Na ONU, Trump defende paz no Irã, ameaça Cuba e indica bases na Groenlândia
A 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ocorre em Nova York (EUA) nesta terça-feira (22/9), com Lula e Trump

Após discursos do secretário-geral da ONU, António Guterres, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o líder dos EUA, Donald Trump, falou na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), nesta terça-feira (22/9). Ele citou Irã, Cuba, Ucrânia, Groenlândia e inteligência artificial (IA). Veja a íntegra aqui:
Trump iniciou o discurso elogiando o atual momento da economia dos Estados Unidos. “Mais fortes do que nunca”, alegou.
O presidente norte-americano também afirmou que jamais deixará que o Irã tenha armas nucleares. Mesmo assim, defendeu o fim da guerra contra os EUA na região, dizendo-se aberto às negociações de paz, inclusive na Ucrânia.
“Será feito um acordo com o Irã para que eles consigam reconstruir esse grande país, como já foi antes, talvez um dos maiores no Oriente Médio e até mesmo no mundo –, ou eu terei de aniquilar a República Islâmica e fazer isso rapidamente para não dar uma nova chance a eles de se matar e destruir países e pessoas de novo? Será que eu levo eles para o inferno, sem chance de sobrevivência?”, questionou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTrump fez, ainda, ameaças a Cuba: “Vamos levar liberdade (à ilha caribenha)”.
O líder dos EUA voltou a falar sobre a Groenlândia. “Imediatamente, vamos começar a desenvolver uma presença militar nos locais apropriados. Vamos construir duas bases militares de grande escala. Este acordo será assinado hoje”, revelou.
Lula na ONU
Além de criticar o Conselho de Segurança da ONU em relação às guerras, Lula destacou o combate ao crime organizado no país. “O Brasil não subestima o desafio do crime organizado. Estamos preparados para enfrentar as organizações criminosas”, ressaltou.
“As pessoas estão cansadas da violência, mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade. O combate à corrupção continuará implacável, doa a quem doer. Ninguém está acima da lei”, disse.
Lula também defendeu os recursos naturais brasileiros. “As nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro e é em benefício dele que serão exploradas. O acesso ao nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais”, defendeu.
Guterres abriu os trabalhos criticando as guerras. “Os combates têm de parar.” O secretário-geral citou o “massacre contra os palestinos” e o “genocídio na Faixa de Gaza”.
Ele também fez alertas sobre crise climática e uso responsável da inteligência artificial (IA). “As crianças nunca devem ser cobaias de sistemas não regulados”, afirmou.
“Decisões de vida ou morte nunca deverão ser delegadas a máquinas. Robôs assassinos não devem ter lugar em nosso futuro. Paz e segurança, desigualdade, clima e inteligência artificial: esses são os quatro grandes desafios do futuro”, destacou Guterres.
Em seguida, tomou a palavra Khalilur Rahman, presidente da Assembleia Geral da ONU.
Último discurso
Esta é a 10ª participação de Lula no encontro, que reúne os 193 países-membros da ONU, e o último discurso do atual mandato do petista. Nesta 81ª edição da assembleia, o tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Nessa segunda-feira (21/9), em entrevista à CNN Internacional, Lula afirmou estar “um pouco preocupado” com a atuação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com uma possível interferência dele nas eleições brasileiras. Segundo o petista, a preocupação se deve ao fato de Rubio ser “muito próximo” da família Bolsonaro.
O presidente ressaltou, porém, que, até o momento, há apenas suspeitas sobre essa possibilidade, mas citou, sem apresentar mais detalhes, indícios de interferência norte-americana nas eleições por meio do uso de inteligência artificial.
Lula também voltou a dizer que pediu diretamente a Trump que o país não interfira no processo eleitoral brasileiro. “Ele [Trump] já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras. E é bom que ele tenha dito isso. É bom que ele aja assim. Esse é o papel que espero de um presidente”, relatou. O brasileiro também voltou a dizer que o norte-americano age como “imperador”.
Na semana passada, veio a público a informação de que o governo dos EUA apresentou a negociadores brasileiros um documento no qual pedia que “dissidentes políticos” do Brasil não fossem presos, detidos ou impedidos de participar do pleito deste ano. A proposta foi apresentada durante as negociações sobre o tarifaço e imediatamente rejeitada pela gestão Lula.
Encontros com aliados nos EUA
- Nessa segunda-feira (21/9), Lula teve três reuniões com aliados internacionais em Nova York.
- De manhã, o petista teve um encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Na ocasião, Lula anunciou que o país vizinho cedeu ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina que seria encaminhada ao mercado chinês.
- Em seguida, o titular do Planalto se reuniu com o prefeito de Nova York (EUA), Zohran Mamdani. Os dois conversaram sobre defesa da democracia, enfrentamento ao extremismo na política e políticas públicas de inclusão social.
- À noite, Lula se encontrou com o senador dos EUA Bernie Sanders.
Reunião com Trump é descartada
Como mostrou o Metrópoles, Lula não deve se reunir com Trump antes da abertura da Assembleia Geral. Até a última atualização, segundo fontes do Palácio do Planalto, não havia pedido de reunião bilateral por parte dos governos brasileiro ou norte-americano.
A expectativa, no entanto, é que os dois líderes conversem informalmente, como ocorreu na edição do evento no ano passado.
Em 2025, os chefes de Estado tiveram um breve encontro nos bastidores do evento. Na ocasião, o norte-americano declarou que teve “excelente química” com o brasileiro. Depois disso, os líderes tiveram uma série de reuniões e telefonemas que contribuíram para uma aproximação na relação entre os dois países.
A agenda do presidente brasileiro em solo norte-americano será breve. Lula deve embarcar de volta ao Brasil no início da tarde desta terça-feira, logo após o discurso. Antes da abertura e da fala na ONU, marcada para as 10h (horário de Brasília), o presidente deve se reunir apenas com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
A viagem foi planejada para ser curta em razão do período eleitoral. Além de fazer um gesto de respeito ao pleito, Lula tem atos de campanha programados para os dias seguintes.






















