Na ONU, Guterres faz alerta contra as guerras; Lula fala em seguida. Siga no YouTube
A 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) ocorre em Nova York (EUA) nesta terça-feira (22/9), com Lula e Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursará na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (EUA), nesta terça-feira (22/9). O primeiro a falar foi o secretário-geral da ONU, António Guterres, que será seguido por Lula e pelo líder dos EUA, Donald Trump. Acompanhe aqui:
Guterres abriu os trabalhos criticando as guerras. “Os combates têm de parar”. O secretário-geral citou “massacre contra os palestinos” e “genocídio na Faixa de Gaza”.
Ele também fez alertas sobre crise climática e uso responsável da inteligência artificial (IA). “As crianças nunca devem ser cobaias de sistemas não regulados”, afirmou.
“Decisões de vida ou morte nunca deverão ser delegadas a máquinas. Robôs assassinos não devem ter lugar em nosso futuro. Paz e segurança, desigualdade, clima e inteligência artificial: esses são os quatro grandes desafios do futuro”, destacou Guterres.
Segundo auxiliares, Lula deve abordar a defesa do multilateralismo, da soberania e da democracia, além de tratar do processo eleitoral brasileiro em um contexto de acusações e suspeitas de interferência estrangeira.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesTradicionalmente, o representante brasileiro é o primeiro chefe de Estado a discursar na tribuna da ONU. Em seguida, é a vez do anfitrião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Esta é a 10ª participação de Lula no encontro, que reúne os 193 países-membros da ONU, e o último discurso do atual mandato. Nesta 81ª edição, o tema é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: Uma ONU que apresenta resultados para todos”.
Nessa segunda-feira (21/9), em entrevista à CNN Internacional, Lula afirmou estar “um pouco preocupado” com a atuação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com uma possível interferência dele nas eleições brasileiras. Segundo o petista, a preocupação se deve ao fato de Rubio ser “muito próximo” da família Bolsonaro.
O presidente ressaltou, porém, que, até o momento, há apenas suspeitas sobre essa possibilidade, mas citou, sem apresentar mais detalhes, possíveis indícios de interferência norte-americana nas eleições por meio do uso de inteligência artificial.
Lula também voltou a dizer que pediu diretamente a Trump que o país não interfira no processo eleitoral brasileiro. “Ele [Trump] já disse a muitas pessoas que não interferirá nas eleições brasileiras. E é bom que ele tenha dito isso. É bom que ele aja assim. Esse é o papel que espero de um presidente”, relatou. O brasileiro também voltou a dizer que o norte-americano age como “imperador”.
Na semana passada, veio a público a informação de que o governo dos EUA apresentou a negociadores brasileiros um documento no qual pedia que “dissidentes políticos” do Brasil não fossem presos, detidos ou impedidos de participar do pleito deste ano. A proposta foi apresentada durante as negociações sobre o tarifaço e imediatamente rejeitada pela gestão Lula.
Apesar do cenário, a aposta é que Lula não deve fazer menções diretas aos Estados Unidos ou a qualquer chefe de Estado ao tratar do tema na ONU. A avaliação é que o presidente passará o recado de maneira polida, mas firme, em linha semelhante ao discurso no ano passado.
Mesmo que não seja o tema central do discurso, a defesa da integridade do processo eleitoral brasileiro é vista como necessária diante dos crescentes “ataques” à democracia ao redor do mundo.
Encontros com aliados nos EUA
- Nessa segunda-feira (21/9), Lula teve três reuniões com aliados internacionais em Nova York.
- De manhã, o petista teve um encontro bilateral com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi. Na ocasião, Lula anunciou que o país vizinho cedeu ao Brasil parte da cota de exportação de carne bovina que seria encaminhada ao mercado chinês.
- Em seguida, o titular do Planalto se reuniu com o prefeito de Nova York (EUA), Zohran Mamdani. Os dois conversaram sobre defesa da democracia, enfrentamento ao extremismo na política e políticas públicas de inclusão social.
- À noite, Lula se encontrou com o senador dos EUA, Bernie Sanders.
Reunião com Trump é descartada
Como mostrou o Metrópoles, Lula não deve se reunir com Trump antes da abertura da Assembleia Geral. Até a última atualização, segundo fontes do Palácio do Planalto, não havia pedido de reunião bilateral por parte dos governos brasileiro ou norte-americano.
A expectativa, no entanto, é que os dois líderes conversem informalmente, como ocorreu na edição do evento no ano passado.
Em 2025, os chefes de Estado tiveram um breve encontro nos bastidores do evento. Na ocasião, o norte-americano declarou que teve “excelente química” com o brasileiro. Depois disso, os líderes tiveram uma série de reuniões e telefonemas que contribuíram para uma aproximação na relação entre os dois países.
A agenda do presidente brasileiro em solo norte-americano será breve. A previsão é de que Lula embarque de volta ao Brasil no início da tarde desta terça-feira, logo após o discurso. Antes da abertura e da fala na ONU, marcada para 10h (horário de Brasília), o presidente deve se reunir apenas com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.
A viagem foi planejada para ser curta em razão do período eleitoral. Além de fazer um gesto de respeito ao pleito, Lula tem atos de campanha programados para os dias seguintes.




























