Payroll: EUA criam 115 mil vagas em abril, muito acima do esperado
O resultado veio bem acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 65 mil vagas. Desemprego ficou em 4,3% nos Estados Unidos
atualizado
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A economia dos Estados Unidos registrou a criação de 115 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em abril, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (8/5) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.
Trata-se do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.
O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.
O que aconteceu
- Os EUA registraram a criação de 115 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em abril.
- O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 65 mil vagas.
- A taxa de desemprego foi de 4,3%.
- No último relatório, o “payroll” mostrou a abertura de 185 mil vagas no país e uma taxa de desemprego de 4,3%.
Por que o dado é importante
A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.
Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego podem alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.
Na última reunião do Fed, na semana passada, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.
A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Segundo dados do Departamento do Trabalho, a inflação nos EUA ficou em 3,3% em março, na base anual. Na comparação mensal, o índice foi de 0,9%. A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.
Análise
Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “os dados recentes do mercado de trabalho norte-americano sugerem uma reaceleração na margem, a despeito dos potenciais impactos causados pelo conflito no Irã que, apesar de ter gerado alguma pressão inflacionária, não tem sido suficiente para desacelerar o mercado de trabalho”.
“Para o Fed, o cenário continua delicado. Com a inflação pressionada pelo choque do petróleo e as expectativas desancoradas, a retomada dos cortes nos juros só ocorrerá caso o mercado de trabalho desacelere de maneira significativa. Por ora, esse não é o caso, o que deverá manter o Fed cauteloso e em modo de espera pelas próximas reuniões”, avalia Valério.
Por outro lado, observa o economista, “caso o mercado de trabalho continue a dar sinais de reaceleração e o choque do petróleo não se mostrar temporário, a chance do próximo movimento do Fed ser uma alta de juros aumenta”.
