BC lança plano de integridade contra “relacionamentos inapropriados”
Documento tem 36 ações previstas, sendo que cinco são prorrogações do plano anterior que vigorou em 2024 e 2025
atualizado
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O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira (7/5) um novo Plano de Integridade com vigência para 2026 e 2027. A nova versão do documento, revisado a cada biênio, vem à tona em meio aos desdobramentos do Caso Master, que teve servidores apontados em investigação com supostos elos com a instituição financeira envolvida na venda de títulos fraudulentos. Uma das medidas visa evitar a “formação de relacionamentos inapropriados”.
O novo Plano de Integridade prevê 36 ações distribuídas em sete eixos temáticos, incluindo transparência, ética, comunicação e treinamento, práticas de integridade nos processos de trabalho, tratamento de denúncias, responsabilização e monitoramento contínuo.
Conforme o Banco Central, o plano estrutura-se em três pilares:
- os princípios que orientam a integridade pública;
- as diretrizes que norteiam os comportamentos esperados;
- o Plano de Integridade, implementado em ciclos bienais.
Conforme o Banco Central, o plano anterior previa 37 ações, sendo que 29 foram concluídas, três canceladas e cinco prorrogadas para o próximo ciclo.
“Entre os destaques, figuram o treinamento de novos servidores, com a realização de palestras sobre ética, atividade correcional e conflito de interesses, e a participação institucional em fóruns externos, com destaque para a adesão ao Fórum de Ética e Integridade e a participação no grupo de estudos da CGU sobre conflito de interesses”, diz trecho do documento público.
Uma das previsões do plano diz respeito à avaliação da necessidade de alternância de funções e postos de trabalho para evitar a “formação de relacionamentos inapropriados”. O item integra o eixo de Práticas de integridade no âmbito dos processos de trabalho. O prazo para implantação da medida vai de julho a dezembro deste ano.
“Avaliar critérios para identificação de posições, funções e postos específicos em que a alternância de ocupação possa mitigar conflitos de interesse e formação de relacionamentos inapropriados com partes interessadas, com entidades supervisionadas e com prestadores de serviço”, descreve o plano.
Servidores afastados
No início de março deste ano, o Banco Central comentou o afastamento de servidores por “indícios de vantagens indevidas” durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação da instituição financeira.
Os afastados são Paulo Sérgio Neves de Sousa, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe de departamento da área responsável pela supervisão bancária.
De acordo com a investigação, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana mantinham relação direta com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e participavam de conversas nas quais eram discutidas estratégias do Banco Master diante da própria autoridade supervisora.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central no dia 18 de novembro de 2025 diante de investigação sobre a prática de venda de títulos fraudulentos. A defesa de Vorcaro nega o cometimento de crimes.
