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Negócios

Payroll: EUA criam 115 mil vagas em abril, muito acima do esperado

O resultado veio bem acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 65 mil vagas. Desemprego ficou em 4,3% nos Estados Unidos

08/05/2026 10:29, atualizado 08/05/2026 12:27
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Getty Images
Pessoa assina ficha para vaga de emprego nos Estados Unidos - Metrópoles

A economia dos Estados Unidos registrou a criação de 115 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em abril, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8/5) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

Trata-se do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.


O que aconteceu

  • Os EUA registraram a criação de 115 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em abril.
  • O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 65 mil vagas.
  • A taxa de desemprego foi de 4,3%.
  • No último relatório, o “payroll” mostrou a abertura de 185 mil vagas no país e uma taxa de desemprego de 4,3%.

Por que o dado é importante

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.

Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego podem alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.

Na última reunião do Fed, na semana passada, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 3,3% em março, na base anual. Na comparação mensal, o índice foi de 0,9%. A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “os dados recentes do mercado de trabalho norte-americano sugerem uma reaceleração na margem, a despeito dos potenciais impactos causados pelo conflito no Irã que, apesar de ter gerado alguma pressão inflacionária, não tem sido suficiente para desacelerar o mercado de trabalho”.

“Para o Fed, o cenário continua delicado. Com a inflação pressionada pelo choque do petróleo e as expectativas desancoradas, a retomada dos cortes nos juros só ocorrerá caso o mercado de trabalho desacelere de maneira significativa. Por ora, esse não é o caso, o que deverá manter o Fed cauteloso e em modo de espera pelas próximas reuniões”, avalia Valério.

Por outro lado, observa o economista, “caso o mercado de trabalho continue a dar sinais de reaceleração e o choque do petróleo não se mostrar temporário, a chance do próximo movimento do Fed ser uma alta de juros aumenta”.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, destaca que “a reação dos mercados ao dado foi positiva, mas assimétrica”. “O S&P 500 abriu em alta e o Nasdaq subiu mais de 1% — caminhando para fechamentos recordes —, enquanto o Dow Jones avançou apenas 0,2%, refletindo sua menor exposição a tech e semis”, afirma.

“Vale notar que a dinâmica do mês de abril continua: a alta dos índices ainda é puxada por um grupo pequeno de papéis. Para o Fed, o número de hoje só reforça o cenário de pausa prolongada — mercado de trabalho firme e inflação subindo são dois argumentos na mesma direção. O debate começa a migrar de ‘quando cortar’ para ‘precisará subir?'”, completa Shahini.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, diz que “quem puxou esse resultado foi o setor privado, que em abril registrou 123 mil admissões e, nos últimos três meses, 55 mil contratações em média, número um pouco mais fraco que o visto no trimestre móvel encerrado em março, mas que não afeta o quadro positivo geral do mercado de trabalho”.

“A taxa de desemprego permaneceu em 4,3% em abril e se manteve em um nível baixo para os padrões históricos dos EUA. Esse movimento vem acompanhado de uma leve queda na taxa de participação da força de trabalho, que passou de 61,9% para 61,8%, indicando que menos pessoas passaram a procurar emprego nas últimas quatro semanas, quadro visto também nos últimos meses. É uma tendência relevante, porque indica oferta menor de trabalhadores e, consequentemente, uma menor necessidade de criação de empregos para manter a taxa de desemprego estável”, avalia.

“A média salarial continua subindo em ritmo forte, com alta de 0,2% em abril e de 3,6% em 12 meses. Esse avanço tende a sustentar o consumo das famílias e, ao mesmo tempo, elevar os custos das empresas, o que puxa a inflação para cima. É um quadro que pressiona, principalmente, o setor de serviços, que é intensivo em mão de obra”, conclui Moreno.

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