Estável, inflação nos EUA fica em 2,7% em dezembro, dentro do esperado

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação nos EUA, ficou em 2,7% em dezembro, na base anual

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A inflação nos Estados Unidos em dezembro do ano passado se manteve estável em relação ao mês anterior e veio em linha com as estimativas dos analistas do mercado, de acordo com números divulgados nesta terça-feira (13/1) pelo Departamento do Trabalho.


O que aconteceu

  • O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em dezembro, mesmo resultado do último levantamento.
  • Na comparação mensal, o índice foi de 0,3%, também estável em relação ao resultado anterior (0,3%).
  • Os resultados da inflação nos EUA vieram dentro dos prognósticos do mercado. A média das estimativas exatamente era de 2,7% (anual) e 0,3% (mensal).
  • A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo próximo de 3% desde julho de 2024.

Núcleo de inflação

O núcleo da inflação nos EUA, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 2,6% em dezembro, na base anual.

O resultado, que também veio praticamente dentro do esperado pelo mercado, foi o mesmo do mês anterior.

Na comparação mensal, o núcleo da inflação norte-americana ficou em 0,2%, ante 0,3% das projeções. Também repetiu o resultado de novembro.

Dado é observado com atenção pelo Fed

O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). O resultado da inflação ao consumidor nos EUA ganhou ainda mais importância após a divulgação do relatório de emprego de dezembro (o “payroll”), que mostrou um mercado de trabalho levemente mais fraco do que o esperado no país.

Na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed, no mês passado, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Esta foi a segunda divulgação dos dados da inflação ao consumidor desde o fim do shutdown – a paralisação de diversos setores da máquina governamental, que durou mais de 40 dias e foi a maior da história do país.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a divulgação dos dados de inflação nos EUA “sustentou a recuperação dos índices futuros de Nova York, que passaram a operar em alta, refletindo melhora do apetite a risco”.

“Em paralelo, os juros dos ‘treasuries’ recuaram ao longo da curva, com queda nos rendimentos dos papéis de 2, 10 e 30 anos, em reação à confirmação de um quadro inflacionário mais controlado. No câmbio, a leitura do CPI contribuiu para melhorar o sentimento de mercado, e o dólar passou a ser negociado próximo às mínimas do dia, acompanhando o movimento de alívio nas taxas de juros norte-americanas”, afirma.

Para Claudia Moreno, economista do C6 Bank, “quando olhamos para o núcleo do CPI, que exclui energia e alimentos, vemos que os preços de serviços seguiram pressionados, com alta de 3% no acumulado de 2025, enquanto os bens industriais subiram 1,4%”.

“A divulgação de dados econômicos nos EUA está sendo normalizada, mas ainda pode haver algumas distorções nos números. De qualquer maneira, a inflação segue elevada, especialmente no setor de serviços, e  fechou 2025 acima da meta de 2%. Ao longo dos próximos meses, o aumento de tarifas comerciais imposto no ano passado pode continuar pressionando os preços de bens, o que limita o alívio da inflação no curto prazo”, observa.

Em relação à definição da taxa de juros pelo Fed, Moreno avalia que, depois dos três cortes anunciados desde setembro, “os juros agora estão próximos das estimativas para o nível neutro, o que deixa o Fed em uma posição mais confortável para esperar, analisar os dados e só então decidir os próximos passos”. “Nesse contexto, apesar do dado de inflação mais baixo em dezembro, um novo corte de juros no final de janeiro ainda nos parece pouco provável.”

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