
Mirelle PinheiroColunas

PCC e CV como terroristas podem atingir bancos brasileiros
Medida foi anunciada pelo governo Donald Trump nesta quinta-feira (28/5) e deve entrar em vigor a partir de 5 de junho
atualizado
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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras pode trazer impactos para o Sistema Financeiro Brasileiro e abrir espaço para interferências econômicas com reflexos em bancos, investimentos e negócios relacionados ao país.
Em entrevista à coluna, o economista Newton Marques afirmou que a maior preocupação está no alcance da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos.
“A inclusão do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos pode permitir que haja interferência em assuntos soberanos do Brasil. Os bancos brasileiros poderiam ser alvos porque o dinheiro movimentado por essas organizações circula por instituições financeiras nacionais. A legislação norte-americana sobre terrorismo é muito abrangente e abre um leque muito grande de possibilidades de atuação”, afirmou.
O economista avalia que a medida também pode ser vista como uma interferência em temas que cabem ao Brasil.
“Isso abre um espaço muito grande para que os Estados Unidos atuem em questões internas do país. É algo inusitado porque estamos falando de organizações que atuam em território brasileiro e que agora passam a ser enquadradas pela legislação americana. É possível até mesmo colocar forças militares aqui no país”, disse.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28/5) pelo Departamento de Estado dos EUA. As duas organizações criminosas passarão a integrar oficialmente a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs, na sigla em inglês) a partir de 5 de junho. A iniciativa faz parte da política do presidente Donald Trump de endurecer o combate ao narcotráfico e ao crime organizado internacional.
Caso semelhante no México
No ano passado, instituições financeiras mexicanas sofreram restrições após serem acusadas pelos Estados Unidos de ajudar na lavagem de dinheiro para cartéis do narcotráfico.
Na ocasião, o Departamento do Tesouro americano bloqueou transações entre bancos dos EUA e filiais mexicanas do CIBanco e do Intercam Banco, além da corretora Vector Casa de Bolsa. As empresas negaram as acusações.