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Mundo

Cuba chama de “calúnia” fala de Trump na ONU sobre futuro da ilha

Em seu discurso na ONU, Donald Trump afirmou que busca “mudança fundamental” em Cuba. Havana acusa Washington de atacar sua soberania

22/09/2026 15:48
Horacio Villalobos/Getty Images - Kevin Dietsch/Getty Images
Montagem mostra o presidente de Cuba à esquerda e o dos EUA à direita

O governo de Cuba classificou como “calúnia” e “falsidade” as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a situação da ilha durante discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (22/9), em Nova York.

O republicano afirmou que sua administração busca uma “mudança fundamental” no país e disse que o regime comunista enfrenta a maior pressão de sua história.

“Minha administração também busca uma mudança fundamental na situação em Cuba, onde o regime comunista está sob grande pressão, a maior pressão que já sofreu”, afirmou Trump.

Em seguida, classificou o país como um “Estado absolutamente falido” e disse que a ilha “está em colapso”.

A declaração provocou reação imediata do governo cubano. O chanceler Bruno Rodríguez afirmou que Washington não aceita o direito de Cuba à independência e à soberania.

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“O governo dos EUA é incapaz de aceitar que Cuba é, e tem direito de ser, um país plenamente independente e soberano”, escreveu Rodríguez, que chefia a representação diplomática cubana em Nova York. Segundo o chanceler, as declarações feitas por Trump na ONU não alteram a condição de Cuba como país soberano.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, também reagiu. Em publicação nas redes sociais, afirmou que Trump repete acusações contra Havana sem conseguir justificar, segundo ele, as medidas adotadas pelos Estados Unidos contra a população cubana.

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Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel
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John Elk III/Getty Images
Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel
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Molly Riley/Casa Branca

Delegação cubana deixa sessão

Enquanto Trump discursava no plenário da Assembleia Geral, a delegação de Cuba deixou a sessão em protesto contra as declarações do presidente norte-americano.

A saída ocorreu durante a fala do republicano, que apresentou a situação cubana como parte de uma agenda de pressão sobre governos que Washington considera adversários.

A tensão entre os dois países aumentou desde o retorno de Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025. O governo norte-americano retomou e ampliou medidas de pressão econômica e diplomática contra Havana, enquanto o governo cubano acusa Washington de manter uma política destinada a provocar o colapso da economia da ilha.

Pressão sobre Cuba

O chefe da Casa Branca também já afirmou inúmeras vezes que pretende aumentar a pressão sobre o governo cubano. A ilha fica a cerca de 150 quilômetros da costa da Flórida e ocupa posição estratégica no Caribe.

Nos últimos meses, os Estados Unidos adotaram novas sanções contra entidades cubanas de setores considerados estratégicos por Washington. As medidas fazem parte de uma política mais ampla de pressão sobre o governo de Díaz-Canel.

A situação econômica de Cuba também se deteriorou, com escassez de combustíveis, dificuldades no abastecimento de energia e apagões que atingiram diferentes regiões do país.

Havana, por sua vez, rejeita as acusações de Washington e atribui parte dos problemas econômicos às sanções e ao embargo norte-americano, mantido há décadas.