EUA: inflação do consumo tem leve alta em dezembro, acima do esperado

Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou em 0,4% em dezembro, na comparação mensal, indicando aceleração

atualizado

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Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles
1 de 1 Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles - Foto: Getty Images

Um dos índices monitorados com maior atenção pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), o Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês) ficou em 0,4% em dezembro deste ano, na comparação com o mês anterior.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (20/2) pelo Departamento de Comércio do governo norte-americano.

Em relação a dezembro de 2024, a inflação do consumo nos EUA ficou em 2,9%.

Os resultados vieram levemente acima das expectativas do mercado. A maioria dos analistas projetava índices de 0,3% e 2,8%.

Em novembro, a inflação do consumo nos EUA ficou em 0,2% (mensal) e 2,8% (anual).

Núcleo de inflação

O núcleo da inflação do consumo, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 0,4% em dezembro. Na base anual, ficou em 3%.

O resultado, que também veio um pouco acima esperado pelo mercado, mostrou aceleração em relação ao mês anterior, quando o núcleo do PCE foi de 0,2% (mensal) e 2,8% (anual).

Federal Reserve

O principal foco de atenção dos investidores neste momento continua sendo a definição do Banco Central dos EUA sobre a taxa de juros da economia norte-americana.

Ao fim da primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed em 2026, em 28 de janeiro, o BC dos EUA anunciou a manutenção dos juros no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano. Assim, o Fed interrompeu uma sequência de três cortes consecutivos.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de manutenção dos juros no patamar atual é de 94%. Apenas 6% dos investidores apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 17 e 18 de março.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Análise

Segundo Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, “apesar da influência de componentes extraordinários, o cenário permanece complexo para o Federal Reserve diante dos dados do PCE (inflação do consumo), em que o núcleo se manteve em 3%, com uma aceleração mensal de 0,4% que excedeu as previsões”.

“A persistência inflacionária, acima da meta de 2%, limita a capacidade do Fed de reduzir as taxas de juros para estimular a atividade econômica de forma imediata. Além disso, o consumo das famílias também apresenta sinais de retração, indicando que o custo elevado do crédito começou a impactar o orçamento doméstico, gerando um impasse estratégico entre a manutenção de uma política restritiva e o risco de uma retração econômica mais severa”, afirma Lobo.

Para o economista, “o horizonte para 2026 ainda oferece alguns fatores de sustentação, suportados especialmente nos fluxos de investimentos em infraestrutura de inteligência artificial voltados ao ganho de produtividade”. “Esse avanço tecnológico é visto como um mecanismo essencial para a recuperação econômica sem gerar pressões inflacionárias adicionais, embora o equilíbrio atual demande uma condução fiscal e monetária excepcional para evitar a estagnação com preços elevados”, conclui.

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