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Mundo

Cuba voltará a pedir o fim do embargo econômicos dos Estados Unidos na ONU

Essa será a 34ª resolução apresentada por Cuba na ONU pedindo o fim do embargo dos EUA contra a ilha caribenha

11/10/2026 04:30
Atilgan Ozdil/Anadolu Agency/Getty Images
Imagem colorida mostra a Assembleia Geral da ONU - Metrópoles

Pela 34ª vez quase consecutiva, Cuba vai recorrer à Organização das Nações Unidas (ONU) para pedir o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra o país, em vigor desde a década de 1960. A informação foi confirmada ao Metrópoles pelo governo cubano.

A previsão é de que a nova resolução seja apresenta na Assembleia Geral da ONU na última semana deste mês. Ela se somará a outros 33 pedidos semelhantes apresentados por Havana ao longo das últimas décadas.


Embargo dos EUA contra Cuba

  • Cuba é alvo de um embargo econômico imposto pelos Estados Unidos desde 1962.
  • As medidas foram tomadas após a aproximação de Cuba com a União Soviética, no contexto da Guerra Fria.
  • A Organização das Nações Unidas (ONU) tenta votar o fim do embargo econômico dos EUA contra Cuba há mais de três décadas.
  • As resoluções, contudo, sempre esbarram em votos contrários dos norte-americanos e de aliados da Casa Branca.
  • Nos últimos meses, o governo Donald Trump também tem aumentando as sanções individuais e contra empresas do país.
  • O objetivo, segundo Washington, é pressionar as autoridades cubanas a saírem do poder.
  • Para justificar as medidas, os EUA alegam que membros do governo têm enriquecido enquanto a população cubana enfrenta problemas.
  • Estimativas do governo cubano apontam que, desde os anos 1960, as retaliações dos EUA já provocaram um prejuízo que ultrapassa a casa dos US$ 178 bilhões de dólares (cerca de R$ 888 bilhões).

Desde 1992, Cuba pressiona pelo fim das restrições comerciais, econômicas e financeiras impostas pelo governo norte-americano. O embargo começou em 1960 em resposta a Revolução Cubana, e as decisões do então governo de Fidel Castro, como a estatização de empresas dos EUA que atuavam na ilha.

De lá para cá, resoluções sobre o fim do aperto econômico foram votadas, e aprovadas, quase de forma ininterrupta. O único ano em que uma medida do tipo não foi apresentada aconteceu em 2020, quando as atividades das Nações Unidas sofreram impactos da pandemia de Covid-19.

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Ruas de Havana, capital cubana
Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel
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Ruas de Havana, capital cubana
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Ruas de Havana, capital cubana

Juancho Torres/Anadolu via Getty Images

Para que uma resolução seja aprovada na Assembleia Geral da ONU são necessários os votos da maioria dos membros presentes durante uma sessão. Foi o que aconteceu no último ano, quando 187 países adotaram o pedido de Cuba sobre o fim do embargo norte-americano. Na ocasião, apenas EUA e Israel foram votaram contra. A Ucrânia se absteve.

Mas, diferentes de decisões do Conselho de Segurança, as resolução adotadas na Assembleia Geral da ONU não possuem caráter vinculativo, e funcionam como uma espécie de peso político e simbólico. Na prática, tais medidas não têm peso jurídico obrigatório para os países membros das Nações Unidas e, por isso, não precisam ser cumpridas mesmo se forem aprovadas. 

Nova tentativa

O novo apelo cubano na ONU surge em meio a grave crise enfrentada pela população da ilha caribenha, que se “tornou mais cruel e perigosa” nos últimos anos, segundo o chanceler do país, Bruno Rodríguez Parrilla.

Em 26 de setembro, o chanceler cubano discursou durante a Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU. Na fala, Parrilla disse que o país caribenho enfrenta uma “agressão multidimensional por parte do governo dos Estados Unidos, uma hostilidade permanente, abusiva e implacável que já dura quase sete décadas”.

A resolução deste ano será apresentada ao mesmo tempo em que Cuba enfrenta uma grave crise energética, provocada não só pelo embargo econômico e comercial em vigor desde a década de 1960, mas também por medidas recentes de Washington.

Logo após as mudanças políticas na Venezuela, após forças norte-americanas capturarem Nicolás Maduro em janeiro deste ano, a ilha foi duramente afetada pelo episódio.

Isso aconteceu após o governo interino venezuelano se alinhar aos interesses do governo Donald Trump. Com isso, o presidente dos EUA suspendeu o envio de petróleo do país para Cuba, que na época mantinha forte dependência do combustível que vinha da Venezuela para abastecer sua matriz elétrica.

Além disso, o republicano ameaçou punir, com tarifas, países que exportassem petróleo para a ilha caribenha.

Uma das medidas adotadas pelo presidente do país para tentar contornar a crise foi buscar uma transição energética na ilha. Para isso, o governo de Miguel Díaz-Canel Bermúdez buscou minimizar a dependência do petróleo por meio de sistemas de energia solar.

Com a ajuda da China, sistemas fotovoltaicos têm sido instalados na ilha caribenha. O objetivo, contudo, não é tentar alcançar uma autossuficiência, mas sim uma sobrevivência energética em momentos críticos.

Apesar dos esforços, os cerca de 10 milhões de pessoas que vivem na ilha continuam enfrentando problemas. Somente em 2026, Cuba já enfrentou sete apagões gerais que deixaram o país completamente no escuro.