Em discurso na ONU, Guterres faz apelo à paz e cobra uso responsável da IA
Secretário-geral da ONU afirmou que, em relação às guerras, "as coisas pioram um pouco a cada dia

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, discursou nesta terça-feira (22/9) na abertura da 81ª Assembleia Geral. Esta é a última vez que ele discursa na edição como líder, cujo tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Em sua fala, fez um apelo pelo fim das guerras que ocorrem ao redor do mundo, principalmente no Oriente Médio, entre Israel e Palestina, e na Europa, entre Rússia e Ucrânia. Segundo ele, “as coisas pioram um pouco a cada dia”.
O alerta foi para os ataques contra civis e trabalhadores humanitários, e da divisão geopolítica que se aprofundou com o avanço bélico em diferentes regiões no mundo.
“Na última década, eclodiram guerras de consequências devastadoras, prolongando-se com uma crueldade execrável. Civis foram alvos de ataques. Direitos humanos foram atropelados. A fome foi utilizada como arma. Trabalhadores humanitários foram mortos. O direito internacional foi deixado de lado. As divisões geopolíticas se aprofundaram”, discursou.
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Ainda seu discurso, Guterres aproveitou para chamar a atenção quanto ao avanço e o uso responsável da Inteligência Artificial (IA). Segundo ele, a tecnologia está se desenvolvendo mais rápido que a capacidade humana de entender seus efeitos práticos.
“Até mesmo aqueles que criaram a inteligência artificial estão nos dizendo que estão ficando cegos diante dela”, afirmou o secretário-geral da ONU.
O líder classifica a IA não apenas como uma crise que o mundo enfrenta, mas como uma transformação de distribuição de poder. “Não estamos diante de crises separadas. Estamos diante de capítulos da mesma história: a história do poder — como ele é usado e como está mudando.”
“As crianças jamais devem se tornar cobaias de sistemas não regulamentados, e devemos decidir que decisões de vida ou morte nunca sejam delegadas a máquinas. Robôs assassinos não devem ter lugar em nosso futuro. Paz e segurança, desigualdade, clima e inteligência artificial: esses são os quatro grandes desafios do futuro. Eles definirão o amanhã e estão interligados. A guerra aprofunda problemas, enquanto a desigualdade destrói o desenvolvimento e acelera a fome. A desigualdade determina quem tem meios para enfrentar as mudanças climáticas e outros choques e quem permanece exposto aos perigos. A crise climática alimenta a instabilidade e o deslocamento de populações. A inteligência artificial pode ajudar a solucionar todos esses desafios — ou pode agravá-los.”
Igualdade de gênero
Guterres chamou a atenção para um assunto um tanto quanto inédito nos discursos da ONU: a igualdade de gênero e a dificuldade que mulheres enfrentam ao redor do mundo.
“Em toda parte, mulheres e meninas continuam a enfrentar discriminação, violência, exclusão e abuso. Ao redor do mundo: seus direitos estão sendo cerceados. Suas vozes, silenciadas. Seus corpos, transformados em campos de batalha. E suas liberdades, tratadas como moeda de troca. Isso é um ultraje — e um profundo desperdício para a humanidade”, declarou.
Segundo o líder, a ONU alcançou, pela primeira vez em sua história, a igualdade dentre seus funcionários e fez um apelo para que o mundo reproduza o feito.
“Na última década, alcançamos um marco enorme. Tenho orgulho de informar hoje que as Nações Unidas alcançaram a paridade de gênero pela primeira vez na história em todos os níveis de alta liderança… em todas as sedes… e em todo o quadro de profissionais. […] Se as Nações Unidas podem mudar, os governos também podem”, afirmou.



