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EUA: ICE pode abordar turistas na Copa? O que brasileiro precisa saber

Departamento de Segurança Interna e especialistas explicam como funcionam as abordagens migratórias e quais cuidados tomar durante o Mundial

Manuela de Moura11/06/2026 02:00, atualizado 11/06/2026 06:29
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Gui Prímola/Arte Metrópoles
EUA: ICE pode abordar turistas na Copa? O que brasileiro precisa saber

A Copa do Mundo da Fifa 2026 tem seu pontapé inicial nesta quinta-feira (11/6) em um cenário que vai além do futebol. Enquanto milhões de torcedores se preparam para acompanhar os jogos nos Estados Unidos, no México e no Canadá, o principal país-sede do torneio vive um momento de endurecimento das políticas migratórias e reforço dos mecanismos de segurança interna.

Para os brasileiros que viajarão para acompanhar a Seleção Brasileira – que estreia contra Marrocos neste sábado (13/6), no MetLife Stadium, em East Rutherford, região de Nova York e Nova Jersey – uma dúvida tem ganhado espaço: o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) pode abordar turistas durante a Copa?

A resposta é sim. Mas especialistas afirmam que, para quem estiver em situação migratória regular, o risco de problemas é considerado baixo.

Ao Metrópoles, fontes do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmaram que o governo trabalha para garantir a segurança do torneio sem prejudicar visitantes que estejam legalmente no país.

“Os visitantes internacionais que vierem legalmente aos Estados Unidos para a Copa do Mundo não têm nada com que se preocupar. O que torna alguém alvo da fiscalização de imigração é se está ou não ilegalmente nos EUA – ponto-final”, afirmou.

Segundo o DHS, a recomendação é de que os estrangeiros organizem toda a documentação necessária com antecedência para evitar transtornos durante a viagem.

No entanto, o departamento ressaltou a necessidade de que os turistas sejam “proativos” durante a viagem para evitar contratempos ou abordagens mais rigorosas por parte das autoridades migratórias.

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Senador norte-americano Markwayne Mullin (republicano de Oklahoma) presta juramento durante sua audiência de confirmação para o cargo de Secretário do Departamento de Segurança Interna
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Senador norte-americano Markwayne Mullin (republicano de Oklahoma) presta juramento durante sua audiência de confirmação para o cargo de Secretário do Departamento de Segurança Interna

Chip Somodevilla/Getty Images

O que é o ICE?


O especialista em geografia humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Vitor de Pieri explica que o aumento do fluxo de visitantes tende a ser acompanhado por uma presença mais visível das autoridades federais.

“Na prática, o turista brasileiro que ingressar legalmente nos Estados Unidos com visto válido, passaporte regular, comprovantes de hospedagem, passagem de retorno e recursos financeiros compatíveis dificilmente enfrentará problemas. Entretanto, a realização da Copa tende a aumentar a presença das autoridades federais em aeroportos, estádios, hotéis e centros turísticos.

Quem corre mais risco de fiscalização?

Segundo especialistas, os maiores riscos recaem sobre pessoas que:

  • Permanecem além do prazo autorizado de permanência;
  • Trabalham utilizando visto de turismo;
  • Prestam informações falsas às autoridades migratórias;
  • Possuem histórico de irregularidades migratórias;
  • Descumprem as condições previstas no visto.

O advogado licenciado nos Estados Unidos e professor de pós-graduação em Direito Migratório, Vinícius Bicalho, afirma que a política migratória norte-americana tem se tornado cada vez mais rigorosa.

“O cenário ficou mais criterioso, mas isso não significa fechamento das portas para imigração legal. Significa que os processos precisarão ser ainda mais organizados, consistentes e estrategicamente preparados”, explica.

O que fazer se for abordado?

Especialistas recomendam manter a calma e cooperar com as autoridades.

Caso solicitado, o viajante deve apresentar documentos válidos, como:

  • Passaporte;
  • Visto ou autorização de entrada;
  • Comprovantes de hospedagem;
  • Passagem de retorno;
  • Outros documentos que demonstrem a regularidade da permanência;
  • Também é possível perguntar diretamente ao agente se a pessoa está detida ou se pode deixar o local.

Segurança reforçada para a Copa


Copa como reflexo de uma disputa maior

Para Pieri, a discussão vai além dos procedimentos migratórios.

Segundo ele, a Copa de 2026 ocorre num momento em que os Estados Unidos tentam conciliar duas agendas muitas vezes conflitantes: a necessidade de receber milhões de turistas e a ampliação dos mecanismos de vigilância e controle de fronteiras.

“A Copa simboliza a globalização em sua forma mais visível: milhões de pessoas cruzando fronteiras para celebrar um evento internacional. Entretanto, ela acontece justamente em um período em que parte do debate político norte-americano questiona os próprios efeitos da globalização e da livre circulação de pessoas”, afirma.

Para os brasileiros, porém, a orientação prática permanece simples: viajar com documentação correta, respeitar as regras do visto e manter informações coerentes continua sendo o principal caminho para acompanhar a maior Copa das Copas sem contratempos.