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Investigação quer “minar independência” do Fed, dizem ex-presidentes

O documento é assinado pelos três últimos presidentes do Fed antes do atual, Jerome Powell – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan

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1 de 1 Imagem colorida do escudo do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Getty Images

A investigação criminal instaurada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, representa uma ameaça à independência da autoridade monetária.

A afirmação é de um grupo de ex-presidentes do Fed, ex-secretários do Tesouro dos EUA e economistas renomados, que divulgaram, nesta segunda-feira (12/1), um manifesto em defesa de Powell.

De acordo com o documento, a investigação sobre o BC dos EUA é uma “tentativa inédita de usar ataques de natureza judicial para minar a independência” do Fed.

“É assim que a política monetária é conduzida em países emergentes com instituições fracas, com consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento da economia como um todo. Isso não tem lugar nos EUA, cuja maior força é o Estado de Direito, base do sucesso econômico do país”, afirmam os signatários do manifesto.

O documento é assinado pelos três últimos presidentes do Fed antes de Powell – Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan. Também endossam o manifesto ex-secretários do Tesouro como Henry Paulson, Timothy Geithner, Robert Rubin e Jacob Lew e economistas como Kenneth Rogoff e Glenn Hubbard.

Na carta aberta, os signatários afirmam ainda que a sociedade norte-americana tem uma “confiança pública” na autonomia de sua autoridade monetária, que é “essencial” para o cumprimento dos objetivos definidos pelo Congresso – como a estabilidade dos preços e taxas de juros moderadas no longo prazo.

Powell e o Fed sob ataque

O inquérito, anunciado no último domingo (11/1), foi instaurado pela Procuradoria dos EUA no Distrito de Columbia e apura se o presidente da autoridade monetária mentiu ao Congresso Nacional sobre os custos de uma reforma realizada na sede do Fed. A obra tem custos estimados em cerca de US$ 2,5 bilhões.

Em um comunicado divulgado pelo Fed, Powell afirma que a investigação, relacionada ao seu depoimento ao Comitê Bancário do Senado sobre a reforma dos prédios administrativos do Fed – prestado em junho de 2025 –, é uma retaliação direta do governo Trump.

“A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do presidente”, disse o presidente do Fed.

“A questão aqui é se o Fed poderá continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e nas condições econômicas – ou se, ao contrário, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação”, continuou Powell.

Ao longo do último ano, Trump e aliados intensificaram as críticas a Powell por não promover cortes nos juros no ritmo defendido pelo republicano.

Apesar disso, o Fed reduziu as taxas em três reuniões consecutivas no segundo semestre do ano passado, mas dirigentes da autoridade monetária indicaram recentemente que novos cortes não estão garantidos nos próximos meses.

“O serviço público às vezes exige manter-se firme diante de ameaças. Continuarei a exercer o trabalho para o qual o Senado me confirmou, com integridade e compromisso de servir ao povo americano”, concluiu Powell.

Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

Diante de tamanha preocupação sobre possíveis risos à independência do Fed, os investidores buscaram segurança em ativos considerados mais protegidos, como o ouro e a prata, que voltaram a bater recordes históricos nesta segunda-feira.

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