Estados Unidos criam 130 mil vagas em janeiro, muito acima do esperado

O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 66 mil vagas. Desemprego caiu para 4,3% nos Estados Unidos

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1 de 1 Pessoa assina ficha para vaga de emprego nos Estados Unidos - Metrópoles - Foto: Getty Images

A economia dos Estados Unidos registrou a criação de 130 mil novas vagas de emprego fora do setor agrícola em janeiro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (11/2) pelo Departamento do Trabalho do governo norte-americano.

Trata-se do chamado “payroll”, um indicador econômico mensal dos EUA que mostra a evolução do emprego no país fora do setor agrícola.

O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.


O que aconteceu

  • Os EUA registraram a criação de 130 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em janeiro.
  • O resultado veio muito acima das projeções do mercado, que indicavam a criação de 66 mil vagas.
  • A taxa de desemprego foi de 4,3%.
  • No último relatório, em dezembro, o “payroll” mostrou a abertura de 48 mil vagas no país (dado revisado) e uma taxa de desemprego de 4,4%.

Por que o dado é importante

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação.

Analistas temem que a aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed. Por outro lado, dados fracos de emprego poderiam alimentar as projeções mais pessimistas de que a economia dos EUA entre em recessão nos próximos meses.

Os dados de janeiro, portanto, jogam pressão sobre o BC dos EUA, que poderia, no limite, segurar os juros no patamar atual ou mesmo voltar a elevar a taxa.

Na última reunião do Fed, no fim de janeiro, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. A manutenção da taxa de juros interrompeu sequência de três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual pelo BC dos EUA.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 17 e 18 de março.

A taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano.

Análise

Segundo Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o mercado de trabalho norte-americano ainda mostra resiliência, enquanto a inflação continua pressionada. “Os dados de emprego e inflação referentes a fevereiro, que ainda serão divulgados, devem dar mais clareza sobre o cenário e ajudar a orientar a próxima decisão de política monetária do Fed. Por ora, esperamos a manutenção dos juros no intervalo atual, de 3,5% a 3,75%, na próxima reunião, em março”, avalia.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, afirma que o “payroll” aponta “para um mercado de trabalho não tão frágil, com sinais de melhora na demanda por trabalho, na margem”. “Entretanto, convém notar que, com o maior controle imigratório, o saldo de emprego necessário para manter a taxa de desemprego constante é bem menor do que observado até 2024, o que ajuda a explicar porque se vê a queda na taxa de desemprego mesmo com um ritmo mais fraco de geração de emprego”, diz.

“Dada a comunicação do Fed na última reunião, o resultado de hoje reforça a visão de que o BC dos EUA manterá a taxa de juros inalterada na reunião de março”, completa.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, observa que, após uma sequência de “payrolls” abaixo do esperado, o dado de janeiro trouxe uma surpresa nos números do mercado de trabalho dos EUA. “Tanto a criação de vagas quanto o ganho salarial mensal vieram acima das expectativas de mercado. Para a política monetária, trata-se de um dado importante, dado que os últimos três cortes de juros promovidos pelo Fed foram justificados pela perda de dinamismo no mercado de trabalho norte-americano, com o presidente Jerome Powell reiterando diversas vezes ao longo de 2025 que cortes preventivos deveriam ser feitos para evitar que a política monetária causasse impactos mais profundos na atividade econômica”, afirma.

“No campo institucional, será uma dinâmica interessante para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, caso assuma em um contexto em que o espaço para cortes permitido pela inflação e pelo mercado de trabalho norte-americano seja menor, ao mesmo tempo em que se espera pressão política da Casa Branca por juros mais baixos”, avalia Shahini.

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