"Não precisamos de porta-aviões nas nossas águas", diz Lula na ONU
Presidente brasileiro foi o primeiro a discursar em Nova York e voltou a defender a cooperação para combater facções criminosas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta terça-feira (22/9), em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que o Brasil não vai “terceirizar” a defesa das fronteiras e que “não precisamos de porta-aviões vigiando as nossas águas”.
“Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, declarou.
A fala antecede o discurso do presidente norte-americano Donald Trump, a quem Lula reforçou ter entregue um memorando de cooperação no combate ao crime organizado antes dos Estados Unidos enquadrar as facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como terroristas.
O petista voltou a defender propostas e ações tomadas em seu governo para combater facções, dentre elas, a Lei Antifacção e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
“Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade inclusive os magnatas do crime. A lei antifacção, que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. O combate à corrupção é implacável, doa a quem doer”, disse
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesLula, que tentará a reeleição em 4 de outubro, aproveita a ida a Nova York para reforçar o discurso em defesa da soberania, em meio ao tensionamento na relação com o governo Trump. O petista disse que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”.
“A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho”, disse ao finalizar a sua fala.
O republicano é o segundo a discursar, logo após o presidente brasileiro. Em 2025, ambos se cumprimentaram e alinharam um encontro nos bastidores da ONU. Na ocasião, Trump aproveitou seu discurso para dizer que simpatizou com Lula e que houve “química” entre ambos. Ainda não há informação se ambos se encontraram nesta Assembleia Geral.



