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Embaixador do Irã diz que país romperá com agência nuclear da ONU

Comitê de Segurança Nacional do Parlamento do Irã aprovou, na segunda (23/6), o esboço de projeto de lei que propõe a suspensão do acordo

atualizado

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Ricardo Stuckert
Imagem colorida de Abdollah Nekounam - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de Abdollah Nekounam - Metrópoles - Foto: Ricardo Stuckert

O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam (foto em destaque), afirmou ao Metrópoles que o país vai, de fato, romper, ao menos temporariamente, a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), órgão de fiscalização nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Conforme a Carta da ONU, um dos motivos pelo qual essa suspensão temporária [da parceria] irá acontecer é a violação de integridade territorial, a insegurança sobre nossos cientistas e também as coisas que aconteceram durante esse período”, disse Abdollah Nekounam.

Nessa segunda-feira (23/6), sob crescente tensão com os Estados Unidos (EUA), o Comitê de Segurança Nacional do Parlamento do Irã aprovou o esboço de um projeto de lei que propõe a suspensão total da cooperação com a Aiea.

A medida, segundo o porta-voz do comitê, Ebrahim Rezaei, inclui o fim da instalação de câmeras de vigilância, da permissão para inspeções e da entrega de relatórios à Aiea.


Entenda o esboço geral do projeto de lei

  • As ações só serão retomadas quando a segurança das instalações nucleares iranianas estiver, segundo Teerã, garantida. O plenário do Parlamento ainda precisa aprovar o projeto de lei.
  • Durante a sessão parlamentar, o presidente da Casa, Mohammad Baqer Qalibaf, reafirmou o caráter pacífico do programa nuclear do país e acusou a AIEA de agir de forma politizada.
  • Ele citou um decreto religioso do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, que proíbe o desenvolvimento de armas nucleares, e criticou o que chamou de falta de compromisso da agência internacional.
  • “O Irã não tem planos para atividades não pacíficas, mas o mundo testemunhou claramente que a Aiea se transformou em um instrumento político”, disse Qalibaf.

Fechamento do Estreito de Ormuz

No domingo (22/6), o Parlamento iraniano aprovou por unanimidade uma resolução para fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido globalmente e mais de 35% do Gás Natural Liquefeito (GNL).

A decisão é uma retaliação direta aos ataques aéreos realizados pelos Estados Unidos contra três instalações nucleares iranianas, nesse sábado (21/6).

A resolução ainda precisa ser analisada pelo Conselho de Segurança Nacional e receber a aprovação final do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei (foto em destaque).

“Chegamos à conclusão de que o estreito deve ser fechado”, afirmou o parlamentar Ismail Kousari, integrante do Comitê de Segurança Nacional e Política Externa.

Segundo ele, os bombardeios norte-americanos violam a Carta da ONU e o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

As instalações atacadas – Fordow, Isfahan e Natanz – estavam sob monitoramento da AIEA e tinham fins civis, de acordo com o governo iraniano.

Imagem colorida, estreito de ormuz
Parlamento iraniano decide fechar Estreito de Ormuz

Risco para o comércio global

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Toda a costa norte pertence ao Irã, que controla em grande parte a hidrovia. Por ela, países como Iraque, Arábia Saudita, Kuwait, Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos exportam petróleo e GNL.

Mais de 80% dessas exportações têm como destino países asiáticos, como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. O restante segue para a União Europeia (UE).

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