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Copa: 41 países presentes sofreram ações dos EUA ao longo da História

Em diferentes momentos da História, grande parte dos países classificados para a Copa de 2026 esteve sob influência ou ação direta dos EUA

22/06/2026 05:00
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Arte/Metrópoles
Copa: 41 países presentes sofreram ações dos EUA ao longo da História

Em meio à Copa do Mundo de 2026, os Estados Unidos compartilham o torneio com países que, em diferentes momentos da História, foram alvo de intervenções militares, operações de inteligência, pressões econômicas ou ações diplomáticas promovidas por Washington.

Entre as seleções que disputam o torneio, estão nações que, ao longo das últimas décadas, foram atingidas por golpes apoiados pelos EUA, intervenções militares, ocupações, campanhas de espionagem, sanções econômicas e operações clandestinas de mudança de regime.

A partir do cruzamento de registros acadêmicos em relações internacionais, relatórios legislativos e documentos oficiais, a apuração aponta que 41 das 47 seleções classificadas para a Copa — excluindo os Estados Unidos— apresentam algum registro histórico de interferência, direta ou indireta, associada à atuação norte-americana.

Um século de projeção de poder

O histórico de intervenções atribuídas aos Estados Unidos não se concentra em um único período, mas se distribui ao longo de três grandes fases: o expansionismo do fim do século 19, a consolidação imperial do pós-Segunda Guerra Mundial e a intensificação de ações militares e de inteligência no pós-Guerra Fria.

Em 1898, a Guerra Hispano-Americana marcou a expansão militar dos EUA para além do continente, atingindo diretamente o controle de territórios no Caribe e no Pacífico.

Já no início do século 20, intervenções como a ocupação do Panamá em 1903 consolidaram a presença estratégica na América Latina.

Após 1945, com o início da Guerra Fria, o padrão se intensifica. Entre 1947 e 1989, estudos de relações internacionais documentam dezenas de operações encobertas, golpes apoiados por inteligência e intervenções diretas ou indiretas em governos eleitos.

No pós-1991, com o fim da União Soviética, o foco se desloca para guerras regionais, intervenções humanitárias controversas e ações militares de longa duração no Oriente Médio.


Tipos de interferência mapeados

  • Intervenção militar direta e ocupação: guerras, invasões e presença prolongada de tropas
  • Mudança de regime e golpes apoiados por inteligência: apoio a deposições e transições forçadas de governo
  • Interferência eleitoral e política interna: influência em eleições, partidos e coalizões
  • Coerção econômica e financeira: sanções, bloqueios de crédito e pressão via organismos internacionais
  • Incorporação estratégica e militarização: alianças assimétricas, bases e acordos de segurança
  • Operações de inteligência e desestabilização: ações encobertas e redes de influência política

Países da Copa sob histórico de interferência

Américas

México – guerra territorial e intervenções históricas
Brasil – apoio ao golpe de 1964 e interferências políticas
Colômbia – intervenção indireta e segurança regional
Argentina – influência política e apoio a regimes militares
Canadá – episódios de interferência eleitoral e diplomática
Panamá – invasão militar e secessão territorial

Europa

Inglaterra – coerção econômica em crises estratégicas
França – pressão diplomática e crise de Suez
Alemanha – ocupação e reorganização no pós-guerra
Holanda – pressão econômica na descolonização
Espanha – acordos militares e presença estratégica

África e Oriente Médio

Egito – crise de Suez e coerção diplomática
Gana – apoio à mudança de regime na Guerra Fria
África do Sul – cooperação de inteligência em contexto do apartheid
Irã – golpe de Estado e tensões recentes
Iraque – invasão e ocupação militar
Arábia Saudita – cooperação estratégica e presença militar indireta

Ásia e Oceania

Japão – ocupação militar e reorganização institucional no pós-guerra
Coreia do Sul – presença militar contínua e aliança estratégica
Austrália – crise institucional envolvendo bases de inteligência
Turquia – cooperação militar e influência geopolítica

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Jogadores do Irã recebem vistos para entrar nos Estados Unidos
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Jogadores do México comemorando gol diante da Coreia do Sul
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Patrick Smith/Getty Images
Jogadores do Irã recebem vistos para entrar nos Estados Unidos
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Jogadores do Irã recebem vistos para entrar nos Estados Unidos

Orhan Cicek/Anadolu via Getty Images
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
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Lula e Trump em encontro na Casa Branca

Ricardo Stuckert/Presidência da República
Jogadores do México comemorando gol diante da Coreia do Sul
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Jogadores do México comemorando gol diante da Coreia do Sul

Reprodução/X/@miseleccionmx

Casos históricos que atravessam a Copa

  • Irã (1953 / 2026)

Em 1953, a Operação Ajax, conduzida pela CIA e pelo MI6 britânico, participou da derrubada do primeiro-ministro Mohammad Mossadegh. O episódio se tornou um marco das intervenções de inteligência no Oriente Médio.

Em 2026, o Irã voltou ao centro das tensões, em meio a sanções, impasses nucleares e à guerra iniciada em fevereiro, encerrada posteriormente com um acordo de paz provisório envolvendo os Estados Unidos.

  • Iraque (1991 / 2003–2011)

Em 1991, os EUA lideraram a Guerra do Golfo após a invasão do Kuwait. Em 2003, a invasão do Iraque marcou uma das maiores operações militares da era contemporânea, com a deposição de Saddam Hussein e ocupação prolongada até 2011.

  • México (1846–1848 / 2020’s)

A Guerra Mexicano-Americana resultou na anexação de vastos territórios mexicanos, incluindo regiões que hoje compõem estados como Califórnia, Texas e Novo México, redefinindo a fronteira norte-americana.

Nas últimas décadas, a relação bilateral passou a incluir cooperação militar e de inteligência no combate ao narcotráfico e aos cartéis, com operações conjuntas e reforço da segurança na fronteira.

  • Panamá (1903 / 1989)

Em 1903, os EUA apoiaram a separação do Panamá da Colômbia para garantir o controle do Canal do Panamá. Em 1989, a invasão norte-americana depôs o ditador Manuel Noriega.

  • Brasil (1964 / 2020’s)

Em 1964, documentos históricos e investigações apontam apoio político e logístico dos EUA ao golpe militar que depôs o presidente João Goulart, inserindo o país na lógica hemisférica da Guerra Fria.

Nas décadas seguintes, a relação bilateral passou por diferentes ciclos de aproximação e tensão, e voltou a se intensificar nos anos 2020.

Em 2026, Washington retomou pressões econômicas e diplomáticas, incluindo a proposta de tarifas sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, com sobretaxas adicionais que podem chegar a 12,5%, além da classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

  • Gana (1966)

O presidente Kwame Nkrumah foi deposto em um golpe militar enquanto estava no exterior. Registros de inteligência indicam acompanhamento e apoio indireto de setores norte-americanos ao novo regime.

  • Inglaterra (1956 – Crise de Suez)

Durante a crise do Canal de Suez, os EUA pressionaram economicamente Londres ao bloquear apoio financeiro via FMI, forçando a retirada militar britânica do Egito.

  • Japão (1945–1952)

Após a Segunda Guerra Mundial, o país foi ocupado militarmente pelos Estados Unidos, que supervisionaram sua reconstrução institucional, econômica e constitucional.

  • Alemanha (1945–1955)

Dividida e ocupada pelas potências aliadas após 1945, a Alemanha Ocidental passou por um processo de reconstrução sob forte influência norte-americana.

  • África do Sul (1960–1980)

Durante o apartheid, registros indicam cooperação de inteligência entre EUA e autoridades locais, incluindo monitoramento de lideranças como Nelson Mandela.

Confira a tabela completa:

Da Guerra Fria ao presente

O padrão identificado pelos estudos mostra uma mudança estrutural após o fim da Guerra Fria. Em vez de redução, há diversificação das formas de intervenção: menos ocupações formais e mais instrumentos híbridos, combinando sanções, inteligência e pressão diplomática.

Essa transição é frequentemente descrita como a passagem de uma diplomacia tradicional para uma lógica de “diplomacia cinética”, na qual o uso da força e da coerção deixa de ser exceção e passa a integrar o repertório recorrente da política externa norte-americana.