Petróleo começa semana em alta e bate US$ 114 com tensão EUA x Irã

Na semana passada, os preços internacionais do petróleo atingiram a maior cotação em quatro anos, ultrapassando os US$ 126 o barril

atualizado

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Uma lancha da polícia patrulha o porto enquanto petroleiros e embarcações de alta velocidade permanecem ancorados na área de ancoragem de Mascate, perto do Estreito de Ormuz - Metrópoles
1 de 1 Uma lancha da polícia patrulha o porto enquanto petroleiros e embarcações de alta velocidade permanecem ancorados na área de ancoragem de Mascate, perto do Estreito de Ormuz - Metrópoles - Foto: Elke Scholiers/Getty Image

Os preços internacionais do petróleo começaram a semana em alta, nesta segunda-feira (4/5), em meio à escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio e ainda sem perspectivas de um acordo que encerre a guerra entre os dois países.


O que aconteceu

  • Por volta das 8h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 3,35% e era negociado a US$ 105,35.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia 3,57%, a US$ 112,03. Na máxima do dia até aqui, a cotação encostou nos US$ 114 (US$ 113,97).
  • Na sessão da última sexta-feira (1º/5), o petróleo fechou em queda. O barril do tipo WTI para junho recuou 2,98%, a US$ 101,94, enquanto o brent para julho cedeu 2,02%, a US$ 118,17.
  • Na semana passada, os preços do petróleo atingiram a maior cotação em quatro anos, ultrapassando os US$ 126 o barril.

Irã diz que atingiu navios de guerra dos EUA

A semana começou com a notícia de que dois mísseis teriam atingido um navio de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz. A informação foi veiculada pela agência oficial iraniana Fars.

A embarcação norte-americana teria sido atingida quando ia em direção ao estreito, ignorando o aviso dado horas antes pela Marinha do Irã. Ainda segundo a agência iraniana, o navio dos EUA não conseguiu prosseguir e se viu obrigado a recuar e deixar o local.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Estados Unidos analisam proposta do Irã

O governo dos EUA respondeu à proposta enviada pelo Irã, com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio. A informação foi divulgada nesse domingo (3/5) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. A resposta, no entanto, não foi divulgada.

A nova tentativa de um fim pacífico para o conflito, iniciado em 28 de fevereiro, foi mediada pelo Paquistão. “Essa visão está sendo analisada e, após a conclusão, a resposta do Irã será apresentada”, disse o porta-voz da chancelaria iraniana à agência estatal Tasnim.

Na última sexta-feira, o governo iraniano enviou proposta de paz para os EUA de 14 pontos. O presidente norte-americano, Donald Trump, contudo, deu declarações contrárias ao texto do possível acordo.

Entre outros pontos, o plano prevê o fim dos combates, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio norte-americano em portos do Irã.

Segundo o documento, questões relacionadas ao programa nuclear iraniano, usado por Washington como justificativa para o início da guerra, devem ser discutidas posteriormente.

Governo Trump promete guiar navios retidos

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que o o país iniciará, a partir desta segunda, uma operação para guiar navios retidos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, afetada pela guerra contra o Irã.

Segundo Trump, a decisão foi tomada após pedidos de diversos países que não têm envolvimento direto no conflito no Oriente Médio, mas que acabaram com embarcações presas na região.

“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis ​​restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente. Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança”, escreveu na Truth Social.

O republicano chamou a ação de “Projeto Liberdade” e afirmou que a iniciativa tem caráter humanitário. De acordo com ele, algumas embarcações enfrentam dificuldades, como falta de alimentos e outros itens essenciais para as tripulações.

Trump declarou ainda que há conversas em andamento com o Irã e que as negociações têm sido positivas. Mesmo assim, destacou que a operação ocorrerá independentemente disso, com o objetivo de retirar navios de países considerados neutros no conflito.

Países da Opep+ aumentarão a produção de petróleo

Sete países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) decidiram aumentar suas produções e vão adicionar 188 mil barris por dia a suas cotas. A medida foi anunciada nesse domingo, e o objetivo é manter a “estabilidade do mercado de petróleo”.

O incremento na produção será implementado em junho. O compromisso foi firmado por Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.

Em abril, países Opep+ já haviam anunciado aumento de 206 mil barris na produção diária do cartel. Na época, além das sete nações que divulgaram o novo aumento, a medida foi anunciada pelos Emirados Árabes Unidos, que recentemente saiu do grupo.

A decisão da organização surge em um momento de incerteza no setor de combustíveis. Desde o início da guerra no Irã, o preço do petróleo disparou, em consequência do bloqueio no Estreito de Ormuz.

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