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El Mencho morto e protestos: México tem desafios de segurança na Copa

Às vésperas do Mundial, México reforça segurança enquanto convive com obras, protestos e preocupação com o crime organizado

09/06/2026 02:02
El Mencho morto e protestos: México tem desafios de segurança na Copa
El Mencho morto e protestos: México tem desafios de segurança na Copa

A poucos dias da abertura da Copa do Mundo de 2026, o México se prepara para receber o maior Mundial da história sob forte esquema de segurança.

A operação ocorre em meio a desafios que vão de protestos de professores na capital às preocupações com o crime organizado em Guadalajara, onde os reflexos da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, vulgo El Mencho, ainda alimentam um sentimento de insegurança em parte da população.

O pontapé inicial da maior Copa do Mundo já realizada — com 48 seleções e 104 partidas distribuídas entre México, Estados Unidos e Canadá — ocorrerá nesta quinta-feira (11/6). 

Apesar da proximidade do torneio, especialistas mexicanos ouvidos pelo Metrópoles afirmam que o clima nas cidades-sede está distante da euforia observada nos Mundiais de 1970 e 1986.

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Questões ligadas à segurança pública, aos custos do evento, às obras de infraestrutura e aos recentes episódios de violência associados ao crime organizado ajudam a explicar o sentimento de cautela que domina parte da população.

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Protestos promovidos pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantêm a Cidade do México sob tensão às vésperas do início do torneio.
Protestos promovidos pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantêm a Cidade do México sob tensão às vésperas do início do torneio.
El Mencho
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El Mencho

Arte Metrópoles/Carla Sena
Protestos promovidos pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantêm a Cidade do México sob tensão às vésperas do início do torneio.
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Protestos promovidos pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantêm a Cidade do México sob tensão às vésperas do início do torneio.

Gerardo Vieyra/NurPhoto via Getty Images
Protestos promovidos pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantêm a Cidade do México sob tensão às vésperas do início do torneio.
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Protestos promovidos pela Coordenação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) mantêm a Cidade do México sob tensão às vésperas do início do torneio.

Gerardo Vieyra/NurPhoto via Getty Images

Copa sem euforia

Para Jorge Rocha, acadêmico do ITESO, universidade jesuíta sediada em Guadalajara, um dos aspectos mais marcantes às vésperas do torneio é justamente a ausência de um ambiente festivo típico de Copa do Mundo.

“O que chama atenção é que, diferentemente do que ocorreu nos Mundiais de 1970 e 1986, o entusiasmo popular em torno da Copa parece muito menor”, afirma.

Segundo ele, embora existam referências ao Mundial espalhadas pelas ruas da Cidade do México, Guadalajara e Monterrey, um visitante dificilmente encontraria hoje a atmosfera de euforia tradicionalmente associada ao torneio.

Na avaliação do pesquisador, o desânimo é resultado de uma combinação de fatores, a exemplo dos transtornos provocados pelas obras realizadas para preparar as cidades para receber o evento e o alto custo para participar do Mundial.

“Os preços dos ingressos são considerados muito elevados e, no mercado de revenda, chegam a níveis ainda mais altos. Criou-se a sensação de que a população está arcando com os transtornos provocados pela preparação para a Copa, mas sem poder usufruir diretamente do evento”, diz Rocha.

Além dos ingressos, o aumento dos preços das hospedagens também alimenta críticas e dúvidas sobre quem realmente se beneficiará economicamente da competição.


Partidas do México

  • 11/6: México x África do Sul.
  • 18/6: México x Coreia do Sul.
  • 24/6: México x Suíça.

A sombra de El Mencho

As preocupações com a segurança ganharam força após a operação que resultou na morte de El Mencho, em fevereiro deste ano.  Os episódios de violência registrados após a ação tiveram forte impacto em Guadalajara e em outros destinos turísticos de Jalisco.

Segundo Jorge Rocha, o episódio provocou uma sensação de insegurança que ainda persiste entre os moradores. “Hoje existe uma espécie de calma tensa”, descreve.

O acadêmico cita uma pesquisa recente de percepção pública, segundo a qual cerca de 90% da população dizem se sentir insegura na cidade.

Desde os episódios violentos, a presença das forças de segurança aumentou significativamente. Patrulhas do Exército Mexicano e da Guarda Nacional tornaram-se rotina, especialmente nas regiões próximas ao estádio que receberá partidas da Copa.

A expectativa é que o esquema de segurança seja ainda mais reforçado durante o Mundial, sobretudo em jogos considerados de maior relevância internacional.

Crime organizado e desaparecimentos preocupam

A jornalista mexicana Ilse Martínez, que acompanha o cotidiano de Jalisco, afirma que a preocupação com a segurança vai além dos confrontos envolvendo o crime organizado.

Segundo ela, outro problema que continua mobilizando a sociedade local é a crise de desaparecimentos. “Esses são dois temas que preocupam muito em Guadalajara: o crime organizado e os desaparecimentos”, relata.

Martínez lembra que os episódios registrados após a operação contra El Mencho provocaram incêndios de veículos, bloqueios de estradas e um nível de medo incomum para muitos moradores.

“Foi uma situação que trouxe um nível de temor que muitas pessoas nunca haviam experimentado antes”, afirma.

A jornalista diz, ainda, que existe receio de que a visibilidade internacional proporcionada pela Copa do Mundo possa ser utilizada por grupos criminosos para chamar atenção.


Plano Kukulkán

  • Para enfrentar esse cenário, o governo mexicano colocou em prática o Plano Kukulkán, principal estratégia de segurança da Copa do Mundo.
  • A operação reúne mais de 20 órgãos federais e prevê coordenação com autoridades locais, Estados Unidos, Canadá e Fifa.
  • Segundo o governo, cerca de 100 mil agentes serão mobilizados, além da instalação de sistemas de vigilância aérea, monitoramento em tempo real, perímetros de segurança e tecnologia antidrone em estádios, aeroportos, hotéis e áreas destinadas aos torcedores.
  • As autoridades afirmam que o objetivo é garantir não apenas a proteção física dos visitantes, mas também respostas rápidas a riscos como protestos, fraudes digitais, emergências sanitárias e problemas de mobilidade.

Brasileiros devem ser bem recebidos

Apesar das preocupações, os especialistas acreditam que a Copa pode representar uma oportunidade para melhorar a imagem internacional de Guadalajara e de Jalisco.

Rocha destaca a relação histórica da cidade com o futebol brasileiro. Guadalajara recebeu partidas da Seleção Brasileira nos Mundiais de 1970 e 1986, e recentemente ganhou uma estátua em homenagem a Pelé nas proximidades do Estádio Jalisco.

Martínez compartilha da mesma visão. Segundo ela, os visitantes encontrarão uma cidade acolhedora, com forte tradição cultural, gastronômica e turística.

“Se tudo transcorrer com segurança, acredito que a Copa do Mundo pode ajudar a mostrar o melhor de Guadalajara”, diz ela.