Dólar oscila com ataque dos EUA no Irã e à espera de acordo. Bolsa cai
Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,019. Ibovespa fechou em alta de 0,91%, aos 177,8 mil pontos

O dólar opera perto da estabilidade, nesta terça-feira (26/5), em um dia relativamente tranquilo na agenda de indicadores econômicos e com os mercados ainda em compasso de espera por um possível acordo entre Estados Unidos e Irã que acabe com a guerra no Oriente Médio.
Dólar
- Às 15h08, o dólar subia 0,12%, a R$ 5,025, praticamente estável.
- Mais cedo, às 13h50, a moeda norte-americana avançava 0,24% e era negociada a R$ 5,031.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,038. A mínima é de R$ 5,004.
- Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,019.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 1,35% no mês e perdas de 8,57% no ano frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), opera em baixa no pregão.
- Às 15h10, o Ibovespa recuava 1,1%, aos 175,8 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 0,91%, aos 177,8 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 5,07% em maio e valorização de 10,36% em 2026.

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Ver todasEstados Unidos bombardeiam o sul do Irã
As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram novos ataques militares no sul do Irã, nesta terça-feira, em meio às negociações diplomáticas para encerrar a guerra iniciada no fim de fevereiro entre Washington, Israel e a República Islâmica.
Em comunicado, o Comando Central dos EUA (CentCom) afirmou que as ações foram conduzidas em “autodefesa” e tiveram como alvo estruturas militares iranianas ligadas ao lançamento de mísseis e à instalação de minas subaquáticas.
Segundo o Pentágono, os ataques ocorreram de forma “limitada” durante o cessar-fogo firmado entre os dois países em abril. “As operações foram planejadas para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”, informou o CentCom.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesMais cedo, autoridades iranianas haviam relatado explosões na cidade portuária de Bandar Abbas, no litoral sul do país. A região abriga importantes instalações militares da força aérea e da marinha iraniana, além de estar próxima ao Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo, ponto sensível do conflito.
De acordo com a emissora norte-americana Fox News, duas embarcações da Guarda Revolucionária do Irã foram destruídas durante a operação. Uma posição de defesa antiaérea que, segundo os EUA, estaria mirando aeronaves norte-americanas também teria sido atingida.
Apesar da ofensiva, a agência semioficial iraniana Fars afirmou que a situação em Bandar Abbas era considerada “normal” durante a madrugada desta terça-feira.
Os ataques ocorrem em um momento delicado das negociações diplomáticas entre os dois países. EUA e Irã mantêm um cessar-fogo desde o dia 8 de abril, enquanto representantes das duas nações tentam costurar um acordo definitivo para encerrar o conflito no Oriente Médio.
Nos últimos dias, autoridades americanas chegaram a sinalizar otimismo sobre um possível avanço nas conversas. Durante o último fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou acreditar que um acordo estava próximo.
Horas depois, porém, endureceu o discurso e ameaçou “explodir os iranianos em mil infernos” caso não houvesse consenso. O governo iraniano respondeu nessa segunda-feira, afirmando que ainda não existe um entendimento próximo entre as partes.
Irã não será mais “escudo” dos EUA, diz líder supremo
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que os países do Golfo não serão mais usados como “escudo” para bases norte-americanas. A declaração, por escrito, foi divulgada pelo Telegram e pela televisão estatal.
“O que é certo a este respeito é que o tempo não retrocederá e as nações e terras da região não servirão mais de escudo para as bases americanas”, disse.
Khamenei não aparece em público desde o início da guerra.
Acordo pode levar “alguns dias”, afirma Marco Rubio
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo com o Irã pode “levar alguns dias” para ser fechado devido a divergências. A fala ocorre logo após as Forças Armadas norte-americanas fazerem novos ataques a embarcações do país persa no Estreito de Ormuz, no que eles chamaram de “ataques de autodefesa”.
“Vai levar alguns dias para resolvermos isso… até as divergências sobre uma palavra, uma frase”, declarou Marco Rubio a repórteres durante viagem à Índia.
No entanto, ele disse acreditar que o acordo é possível e que o Estreito de Ormuz precisa ficar aberto. “Houve algumas conversas em andamento no Catar hoje, então veremos se conseguimos avançar. Acho que há muita discussão sobre a linguagem específica do documento inicial”, afirmou.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Análise
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar opera em alta frente ao real, “se descolando parcialmente do ambiente externo mais favorável ao risco”. “O movimento reflete uma combinação de fatores domésticos: investidores vêm reduzindo exposição a ativos brasileiros diante do aumento dos ruídos políticos e eleitorais, enquanto o fluxo para o mercado local diminui consideravelmente. Parte do mercado começa a enxergar essa perda de tração do capital estrangeiro como algo mais estrutural”, afirma.
“O cenário ainda segue positivo para emergentes, mas o investidor estrangeiro tem priorizado economias mais integradas às cadeias globais de tecnologia e semicondutores, especialmente as asiáticas. A ausência de catalisadores positivos no mercado local — e, pelo contrário, a deterioração do ambiente político e institucional — somada à perda de força do fluxo que sustentou os ativos brasileiros nos primeiros meses do ano, deixa o mercado doméstico mais sensível à escalada de prêmios de risco domésticos”, analisa Shahini.
“No exterior, apesar dos novos ataques pontuais dos EUA ao Irã, o mercado mantém a leitura de que um acordo diplomático entre Washington e Teerã segue no horizonte, cenário que sustenta o apetite por risco global e evita uma piora mais ampla nos ativos brasileiros”, conclui.



