Powell “não é muito bom no Fed ou em construir prédios”, ironiza Trump
Investigação apura se o presidente do Federal Reserve mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do BC
atualizado
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta segunda-feira (12/1), que não tem nenhuma ligação com a decisão de procuradores norte-americanos de conduzir uma investigação sobre o chefe do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA), Jerome Powell.
O inquérito, anunciado no último domingo (11/1), foi instaurado pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Columbia e apura se o presidente da autoridade monetária mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do Fed. A obra tem custos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.
O que disse Trump
Questionado sobre a investigação contra Powell, seu desafeto público, Trump negou qualquer envolvimento com o processo – e voltou a criticar o presidente do Fed, o que se tornou habitual desde que tomou posse para seu segundo mandato na Casa Branca.
“Eu não sei nada sobre isso, mas ele (Powell) certamente não é muito bom no Fed. E ele não é muito bom também em construir edifícios,” ironizou Trump em entrevista à NBC.
O que disse Powell
O dia foi de preocupação no mercado com a notícia de que o Departamento de Justiça dos EUA abriu uma investigação criminal sobre a reforma US$ 2,5 bilhões na sede do Fed, em Washington.
Em um comunicado divulgado pelo Fed, Powell afirma que a investigação, relacionada ao seu depoimento ao Comitê Bancário do Senado sobre a reforma dos prédios administrativos do Fed – prestado em junho de 2025 –, é uma retaliação direta do governo Trump.
“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse o presidente do Fed.
“A questão aqui é se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas – ou se, ao contrário, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, continuou Powell.
Ao longo do último ano, Trump e aliados intensificaram as críticas a Powell por não promover cortes nos juros no ritmo defendido pelo republicano.
Apesar disso, o Fed reduziu as taxas em três reuniões consecutivas no segundo semestre do ano passado, mas dirigentes da autoridade monetária indicaram recentemente que novos cortes não estão garantidos nos próximos meses.
“O serviço público às vezes exige manter-se firme diante de ameaças. Continuarei a exercer o trabalho para o qual o Senado me confirmou, com integridade e compromisso de servir ao povo americano”, concluiu Powell.
Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.
A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.
Diante de tamanha preocupação sobre possíveis risos à independência do Fed, os investidores buscaram segurança em ativos considerados mais protegidos, como o ouro e a prata, que voltaram a bater recordes históricos nesta segunda-feira.
A sucessão de Powell
O mandato de Jerome Powell à frente do BC norte-americano termina em maio. Caberá a Donald Trump fazer a indicação do sucessor.
A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.
Entre os nomes cotados para disputar a indicação, aparecem os atuais membros do conselho do Fed Christopher Waller e Michelle Bowman; o ex-diretor do Fed Kevin Warsh; o diretor do Conselho Econômico Nacional os EUA, Kevin Hassett; e o executivo Rick Rieder, da gestora de ativos BlackRock.
