Bolsa passa a subir após Supremo dos EUA derrubar tarifaço. Dólar cai

Além de indicadores econômicos no Brasil e nos EUA, o mercado repercute a escalada de Donald Trump contra o Irã, ameaçando um ataque ao país

atualizado

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Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles
1 de 1 Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles - Foto: Getty Images

O dólar operava em baixa, nesta sexta-feira (20/2), dia em que o mercado financeiro repercute dados oficiais de desemprego no Brasil e indicadores importantes dos Estados Unidos, como o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação do consumo.

O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), que abriu no vermelho, passou a operar próximo da estabilidade após a decisão da Suprema Corte dos EUA que considerou ilegais as tarifas comerciais aplicadas pelo governo de Donald Trump. A partir do meio da tarde, começou a subir.


Dólar

  • Às 15h07, o dólar caía 0,77%, a R$ 5,188.
  • Mais cedo, às 14h41, a moeda norte-americana recuava 0,74% e era negociada a R$ 5,189.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,223. A mínima é de R$ 5,177.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,25%, cotado a R$ 5,227.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 0,39% frente ao real em fevereiro e de 4,77% em 2025.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), que operava em forte queda no início do pregão, diminuiu as perdas após a decisão da Suprema Corte dos EUA sobre o tarifaço. No meio tarde, passou a operar em alta.
  • Às 15h10, o Ibovespa avançava 0,31%, aos 189,1 mil pontos, praticamente estável.
  • No dia anterior, o indicador fechou o pregão em alta de 1,35%, aos 188,5 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula valorização de 3,95% no mês e de 17,01% no ano.

Supremo dos EUA derruba tarifaço de Trump

A Suprema Corte dos Estados Unidos considerou ilegais as tarifas globais aplicadas pelo governo Trump.

A decisão do Supremo dos EUA foi tomada por 6 votos a 3. Segundo a Corte, a lei utilizada pela Casa Branca como base para aplicar as taxas “não autoriza o presidente a impor tarifas”.

O presidente da Suprema Corte, John Roberts, citou decisões anteriores do tribunal e disse que  Trump deve “apontar para uma autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço.

O caso foi levado à análise do Supremo após uma ação apresentada por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados norte-americanos.

A decisão representa um revés significativo para a Casa Branca, ao atingir um dos pilares da política externa e da agenda econômica de Trump, marcada pela defesa de barreiras comerciais como instrumento de pressão diplomática e proteção da indústria nacional.

A derrubada do tarifaço também afeta o Brasil. Em abril de 2025, ao lançar o pacote de “tarifas recíprocas”, Donald Trump impôs uma sobretaxa de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA.

Três meses depois, ampliou a pressão comercial ao anunciar um novo aumento de 40%, elevando a tarifa total para 50%. Apesar do endurecimento do discurso, a medida veio acompanhada de uma extensa lista de exceções.

PIB e inflação do consumo nos EUA

Os principais indicadores econômicos observados pelos investidores, nesta sexta-feira, são o PIB e a chamada “inflação do consumo” nos EUA.

A economia norte-americana registrar um crescimento de 1,4% no quarto trimestre de 2025, bem abaixo das projeções. No trimestre anterior, o PIB dos EUA avançou 4,4% (dado revisado).

Outro indicador monitorado com atenção pelos investidores é o Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês), a chamada inflação do consumo nos EUA. O índice ficou em 0,4% em dezembro (na base mensal) e 2,9% (anual).

A inflação do consumo veio acima do esperado e acelerou em relação a novembro, visto que o PCE foi de 0,2% (mensal) e 2,8% (anual) no último levantamento.

Os dados sobre inflação e atividade econômica são levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Ao fim da primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed em 2026, em 28 de janeiro, o BC dos EUA anunciou a manutenção dos juros no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano. Assim, o Fed interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos.

A próxima reunião do Fomc está marcada para os dias 17 e 18 de março. De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no patamar atual é de 94%. Apenas 6% dos investidores apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual.

Desemprego no Brasil

No âmbito doméstico, o destaque do dia é o detalhamento dos dados oficiais de desemprego no país referentes ao último trimestre do ano passado, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de desocupação do país no 4° trimestre de 2025 foi de 5,1%, uma redução significativa frente ao trimestre anterior (5,6%). Já a taxa anual caiu de 6,6%, em 2024, para 5,6% em 2025, a menor da série histórica iniciada em 2012.

De acordo com o IBGE, as maiores taxas anuais de desocupação em 2025 foram de Piauí (9,3%), Bahia e Pernambuco (ambos com 8,7%) e Amazonas (8,4%). As menores foram de Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3%).

Segundo o levantamento, a taxa anual de subutilização para o Brasil ficou em 14,5%. O Piauí (31%) teve a maior taxa, seguido por Bahia e Alagoas (ambos com 26,8%), enquanto as menores taxas anuais foram de Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%)

Em relação ao trimestre anterior, a taxa de desocupação recuou em seis unidades da federação: São Paulo (0,5 ponto percentual), Rio de Janeiro (0,6 p.p.), Pernambuco (1,2 p.p.), Distrito Federal (1,2 p.p.), Paraíba (1,3 p.p.) e Ceará (1,4 p.p.), com estabilidade nas demais.

De acordo com os números do IBGE, as maiores taxas de desocupação foram de Pernambuco (8,8%), Amapá (8,4%) e Alagoas (8,0%), Bahia (8,0%) e Piauí (8%). As menores foram de Santa Catarina (2,2%), Espírito Santo (2,4%), Mato Grosso do Sul (2,4%) e Mato Grosso (2,4%).

Trump sobe o tom contra o Irã

Além dos dados sobre a economia do Brasil e dos EUA, o mercado repercute a escalada retórica do presidente norte-americano, Donald Trump, contra o Irã.

Durante a primeira reunião do Conselho de Paz sobre a Faixa de Gaza, Trump afirmou que o país comandado pelo aiatolá Ali Khamenei pode ser atacado em dez dias, caso não aceite um acordo com os EUA. As declarações do republicano e da diplomacia iraniana coincidem com as recentes tratativas envolvendo o programa nuclear do Irã.

Iniciadas em abril do último ano – e interrompidas depois da guerra de 12 dias entre Irã e Israel –, as negociações entre Washington e Teerã foram retomadas no início do mês. Elas giram em torno da capacidade nuclear do país persa, vista pela administração Trump como um risco para a segurança nacional dos EUA. A última rodada de conversas aconteceu na terça-feira (17/2) em Genebra (Suíça), sem grandes avanços.

Um dos principais pontos que tem dificultado a implementação de um acordo nuclear entre os dois países é o possível fim do enriquecimento de urânio por parte do Irã. Na visão de Teerã, enriquecer a matéria-prima de armas nucleares é um direito legítimo do país, desde que seu objetivo final seja para uso civil.

Já os EUA argumentam, há alguns anos, que os estoques de urânio enriquecido indicam que o Irã pretende construir uma bomba atômica – o que é proibido por decreto religioso emitido por Khamenei no início dos anos 2000 que proíbe o desenvolvimento de armas de destruição em massa no país islâmico.

O Irã, por sua vez, ameaçou atacar bases militares dos EUA, assim como outras instalações norte-americanas no Oriente Médio, caso o país persa seja alvo de ações militares. A declaração, que eleva o nível de tensão entre Washington e Teerã, foi dada nessa quinta-feira (19/2).

Em uma carta enviada para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, a diplomacia iraniana disse buscar uma solução pacífica para o impasse nas negociações nucleares com os EUA. O representante permanente do Irã na ONU, porém, advertiu que o país está pronto para se defender.

“No caso de a República Islâmica do Irã ser sujeita a agressão militar, responderá de forma decisiva e proporcional no exercício do seu direito inerente de autodefesa nos termos do Artigo 51 da Carta das Nações Unidas”, escreveu o embaixador iraniano Amir Saeid Iravani. “Em tais circunstâncias, todas as bases, instalações e ativos da força hostil na região constituiriam alvos legítimos no contexto da resposta defensiva do Irã.”

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