Ações dos EUA forçaram Irã a enriquecer urânio, diz embaixador
Estimativa é de que o Irã tenha mais de 400 kg de urânio enriquecido a 60%, próximo ao nível para a construção de uma arma nuclear
atualizado
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O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam (foto em destaque), afirmou que o país decidiu enriquecer urânio a um nível próximo ao necessário para construir uma arma nuclear por causa das sanções impostas pelos Estados Unidos.
A afirmação do diplomata ocorreu nesta quinta-feira (26/6) durante coletiva de imprensa realizada na sede da missão diplomática iraniana, em Brasília.
Enriquecimento de urânio pelo Irã
- O Irã é um dos 191 países que fazem parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
- O acordo visa impedir a disseminação de armas nucleares ao redor do mundo, mas não proíbe, ou impõe limites, ao enriquecimento de urânio para os Estados signatários. Eles, contudo, devem se submeter a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para garantir que seus programas nucleares sejam pacíficos.
- Apesar disso, o Irã passou a enriquecer urânio ao nível de 60%, nível muito acima do utilizado para fins civis, e próximo ao necessário para a construção de uma arma nuclear: 90%. Além disso, o país também dificultou inspeções da AIEA.
- Com isso, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou uma resolução contra o país em 12 de junho de 2025, alegando que o Irã descumpriu obrigações firmadas no TNP.
- A resolução contra o Irã foi o ponto de partida para os ataques israelenses. O argumento de Israel foi o de que a retaliação da AIEA deixava claro que os iranianos buscavam uma arma nuclear. Teerã, no entanto, afirmou que seu programa nuclear é voltado para fins pacíficos.
Nekounam alegou que o avanço no enriquecimento de urânio no país vai de acordo com os termos do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), ratificado pelo país em 1970.
“Nós somos um país muito grande, com indústrias que foram criadas com esforços totalmente internos, mesmo que as sanções dos Estados Unidos, que já duram mais de quatro décadas e resultaram nessa autodeterminação da nossa parte”, disse o embaixador do Irã no Brasil. “Sobre o enriquecimento [de urânio], conforme direitos do TNP, não há nenhuma limitação quando não há desvio do enriquecimento para fins armamentistas. Quando não há esse desvio não há qualquer limitação”.
Veja:
Enriquecimento vai continuar
Durante a conversa com a imprensa brasileira, que durou cerca de 2 horas, o embaixador revelou que o Irã vai continuar enriquecendo urânio, mesmo após o programa nuclear do país ser atingido por bombardeios de Israel e dos EUA.
“Não é importante para nós se eles [a comunidade internacional] proíbem, ou não. Nós seguiremos firmemente nossos desejos e interesses. Eles [Israel] pensaram que, com o assassinato dos nosso cientistas, às 3h30, ao lado das suas mulheres e crianças, eles poderiam impedir o avanço do Irã”, destacou.
Fim das inspeções da AIEA
Para o chefe da missão diplomática do Irã no Brasil, o avanço do enriquecimento de urânio iraniano ocorria conforme a legislação internacional, com o envio de relatórios à AIEA que comprovavam os fins pacíficos do programa nuclear do país. A versão, no entanto, foi contestada pela agência da ONU no início de junho.
O recente conflito do país com Israel e os EUA, contudo, fez com que o país decidisse interromper — ao menos de forma temporária — a cooperação e inspeções da AIEA no país.
“Conforme a Carta da ONU, um dos motivos pelo qual essa suspensão temporária [da parceria] irá acontecer é a violação de integridade territorial, a insegurança sobre nossos cientistas e também as coisas que aconteceram durante esse período”, explicou Nekounam.
