Dólar cai a R$ 4,91, menor valor em 27 meses, com ata do Copom e Irã

Moeda americana fechou em queda de 1,12% frente ao real. Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira, subiu 0,62%

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Jackal Pan/Getty Images
Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles
1 de 1 Imagem de notas de dólar dos EUA - Metrópoles - Foto: Jackal Pan/Getty Images

O dólar registrou forte queda de 1,12% frente ao real, atingindo R$ 4,91, nesta terça-feira (5/5). Essa foi a menor cotação da moeda americana desde fevereiro de 2024 — ou seja, há dois anos e três meses.

O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,62%, aos 186.757,92 pontos. Com o resultado, o indicador recuperou parte das perdas da queda da véspera, quando caiu 0,92%, aos 185.600,22 pontos.

Os movimentos dos mercados de câmbio e ações mostram uma retomada do apetite por risco dos investidores. Ele foi estimulado pelo arrefecimento, embora parcial, das tensões no conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que o país não tem intenção de ampliar o conflito. Na mesma entrevista, o chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, disse que as ações iranianas permanecem limitadas, atenuando preocupações de uma eventual retomada de grandes operações de combate.

Queda do petróleo

O resultado prático das declarações foi a queda do preço do petróleo. O barril do tipo Brent, que serve de referência para o mercado internacional, fechou em baixa de 3,99%, a US$ 109,87. O West Texas Intermediate (WTI, que baliza os preços nos Estados Unidos), recuou 3,90%, a US$ 102,27 por barril.

Bolsas no mundo

Com a baixa da commodity, as principais bolsas da Europa subiram, reduzindo perdas da véspera. O índice europeu Stoxx 600 subiu 0,68% e o DAX, de Frankfurt, avançou 1,71%. O CAC 40, de Paris, teve elevação de 1,08%. A exceção ficou com o FTSE 100, de Londres, que caiu 1,40%.

Os principais índices de Nova York também subiram. Às 16h30, a alta era de 0,97%, no S&P 500; de 0,82%, no Dow Jones; e de 1,11%, no Nasdaq, que concentra ações de empresas de tecnologia.

Ata do Copom

No Brasil, os investidores acompanharam a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), realizada na última quarta-feira (28/4). Na ocasião, o Copom fixou os juros básicos do país ( Selic) em 14,50% ao ano, ao definir um corte de 0,25 ponto percentual na taxa.

A ata surpreendeu analistas, ao expor uma maior preocupação com a inflação. Na avaliação do economista Beto Saadia, da Nomos, ela citou o ano de 2028 pela primeira vez em um documento do Copom, “sinalizando que as expectativas de inflação estão se desancorando além do horizonte usual da política monetária”. A informação não apareceu no comunicado veiculado pelo Comitê no fim da reunião da semana passada.

Para a equipe da Warren Investimentos, a implicação direta da ata é que o cenário de cortes sucessivos de 0,25 ponto percentual, levando a Selic ao fim do ano para próximo de 13%, fica para trás. “O tom da ata é compatível com menos cortes e uma interrupção mais cedo do ciclo de calibragem da Selic”, diz a corretora.

Ibovespa

Na avaliação da corretora Ativa, os destaques positivos do Ibovespa ficaram com as ações da Ambev, que chegaram a avançar mais de 15%, depois da divulgação do balanço da companhia.

Já os resultados negativos vieram com os papéis da Prio, que caíram 1,74%, e da Petrobras, com baixa de 1,29%. Para a Ativa, no caso da Prio, os investidores aguardavam a divulgação do resultado do primeiro trimestre de 2026 da empresa, num movimento que indicou a realização de lucros antes da publicação do balanço. Além disso, a queda dos preços do petróleo também comprometeu o desempenho da companhia e da Petrobras ao longo da sessão.

Análise

Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar operou em queda relevante, sustentado por um fluxo de recursos consistente para o Brasil. “A valorização do real foi puxada pela combinação de entrada de recursos comerciais — favorecida pelo petróleo ainda acima de US$ 110, que melhora os termos de troca e amplia a oferta de dólares — e fluxo financeiro, diante de um diferencial de juros elevado”, diz.

Shahini observa que a ata do Copom, com tom mais conservador, reforçou a percepção de uma Selic mais alta ao fim do ciclo, incentivando a alocação em renda fixa local. Ele acrescenta que o ambiente externo mais favorável a emergentes e o dólar global mais comportado também contribuíram, mesmo com o cenário geopolítico ainda incerto, para o resultado dos mercados de câmbio e ações no Brasil.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?