apesar da nova escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio, com a ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de “varrer do mapa” o regime iraniano, os preços internacionais do petróleo esboçavam um alívio, nesta terça-feira (5/5), e operavam em baixa.
O que aconteceu
- Por volta das 9h25 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 3,09% e era negociado a US$ 103,13.
- No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) cedia 2,11%, a US$ 112,02.
- Na máxima do dia até aqui, a cotação do brent encostou nos US$ 114 o barril (US$ 113,94).
- Na sessão de segunda-feira (4/5), o petróleo fechou em alta. O barril do tipo WTI para junho avançou 4,39%, a US$ 106,42, enquanto o brent para julho subiu 5,08%, a US$ 114,44.
- Na semana passada, os preços do petróleo atingiram a maior cotação em quatro anos, ultrapassando os US$ 126 o barril.
Trump ameaça “varrer” o Irã do mapa
No front internacional, a guerra no Oriente Médio continua ditando o rumo dos mercados de câmbio e de ações, com influência direta sobre os preços do petróleo. Nas últimas horas, uma nova escalada nas tensões entre Trump e o regime iraniano vem preocupando os investidores.
Nessa segunda-feira (4/5), Trump afirmou que o Irã “será varrido da face da Terra” caso ataque navios norte-americanos envolvidos no chamado “Projeto Liberdade”. A operação está em curso no Estreito de Ormuz e tem como objetivo escoltar e conduzir embarcações retidas na região, uma das principais rotas marítimas do mundo.
A declaração foi dada durante entrevista à Fox News. Na ocasião, Trump também disse acreditar que o Irã tem demonstrado uma postura “mais maleável” nas negociações de paz em andamento.
Apesar disso, o presidente reforçou que os EUA mantêm presença militar fortalecida na região. “Temos mais armas e munições de qualidade muito superior àquela que tínhamos antes”, disse. “Temos os melhores equipamentos. Temos recursos em todo o mundo. Temos bases em todo o mundo. Todas elas estão abastecidas com equipamentos. Podemos usar tudo isso, e usaremos, se precisarmos.”
Anunciado no domingo (3/5), o “Projeto Liberdade” teve início após pedidos de países que não participam diretamente do conflito na região, mas tiveram embarcações retidas no local, segundo Trump. O republicano afirmou que a missão tem caráter humanitário e tem como objetivo garantir a saída segura dos navios e de suas tripulações.
O líder norte-americano disse ainda que os países envolvidos indicaram que não pretendem voltar a operar na região até que haja segurança para navegação. Ele acrescentou que qualquer tentativa de interferência na operação poderá ser respondida de forma firme pelos EUA.
Irã sobe o tom e ameaça EUA
A escalada de tensões no Estreito de Ormuz ganhou um novo capítulo na segunda-feira, após declarações duras do almirante Ali Akbar Ahmadian, representante do líder da Revolução no Conselho de Defesa da República Islâmica do Irã (IRGC).
Em mensagem divulgada pela agência estatal iraniana IRNA, Ahmadian afirmou que os EUA seriam responsáveis por “tomar como refém a segurança da navegação e da energia mundial” e alertou para possíveis respostas militares assimétricas na região.
“Os piratas marítimos americanos devem saber que operações complexas, combinadas e assimétricas em profundidade no campo de batalha irão alterar as equações de tal forma que o custo de suas decisões ultrapassará o limite de tolerância”, escreveu.
Ele acrescentou que as ações iranianas não devem ser interpretadas como simples advertência. “Isso não é um aviso, mas parte de uma realidade que, com a permissão de Deus, se concretizará”, afirmou.
