Dólar e Bolsa oscilam com Desenrola 2.0, Focus, petróleo e EUA x Irã

Na última quinta-feira (30/4), o dólar fechou em queda de 0,99%, cotado a R$ 4,952, o menor valor em mais de dois anos. Bolsa subiu 1,39%

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Imagens de notas de dólar - Metrópoles
1 de 1 Imagens de notas de dólar - Metrópoles - Foto: Getty Images

O dólar opera sob forte volatilidade, nesta segunda-feira (4/5), em um dia no qual os investidores dividem suas atenções entre o noticiário econômico local e os desdobramentos da complicada negociação entre Estados Unidos e Irã pelo fim da guerra no Oriente Médio.

No Brasil, o destaque é o anúncio do governo federal sobre o novo programa de renegociação de dívidas, que vem sendo chamado de Desenrola 2.0. Os detalhes da nova iniciativa foram conhecidos em uma entrevista coletiva com a equipe econômica no Palácio do Planalto.

No exterior, os investidores seguem atentos à escalada nas tensões entre Estados Unidos e Irã, que ainda estão longe de um acordo que encerre os conflitos entre os dois países, e os reflexos sobre os preços internacionais do petróleo, que começaram a semana em alta.

Nesta semana, o mercado financeiro também continua monitorando a temporada de balanços corporativos no Brasil e nos EUA.


Dólar

  • Às 11h26, o dólar caía 0,01%, a R$ 4,951, perto da estabilidade.
  • Mais cedo, às 10h34, a moeda norte-americana avançava 0,15% e era negociada a R$ 4,96.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,968. A mínima é de R$ 4,948.
  • Na sessão da última quinta-feira (30/4), antes do feriado, o dólar fechou em queda de 0,99%, cotado a R$ 4,952, o menor valor em mais de dois anos.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 4,41% em abril e de 9,87% em 2026 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), também operava praticamente estável no pregão.
  • Às 11h27, o Ibovespa recuava 0,05%, aos 187,2 mil pontos.
  • No último pregão da semana passada, o indicador fechou em alta de 1,39%, aos 187,3 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 0,06% no mês e valorização de 16,05% no ano.

Governo Lula lança o Desenrola 2.0

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou, nesta segunda-feira, o Desenrola 2.0.

Na última quinta-feira (30/4), Lula deu alguns detalhes do programa em pronunciamento na TV, em alusão ao Dia do Trabalho. Segundo o petista, será possível negociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e até do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Os juros do programa de renegociação serão de até 1,99% ao mês e os descontos poderão variar de 30% a 90% do valor devido. “Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida”, disse Lula.

O uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar dívidas também foi confirmado. De acordo com o presidente, cada pessoa poderá sacar até 20% do saldo do fundo.

O programa foi uma determinação de Lula ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda nos primeiros dias dele no cargo, no fim de março.

A iniciativa reunirá frentes diversas, envolvendo renegociação de dívidas e barateamento do crédito, buscando atacar um dos principais entraves ao consumo no país: o peso do endividamento, especialmente no caso de débitos de maior custo, como cartão de crédito e cheque especial.

Focus: mercado aumenta projeção de inflação

Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) elevaram a estimativa de inflação de 4,86% para 4,89% em 2026, ou seja, acima do teto da meta. É o que mostra a nova edição do Relatório Focus, divulgada nesta segunda-feira.

De acordo com o relatório, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve terminar este ano em 4,89%. Em relação ao PIB de 2026, a projeção foi mantida em 1,85%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.

Os preços de bens e serviços do país avançaram 0,88% em março deste anohttps://www.metropoles.com/brasil/sob-efeito-da-guerra-combustiveis-puxam-inflacao-de-marco-para – com isso, o índice está em 4,14% nos últimos 12 meses. Em 2025, a inflação acumulou alta de 4,26% – valor que ultrapassou o centro da meta, mas permaneceu abaixo do teto. A inflação de abril deve ser conhecida no próximo dia 12 de maio. Para 2027, o índice esperado foi mantido em 4%.

Ainda segundo o Focus, o PIB do Brasil para 2026 deve ter crescimento de 1,85%, índice igual ao da projeção da semana passada.

Para 2027, a previsão de crescimento da economia foi reduzida de 1,8% para 1,75%. Para 2028, a estimativa foi mantida em 2%.

Em 2025, o PIB brasileiro fechou em alta de 2,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Irã diz que atingiu navios de guerra dos EUA

A semana começou com a notícia de que dois mísseis teriam atingido um navio de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz. A informação foi veiculada pela agência oficial iraniana Fars.

A embarcação norte-americana teria sido atingida quando ia em direção ao estreito, ignorando o aviso dado horas antes pela Marinha do Irã. Ainda segundo a agência iraniana, o navio dos EUA não conseguiu prosseguir e se viu obrigado a recuar e deixar o local.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Estados Unidos analisam proposta do Irã

O governo dos EUA respondeu à proposta enviada pelo Irã, com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio. A informação foi divulgada nesse domingo (3/5) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. A resposta, no entanto, não foi divulgada.

A nova tentativa de um fim pacífico para o conflito, iniciado em 28 de fevereiro, foi mediada pelo Paquistão. “Essa visão está sendo analisada e, após a conclusão, a resposta do Irã será apresentada”, disse o porta-voz da chancelaria iraniana à agência estatal Tasnim.

Na última sexta-feira, o governo iraniano enviou uma proposta de paz para os EUA de 14 pontos. O presidente norte-americano, Donald Trump, contudo, deu declarações contrárias ao texto do possível acordo.

Entre outros pontos, o plano prevê o fim dos combates, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio norte-americano em portos do Irã.

Segundo o documento, questões relacionadas ao programa nuclear iraniano, usado por Washington como justificativa para o início da guerra, devem ser discutidas posteriormente.

Governo Trump promete guiar navios retidos

O presidente dos EUA, Donald Trump anunciou que os o país iniciará, a partir desta segunda, uma operação para guiar navios retidos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, afetada pela guerra contra o Irã.

Segundo Trump, a decisão foi tomada após pedidos de diversos países que não têm envolvimento direto no conflito no Oriente Médio, mas que acabaram com embarcações presas na região.

“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos EUA, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis ​​restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente. Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança”, escreveu na Truth Social.

O republicano chamou a ação de “Projeto Liberdade” e afirmou que a iniciativa tem caráter humanitário. De acordo com ele, algumas embarcações enfrentam dificuldades, como falta de alimentos e outros itens essenciais para as tripulações.

Trump declarou ainda que há conversas em andamento com o Irã e que as negociações têm sido positivas. Mesmo assim, destacou que a operação ocorrerá independentemente disso, com o objetivo de retirar navios de países considerados neutros no conflito.

Países da Opep+ aumentarão a produção de petróleo

Sete países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) decidiram aumentar suas produções e vão adicionar 188 mil barris por dia a suas cotas. A medida foi anunciada nesse domingo, e o objetivo é manter a “estabilidade do mercado de petróleo”.

O incremento na produção será implementado em junho. O compromisso foi firmado por Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.

Em abril, países Opep+ já haviam anunciado um aumento de 206 mil barris na produção diária do cartel. Na época, além das sete nações que anunciaram o novo aumento, a medida também foi anunciada pelos Emirados Árabes Unidos, que recentemente saiu do grupo.

A decisão da organização surge em um momento de incerteza no setor de combustíveis. Desde o início da guerra no Irã, o preço do petróleo disparou, em consequência do bloqueio no Estreito de Ormuz.

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