“Lobby agressivo” dos Bolsonaros definiu decisão sobre PCC-CV, diz NYT

O jornal enfatiza os efeitos da nova classificação do governo dos EUA nas relações diplomáticas, nas eleições e na economia brasileiras

atualizado

metropoles.com

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Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump
1 de 1 Flávio Bolsonaro, Paulo Figueiredo, Eduardo Bolsonaro e Donald Trump - Foto: Reprodução/Redes sociais

O The New York Times publicou uma reportagem repercutindo a nova classificação do governo dos EUA sobre as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas.

Intitulada “Após nova pressão dos Bolsonaros, EUA classifica gangues brasileiras como grupos terroristas”,  a matéria destaca que a decisão foi tomada após “meses de lobby agressivo dos filhos do ex-presidente preso, Jair Bolsonaro, um aliado próximo de Trump”. 

“A medida surge poucos dias depois de dois dos filhos de Bolsonaro, um dos quais planeja se candidatar à Presidência ainda este ano, terem visitado Trump na Casa Branca”, enfatizou o jornal.

O NYT avalia que a decisão pode estremecer a recente reconciliação iniciada “entre as duas maiores nações do Hemisfério Ocidental”.

“Isso gerou preocupação entre autoridades brasileiras de que os EUA possam estar tentando influenciar as próximas eleições, ajudando um novo Bolsonaro. Flávio Bolsonaro afirmou que desafiará nas eleições de outubro o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de esquerda, a quem acusa de ser leniente com o crime.”

Intervenção no Brasil

O The New York Times ainda menciona que o ato pode dar “dores de cabeça para o setor bancário”: “Especialistas afirmam que isso representa um risco significativo, pois as quadrilhas brasileiras conseguiram se infiltrar na economia formal, acumulando participações na distribuição de gás, no mercado imobiliário, em commodities e em criptomoedas. Isso deixa as instituições financeiras brasileiras vulneráveis.”

Ao classificar as facções como terroristas, os EUA poderão agora bloquear os ativos de indivíduos e entidades estrangeiras que cometem ou representam um risco significativo de cometer atos terroristas.

A nova tratativa também permite que os norte-americano busquem punir organizações e pessoas que mantenham vínculos com as organizações criminosas, aplicando-lhes legislação própria, ainda que eventuais crimes tenham sido praticados no Brasil.

Segundo o Departamento de Estado, as duas facções serão oficialmente incluídas na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) na próxima sexta-feira, 5 de junho.

Segundo o Departamento de Estado, as redes das facções “se estendem muito além das fronteiras do Brasil” e afetam diretamente a segurança dos Estados Unidos.

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