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Presidente da Fifa, Infantino optou por “DNA dos EUA” em Copa de 2026

Relação entre Gianni Infantino e Donald Trump ajudou a moldar um Mundial marcado por controle migratório, preços altos e influência dos EUA

Repórter de Mundo14/06/2026 02:01, atualizado 12/06/2026 22:42
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Arte Metrópoles/Gabriel Lucas
Presidente da Fifa, Infantino optou por “DNA dos EUA” em Copa de 2026

A aproximação entre Gianni Infantino e Donald Trump, intermediada por Jared Kushner, genro do republicano, ajudou a consolidar uma Copa do Mundo de 2026 com forte sotaque norte-americano. Embora o torneio seja oficialmente sediado pelos Estados Unidos, México e Canadá, cerca de 75% das partidas acontecerão em solo norte-americano.

O resultado é uma edição moldada não apenas pela infraestrutura dos EUA, mas também por suas prioridades políticas, comerciais e de segurança.

Às vésperas do pontapé do Mundial, o presidente da Fifa chegou a reforçar publicamente essa proximidade ao afirmar que seria “impossível” organizar a Copa nos Estados Unidos sem o apoio e o envolvimento de Trump.

A declaração sintetizou uma mudança percebida por críticos da entidade: nesta edição, em vez de impor o tradicional “Padrão Fifa” ao país-sede, a Fifa parece ter aceitado operar sob as regras do chamado “DNA dos EUA”.

A Copa sob o “DNA dos EUA”

Historicamente, para sediar uma Copa do Mundo, governos precisam conceder uma série de facilidades exigidas pela Fifa: isenções fiscais, flexibilização de vistos, livre circulação de torcedores, jornalistas, árbitros e delegações, além de garantias de operação especial durante o torneio.

No caso dos Estados Unidos, porém, o cenário se inverteu. A administração Trump manteve políticas migratórias rígidas e forte controle de fronteiras, e a Fifa adotou um discurso de adaptação às normas norte-americanas.

“Infelizmente, o nosso mundo é agressivo e a segurança está acima de tudo”, afirmou Infantino ao comentar os episódios envolvendo vistos e imigração durante a Copa.

A fala foi interpretada por parte da imprensa internacional como um sinal de submissão da entidade às decisões do governo americano.


Árbitro barrado virou símbolo da crise

  • O árbitro somali Omar Artan, considerado um dos principais nomes da arbitragem africana, teve a entrada negada nos Estados Unidos após um interrogatório de 11 horas no aeroporto de Miami.
  • Autoridades americanas alegaram suspeitas de ligação com terrorismo em seu país de origem.
  • Artan acabou deportado de volta à Somália e perdeu a chance de trabalhar na Copa do Mundo. A reação da Fifa decepcionou dirigentes e jornalistas esportivos.
  • Em vez de condenar a decisão americana ou pressionar por uma solução, Infantino classificou o caso como “lamentável” e sugeriu que as pessoas “relaxassem”.
  • Desde que voltou à Casa Branca, Trump ampliou medidas contra imigração irregular, intensificou deportações e restringiu vistos para cidadãos de diversos países.
  • Embora atletas e delegações tenham exceções previstas, o ambiente de vigilância impacta o torneio.

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Trump e Infantino
Trump e Infantino
Gianni Infantino e Donald Trump juntos antes da Copa do Mundo
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Gianni Infantino e Donald Trump juntos antes da Copa do Mundo

Richard Sellers/Sportsphoto/Allstar via Getty Images
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Trump e Infantino

Chip Somodevilla / Equipe
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Trump e Infantino

Hector Vivas - FIFA/FIFA via Getty Images

Seleção do Irã

Em meio ao agravamento das hostilidades entre Washington e Teerã, a seleção iraniana enfrentou obstáculos logísticos para disputar o torneio.

A delegação foi obrigada a estabelecer sua base no México e fazer deslocamentos pontuais aos Estados Unidos para os jogos da fase de grupos. Mesmo assim, Infantino apresentou a presença do Irã no Mundial como um sucesso diplomático pessoal.

“Quando diziam que seria impossível o Irã vir para a Copa do Mundo, eu prometi que eles viriam”, afirmou o dirigente.

O caso reacendeu um debate antigo sobre a relação entre política e futebol. Não existe uma regra estatutária universal da Fifa que proíba um país em guerra de disputar ou sediar a Copa do Mundo. A entidade decide sanções caso a caso.

A Rússia, por exemplo, foi banida das competições internacionais em 2022 após a invasão da Ucrânia. Já os Estados Unidos, apesar do envolvimento em conflitos internacionais recentes, nunca sofreram punições esportivas desse tipo.

Futebol no modelo do entretenimento norte-americano

Se no campo político a Copa absorveu o “DNA dos EUA”, no campo comercial isso ficou ainda mais evidente.

A Fifa adotou em larga escala o sistema de preços dinâmicos para os ingressos — modelo típico de companhias aéreas, shows e ligas esportivas norte-americanas. Os valores variam em tempo real de acordo com a demanda.

O resultado transformou a Copa de 2026 na edição mais cara da história para os torcedores. Ingressos variam de US$ 100 a US$ 6.370 nas categorias oficiais.

Infantino rebate as críticas, afirmando que a demanda no mercado americano é “sem precedentes” e que a entidade disponibilizou uma cota de ingressos por cerca de US$ 60 — valor que ele considera baixo para os padrões esportivos dos Estados Unidos.

Outro ponto que gerou polêmica foi a criação do mercado oficial de revenda da própria Fifa. A entidade abriu uma plataforma autorizada para que torcedores possam revender ingressos que não usarão.

O sistema cobra taxas sobre as transações, tanto do comprador quanto do vendedor, o que levou críticos a afirmar que a Fifa passou a lucrar duas vezes: na venda original e na revenda dos bilhetes.

Copa rica, maior e distante do torcedor

A edição de 2026 será a maior da história, com 48 seleções e 104 partidas, e também deve bater recordes de arrecadação: a expectativa da Fifa é faturar cerca de US$ 3 bilhões apenas com bilheteria.

O gigantismo do torneio, no entanto, acompanha um custo político e social. Ao abraçar o modelo norte-americano de negócios, segurança e controle migratório, a Fifa criou uma Copa extremamente lucrativa e, ao mesmo tempo, cada vez mais inacessível ao torcedor comum.