Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, morre aos 80 anos

O economista foi presidente do Banco Central durante cerca de um mês, entre janeiro e fevereiro de 1999, e consultor informal do Plano Real

atualizado

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1 de 1 Imagem de Francisco Lopes, ex-diretor e ex-presidente do Banco Central - Metrópoles - Foto: Reprodução/Roberto Stuckert Filho

O economista Francisco Lafaiete Lopes, conhecido como Chico Lopes, morreu, nesta sexta-feira (8/5), aos 80 anos. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco, na capital fluminense, após ser submetido a uma cirurgia no intestino.

O economista foi presidente interino do Banco Central (BC) durante cerca de um mês, entre janeiro e fevereiro de 1999, no segundo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Ele assumiu o comando da autoridade monetária no lugar de Gustavo Franco. Seu sucessor no cargo foi Armínio Fraga.

Trajetória

Chico Lopes se formou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez mestrado na Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ) e doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

No fim da década de 1970, o economista fundou o programa de pós-graduação do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio.

Plano Cruzado, Plano Real e Copom

O economista esteve envolvido na elaboração do Plano Cruzado, em 1986, e do Plano Bresser, em 1988. Chico Lopes atuou no governo federal e integrou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento.

Durante o governo do então presidente Itamar Franco (1992-1994), Chico Lopes foi consultado pela equipe de economistas que formulou o Plano Real – que viria a estabilizar a economia brasileira, acabando com a hiperinflação no país. O economista era ligado a nomes como Edmar Bacha e Pedro Malan (que seria o ministro da Fazenda do governo FHC, a partir de 1995).

Chico Lopes foi convidado por Persio Arida, outro dos formuladores do Real, para a diretoria do BC. Naquele período, o economista foi o primeiro diretor de Política Econômica da autarquia.

Na gestão de Gustavo Loyola à frente do BC, Lopes assumiu a diretoria de Política Monetária e participou do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável por definir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic.

Em depoimento à coleção “História Contada do Banco Central do Brasil”, do BC, em 2019, Chico Lopes afirmou que “a criação do Copom foi fundamental para a consolidação do real e para que fosse estabelecida, de fato, uma política monetária”.

Escândalo Marka-Fonte Cindam

Em sua curta passagem pela presidência da autoridade monetária, Chico Lopes teve o nome envolvido no escândalo conhecido como Marka-Fonte Cindam, em 1999.

Na ocasião, o BC socorreu os bancos Marka e FonteCindam, que quebraram após apostarem na estabilidade do real durante a desvalorização cambial. Na época, a autoridade monetária vendeu dólares abaixo do preço de mercado, gerando prejuízos estimados em R$ 1,5 bilhão.

Em entrevista à coleção “História Contada do Banco Central do Brasil”, do BC, Lopes comentou o caso. “O que de mais importante aprendi é que nunca há absolvição. Pode haver falta de provas, o que faz com que o réu não seja condenado. Mas quando há um escândalo e a imprensa vem como um predador, você já está condenado.”

Treze anos após o caso, em 2012, a Justiça Federal condenou Lopes, Salvatore Cacciola (dono do Banco Marka) e outros envolvidos por improbidade administrativa. Lopes chegou a ser condenado à prisão, mas os crimes foram declarados prescritos, em 2016, quando o caso foi encerrado pela Justiça.

BC divulga nota de pesar

O BC divulgou uma nota de pesar sobre a morte de Chico Lopes. No texto, a autoridade monetária afirma que “Francisco Lopes dedicou décadas de sua vida intelectual ao enfrentamento do maior desafio macroeconômico de seu tempo: a inflação crônica brasileira dos anos 1980 e 1990”.

“No Banco Central, Francisco Lopes serviu como diretor entre 1995 e 1998 e, brevemente, como presidente interino em janeiro e fevereiro de 1999, tendo deixado o Banco Central em março do mesmo ano. Sua contribuição mais duradoura ao Banco Central foi a criação e institucionalização do Comitê de Política Monetária — o Copom —, governança que até hoje norteia a condução da política monetária do País, conferindo previsibilidade, transparência e rigor técnico às decisões sobre a taxa básica de juros”, diz o comunicado.

“A diretoria do Banco Central do Brasil presta sua homenagem a um economista que marcou a história da estabilização econômica brasileira e deixa, na memória desta casa e no pensamento econômico nacional, um legado de inteligência, ousadia intelectual e dedicação ao país.”

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