Dólar sobe e Bolsa recua com inflação nos EUA, Trump x Fed e tarifaço
Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,12% frente ao real, cotado a R$ 5,372. Ibovespa recuou 0,13%, aos 163,1 mil pontos
atualizado
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O dólar operava em alta, nesta terça-feira (13/1), em um dia no qual o foco do mercado financeiro se volta novamente ao cenário internacional, especialmente aos Estados Unidos.
Os investidores repercutem os dados oficiais de inflação na maior economia do mundo em dezembro do ano passado, divulgados pelo Departamento do Trabalho.
Ainda no front externo, o mercado se mantém em alerta com a investigação liderada pelo Departamento de Justiça sobre o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell – desafeto público do presidente dos EUA, Donald Trump. Há forte preocupação em relação a possíveis ameaças à independência da autoridade monetária.
Ainda nos EUA, os investidores também monitoram os desdobramentos políticos e econômicos do anúncio feito por Trump na véspera de que seu governo vai impor um novo tarifaço comercial contra os países que façam negócios com o Irã, em meio à escalada de repressão do regime teocrático iraniano contra os protestos das últimas semanas. O Brasil é um dos países que pode ser diretamente afetado.
Dólar
- Às 15h, o dólar subia 0,27%, a R$ 5,387.
- Mais cedo, às 12h25, a moeda norte-americana avançava 0,25% e era negociada a R$ 5,386.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,394. A mínima é de R$ 5,364.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em leve alta de 0,12% frente ao real, cotado a R$ 5,372, praticamente estável.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,13% frente ao real em 2026.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), seguia operando em queda.
- Às 15h03, o indicador recuava 0,69%, aos 162 mil pontos.
- No dia anterior, o Ibovespa fechou com leve perda de 0,13%, aos 163,1 mil pontos, perto da estabilidade.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 1,28% no ano.
BC dos EUA é alvo de investigação
Os mercados seguem preocupados com as possíveis ameaças à independência do BC dos EUA, alvo de uma investigação instaurada pela Procuradoria do Distrito de Columbia, que apura se o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do Fed. A obra teve custos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.
Em declaração conjunta divulgada nesta terça-feira, diversos bancos centrais globais ofereceram solidariedade a Powell, incluindo o presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo.
“Manifestamos nossa total solidariedade ao Sistema da Reserva Federal e ao seu presidente, Jerome H. Powell. A independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica, no interesse dos cidadãos que servimos”, afirmaram os bancos na declaração.
Segundo o comunicado, “é crucial preservar essa independência, com pleno respeito ao Estado de Direito e à responsabilidade democrática”.
“O presidente Powell serviu com integridade, focado em seu mandato e com um compromisso inabalável com o interesse público. Para nós, ele é um colega respeitado e altamente estimado por todos que trabalharam com ele”, pontuou o documento.
Entre os signatários do documento, além de Galípolo, estão Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE); Andrew Bailey, presidente do Banco da Inglaterra (BoE); Tiff Macklem, presidente do Banco do Canadá; François Villeroy de Galhau, presidente do Conselho de Administração do Banco de Compensações Internacionais (BIS); e Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS).
Na véspera, Powell já havia recebido a manifestação de apoio de um grupo de ex-presidentes do Fed, ex-secretários do Tesouro dos EUA e economistas renomados, que divulgaram um manifesto contra qualquer topo de interferência no BC norte-americano.
Segundo esse grupo, a investigação criminal contra Powell representa uma ameaça à independência da autoridade monetária e é uma “tentativa inédita de usar ataques de natureza judicial para minar a independência” do Fed.
“É assim que a política monetária é conduzida em países emergentes com instituições fracas, com consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento da economia como um todo. Isso não tem lugar nos EUA, cuja maior força é o Estado de Direito, base do sucesso econômico do país”, afirmam os signatários do manifesto.
O documento é assinado pelos três últimos presidentes do Fed antes de Powell – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan. Também endossam o manifesto ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner, Robert Rubin e Jacob Lew e economistas como Kenneth Rogoff e Glenn Hubbard.
Na carta aberta, os signatários afirmam ainda que a sociedade norte-americana tem uma “confiança pública” na autonomia de sua autoridade monetária, que é “essencial” para o cumprimento dos objetivos definidos pelo Congresso – como a estabilidade dos preços e taxas de juros moderadas no longo prazo.
Inflação nos EUA
O principal destaque da agenda econômica internacional, nesta terça-feira, é a divulgação dos dados oficiais de inflação nos EUA.
O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em dezembro, mesmo resultado do último levantamento.
Na comparação mensal, o índice foi de 0,3%, também estável em relação ao resultado anterior (0,3%).
Os resultados da inflação nos EUA vieram dentro dos prognósticos do mercado. A média das estimativas exatamente era de 2,7% (anual) e 0,3% (mensal).
O resultado da inflação ao consumidor nos EUA ganhou ainda mais importância após a divulgação do relatório de emprego de dezembro (o “payroll”), que mostrou um mercado de trabalho levemente mais fraco do que o esperado no país.
A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo próximo de 3% desde julho de 2024. O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Fed.
Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no mês passado, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA.
A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
Novo tarifaço no radar
Na tentativa de aumentar a asfixia contra a economia do Irã, Donald Trump anunciou que qualquer país que negociar com a nação persa pagará uma tarifa de 25% no comércio com os EUA. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano nessa segunda-feira (12/1), poderá afetar diretamente o Brasil.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os EUA”, escreveu o presidente dos EUA em um comunicado divulgado na rede social Truth. “Esta ordem é final e irrecorrível”, acrescentou.
Trump não deu mais detalhes sobre a medida, que se soma a outras retaliações econômicas de Washington contra Teerã. O Brasil, contudo, poderá ser afetado pela decisão de Trump.
Em 2025, o país exportou mais de US$ 2,9 bilhões em produtos para o Irã. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que, no último ano, o número de importações iranianas bateu a marca de US$ 84.594 milhões.
O anúncio do presidente norte-americano surge em meio a ameaças internas e externas contra o governo iraniano. Desde o fim de dezembro, o país enfrenta uma série de protestos contra a atual administração do país, sob o comando do aiatolá Ali Khamenei. Uma das principais reivindicações dos manifestantes diz respeito à crise econômica enfrentada pelo Irã, que há décadas é alvo de sanções internacionais.
Em meio ao caos que tomou diversas cidades iranianas, o governo teocrata também enfrenta pressões vindas dos EUA – país que Khamenei acusa de estar por trás dos protestos com o objetivo de desestabilizar o Irã.
Com o aumento da repressão contra manifestantes, que já resultou na morte de mais de 400 civis, segundo organizações de direitos humanos, Trump ameaçou intervir no país. Em declarações recentes, o presidente dos EUA se mostrou disposto a “ajudar” civis iranianos em busca de “liberdade”.
Setor de serviços recua no Brasil
Com o foco dos investidores voltado aos EUA, o dado mais relevante da agenda econômica brasileira, nesta terça, foi o resultado do setor de serviços em novembro do ano passado, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o levantamento, o volume do setor de serviços no país recuou 0,1% em novembro de 2025. O resultado negativo foi puxado pelos serviços de transportes (-1,4%) e informação e comunicação (-0,7%). No acumulado do ano de 2025, houve alta de 2,7%. Em relação a novembro de 2024, o volume de serviços avançou 2,5%.
O setor de serviços é dividido em cinco grupos. Os outros três registraram resultados neutros ou positivos: serviços prestados às famílias (0,0%), serviços profissionais, administrativos e complementares (1,3%) e outros serviços (0,5%).
Em 12 meses, houve alta de 2,7%, mantendo o ritmo de crescimento frente ao acumulado até novembro (2,7%).
A Pesquisa Mensal de Serviços monitora a receita bruta de serviços nas empresas formais, com 20 ou mais trabalhadores. São excluídas as áreas de saúde e educação. A próxima divulgação da PMS – referente a dezembro de 2025 – será em 12 de fevereiro.
Em 2024, o volume de serviços fechou com alta de 3,1%, quarto ano seguido de crescimento.
