Inflação nos EUA desacelera e vem abaixo das projeções em janeiro

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação nos EUA, ficou em 2,4% em janeiro, na base anual

atualizado

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Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles
1 de 1 Bandeira dos Estados Unidos flamulando num céu azul celeste - Metrópoles - Foto: Getty Images

A inflação nos Estados Unidos em janeiro deste ano desacelerou em relação ao mês anterior e veio abaixo das estimativas dos analistas do mercado, de acordo com números divulgados nesta sexta-feira (13/2) pelo Departamento do Trabalho.


O que aconteceu

  • O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,4% em janeiro, ante 2,7% do último levantamento.
  • Na comparação mensal, o índice foi de 0,2%, também ligeiramente abaixo do resultado anterior (0,3%).
  • Os resultados da inflação nos EUA vieram abaixo dos prognósticos do mercado. A média das estimativas era de 2,5% (anual) e 0,3% (mensal).
  • A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

Núcleo de inflação

O núcleo da inflação nos EUA, que exclui variações de preços de alimentos e energia, mais voláteis, foi de 2,5% em janeiro, na base anual.

O resultado, que veio dentro do esperado pelo mercado, ficou levemente abaixo do mês anterior (2,6%).

Na comparação mensal, o núcleo da inflação norte-americana ficou em 0,3%, ante 0,2% de dezembro.

Dado é observado com atenção pelo Fed

O dado de inflação é considerado um dos mais importantes para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). O resultado da inflação ao consumidor nos EUA ganhou ainda mais importância após a divulgação do relatório de emprego de janeiro (o “payroll”), que mostrou um mercado de trabalho bem mais forte do que o esperado no país.

Na última reunião do Fed, no fim de janeiro, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. A manutenção da taxa de juros interrompeu sequência de três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo BC dos EUA.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 17 e 18 de março.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Análise

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, a inflação nos EUA, de modo geral, teve “uma leitura bem amena, com uma inflação de bens mais fraca, puxada pela queda de 1,8% nos preços de automóveis usados, enquanto serviços apresentaram uma inflação na margem”. “Entretanto, se excluirmos veículos usados, o núcleo da inflação de bens foi de 0,36% no mês, indicando possível repasse das tarifas”, observa.

“Há poucos sinais de pressão inflacionária na economia norte-americana. Entretanto, o dado do ‘payroll’ mais forte que o esperado, conjuntamente com a queda na taxa de desemprego, deve levar o Fed a manter a cautela na condução da política monetária, reforçando a visão dos membros do comitê de que o nível atual da taxa de juros esteja bem próximo ao considerado neutro – não sendo, assim, necessários novos cortes para o cumprimento do mandato duplo do Fed”, afirma Valério.

Para o economista, “a retomada de cortes nos juros só deve acontecer a partir de junho, salvo uma desaceleração mais acentuada do mercado de trabalho”. “Apesar do ‘payroll’ forte de janeiro, os dados alternativos do mercado de trabalho apontam para uma desaceleração na margem. Portanto, podemos ver tal desaceleração se manifestar nas próximas leituras do ‘payroll’, mas não a tempo de impactar a decisão de março, quando esperamos que o Fed mantenha os juros inalterados.”

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, pondera que “a inflação acumulada em 12 meses continua elevada e acima da meta de 2% definida pelo Fed”. “O núcleo do CPI mostra que os preços de serviços seguem pressionados, com alta de 2,9% nos 12 meses até janeiro. Já os preços de bens industriais, que subiram 1,1% no mesmo período, podem continuar sentindo os efeitos do aumento de tarifas comerciais imposto no ano passado pelo governo norte-americano”, diz.

“Os dados de inflação e emprego que serão divulgados no mês que vem devem dar mais clareza sobre o cenário e ajudar a balizar a próxima decisão de política monetária do Fed. Por ora, nossa expectativa é a de que os juros sejam mantidos no intervalo atual, de 3,5 a 3,75%, na reunião de março”, conclui Moreno.

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