Dólar e Bolsa caem com Lula-Trump, petróleo e possível fim da guerra
Na véspera, dólar terminou a sessão em leve alta de 0,17%, cotado a R$ 4,921, perto da estabilidade. Bolsa subiu 0,5%, aos 187,6 mil pontos
atualizado
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O dólar opera em baixa, nesta quinta-feira (7/5), com o mercado financeiro repercutindo a reunião entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca.
No encontro, os dois líderes devem discutir uma série de temas, entre os quais questões comerciais, terras raras e combate a organizações criminosas.
O mercado de câmbio e de ações também continua sendo influenciado pelo conflito entre EUA e Irã no Oriente Médio. Nos últimos dias, aumentou o otimismo dos investidores em relação ao fim da guerra, diante do avanço das conversas entre a diplomacia dos dois países em torno de um possível acordo de paz.
Dólar
- Às 10h08, o dólar caía 0,37%, a R$ 4,903.
- Mais cedo, às 9h10, a moeda norte-americana recuava 0,06% e era negociada a R$ 4,918.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 4,919. A mínima é de R$ 4,896.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,17%, cotado a R$ 4,921, perto da estabilidade.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,63% no mês e de 10,35% no ano frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em queda no início do pregão.
- Às 10h11, o Ibovespa recuava 0,76%, aos 186,2 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,5%, aos 187,6 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 0,2% em maio e de 16,49% em 2026.
Lula e Trump na Casa Branca
O presidente dos EUA, Donald Trump, recebe, nesta quinta-feira, na Casa Branca, em Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para uma reunião de trabalho sobre assuntos bilaterais de interesse dos dois países.
O governo brasileiro está dividido quanto às expectativas para o encontro. Uma ala defende que o chefe do Planalto adote cautela diante do líder norte-americano e evite abordar, por iniciativa própria, temas considerados sensíveis, como a eventual classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
O governo dos EUA avalia essa possibilidade, enquanto o Palácio do Planalto rechaça a medida por entender que ela pode abrir brechas para interferências externas no país. Ainda que o combate ao crime organizado seja uma das prioridades de Lula na reunião, a tendência é que o tema do terrorismo não seja levantado espontaneamente pelo presidente brasileiro.
A avaliação de auxiliares é a de que há um grupo específico dentro do Departamento de Estado norte-americano que defende a medida e pressiona por ações mais duras contra o Brasil.
Nesse sentido, a iniciativa não refletiria necessariamente a posição de todo o governo dos EUA – nem, obrigatoriamente, a do próprio Trump. Resta saber se o presidente norte-americano levará o assunto à mesa.
Outro setor do Executivo, ligado à área diplomática, descarta a possibilidade de um comportamento imprevisível por parte de Trump ou de eventual constrangimento público ao presidente brasileiro. Fontes avaliam que não há indícios de preparação de um cenário hostil, como já ocorreu em encontros com outros líderes internacionais.
Para esse grupo, não existem fatores que justifiquem a reação negativa dos EUA. Em relação ao tema das facções criminosas, a avaliação é a de que a cooperação bilateral nessa área é histórica e consolidada, e que os dois países devem discutir formas de ampliá-la e aprofundá-la.
Além disso, interlocutores apostam na experiência e no jogo de cintura de Lula para conduzir a reunião e lidar com eventuais situações delicadas.
O que Trump espera de Lula
O encontro “olho no olho” entre Lula e Trump será realizado em um momento no qual a relação entre Brasil e EUA passa a refletir disputas mais amplas de poder, influência e reorganização da ordem internacional.
Em um cenário marcado pela intensificação da disputa entre grandes potências e pela corrida por recursos estratégicos, o Metrópoles ouviu analistas que avaliam o encontro como parte de uma tentativa do republicano de reposicionar a influência da Casa Branca na América Latina, além de garantir insumos essenciais para os EUA.
Do ponto de vista norte-americano, o encontro com Lula é visto como uma oportunidade estratégica em múltiplas frentes.
O primeiro eixo é econômico. Especialistas avaliam que o principal interesse do governo Trump é firmar um acordo envolvendo minerais críticos e terras raras – insumos essenciais para semicondutores, inteligência artificial, indústria bélica e transição energética.
O Brasil tem a segunda maior reserva mundial desses minerais. Para os EUA, a prioridade é reduzir a dependência da China, que é líder nesse setor. Nesse contexto, o Brasil passa a ser visto não apenas como parceiro comercial, mas como o principal elemento em uma disputa tecnológica global.
Outro ponto sensível envolve comércio e regulação econômica. Washington tem ampliado críticas a práticas brasileiras em áreas como etanol, serviços digitais, audiovisual, regulação de plataformas e até sistemas financeiros como o Pix.
Internamente, o governo Trump também acompanha de perto o avanço de empresas brasileiras como a JBS no mercado norte-americano, alimentando pressões protecionistas do agronegócio dos EUA.
Há ainda uma dimensão menos explícita, mas estratégica: o monitoramento de fluxos financeiros e digitais. Para especialistas, esse tipo de pressão não é excepcional, mas parte de uma lógica de competição global em que segurança econômica e política externa se tornam cada vez mais interligadas.
Preços do petróleo seguem em queda
Com a guerra no Oriente Médio no radar dos investidores, os preços internacionais do petróleo continuavam operando em baixa, nesta quinta-feira, movidos pelo maior otimismo dos mercados globais em relação ao possível acordo de paz entre EUA e Irã.
Por volta das 8h35 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 3,58% e era negociado a US$ 91,68.
No mesmo horário, o contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) tombava 3,02%, ainda abaixo de US$ 100 (a US$ 98,21).
Na sessão de quarta-feira (6/5), o petróleo já havia fechado em queda. O barril do tipo WTI para junho caiu 7,03%, a US$ 95,08, enquanto o brent para julho cedeu 7,83%, a US$ 101,27.
Trump: guerra valeria a pena mesmo com petróleo a US$ 200
“O preço do petróleo poderia ter chegado a US$ 200, US$ 250, mas agora está em US$ 100. Acho que você está surpreso, e eu também. Mas mesmo que tivesse chegado a US$ 200, teria valido a pena”, disse.
A declaração do republicano ocorre em meio às negociações entre Washington e Teerã para encerrar o conflito no Oriente Médio e uma forte queda das cotações internacionais do petróleo.
Na visão de Trump, os custos econômicos da escalada militar seriam justificáveis diante dos objetivos estratégicos dos EUA no Oriente Médio.
O chefe da Casa Branca voltou a associar, ainda, o conflito ao controle das rotas energéticas globais e à contenção do programa nuclear iraniano.
Ao comentar a situação, o presidente dos EUA também revelou encontros recentes com executivos das gigantes petrolíferas norte-americanas Chevron e ExxonMobil. Segundo ele, as conversas envolveram, principalmente, a expansão das operações na Venezuela e os impactos da guerra sobre o setor energético.
Irã confirma negociações, mas nega discussão nuclear
O Irã confirmou que negociações pelo fim da guerra com os EUA estão em andamento, mas negou qualquer discussão nuclear nesta fase das conversas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Esmaeil Baghaei, disse à agência iraniana Isna que o Irã analisa uma proposta dos EUA.
Na quarta-feira, o jornal norte-americano Axios publicou que os dois países estão se aproximando de um memorando para encerrar a guerra, que incluiria uma moratória sobre o enriquecimento de urânio por parte do Irã, e, em troca, a suspensão de sanções dos EUA contra o país persa e a liberação de ativos congelados iranianos.
O porta-voz da chancelaria iraniana, por sua vez, afirmou que a reportagem em questão inclui “exigências excessivas e irrealistas que foram veementemente negadas pelo Irã”.
Trump publicou nas redes sociais, também na quarta, que a guerra terminará se o Irã “ceder o que foi acordado”, mas ameaçou bombardear o Irã “mais intensamente” caso não concordem. O líder norte-americano não especificou o que seria o acordo.
O Axios, citando duas fontes da Casa Branca e duas extraoficiais, afirma que a parte norte-americana vê um acordo mais próximo do que jamais esteve desde o início da guerra. A agência Reuters, citando uma fonte do Paquistão, que media as conversas, confirmou as informações da reportagem.
