Marília critica pressão para disputar governo de MG: “É fogo amigo”
Marília Campos (PT-MG) afirmou que não vê tempo hábil para partido construir uma candidatura própria e defendeu apoio a Gabriel Azevedo
atualizado
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Belo Horizonte – A pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), afirmou que essa possibilidade de que seu nome seja colocado para disputa ao governo de Minas Gerais é uma tentativa de outros políticos de tirá-la da disputa ao Senado. A parlamentar voltou a frisar que uma candidatura petista é inviável, no momento.
“Isso (concorrer ao governo estadual) é desproposital. É fogo amigo de gente que está querendo entrar agora na candidatura e não falou desde o início e, como a minha pegou, está querendo me tirar do jogo. Não tem essa conversa de Lula comigo. Não tem nada marcado”, afirmou ao Metrópoles, destacando que desde o princípio da disputa eleitoral se apresentou apenas como postulante ao Legislativo.
Sobre a possibilidade do candidato apoiado pelo PT no pleito deste ano ser uma figura interna, Marília Campos apontou dois problemas para o cenário. A demora em aguardar uma resposta do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG), que ainda não oficializou sua desistência da disputa, dificulta a construção de um nome vindo das internas em apenas dois meses.
Além disso, pontuou que, como a última gestão da sigla à frente de Minas Gerais, com o ex-governador Fernando Pimentel (2015-2018) foi muito criticada, colocaria o partido na defensiva, tendo que ficar se posicionando sobre a condução na época. Pimentel, que tentou reeleição na disputa de 2018, acabou sendo derrotado pelo então empresário Romeu Zema (Novo), que recebeu o apoio do, na altura, candidato a presidente, Jair Bolsonaro (PL).
Além de Marília, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) também já afirmou que almeja ser candidato ao Senado. Em uma possível candidatura ao Palácio Tiradentes, Lopes é apontado como uma das alternativas. Junta-se a ele nesse cenário o nome do deputado federal Rogério Correia (PT) e da ex-reitora da UFMG, Sandra Goulart.
Elogios a Gabriel Azevedo e a Alexandre Kalil
Questionada sobre qual nome o partido deveria apoiar na disputa, Marília Campos não declarou abertamente, mas teceu muitos elogios ao pré-candidato Gabriel Azevedo (MDB). Os dois tiveram uma reunião no final da tarde dessa terça-feira (26/5) para discutirem uma possível articulação.
“Acho que ele pode ser uma alternativa e acho que o PT tem que conversar com o MDB. Ele tem sintonia com o nosso diagnóstico, tem sintonia com as nossas propostas, tem disposição para defender a candidatura do Lula. Está com 13% nas pesquisas, tem representatividade local, mas pode crescer na campanha”, avaliou.
Como a decisão deverá ficar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a petista sugeriu que o presidente nacional da legenda, Edinho Silva, se reúna com o presidente nacional do MDB, o deputado federal Baleia Rossi, para conversar sobre possíveis rumos na disputa mineira.
Apesar dos elogios, internamente o emedebista é visto com certa cautela por parte dos filiados. Eles afirmaram que o histórico de rompimento de Azevedo com aliados, como os casos do deputado federal Aécio Neves (PSDB); do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT); e do ex-secretário Geral de Minas Gerais, Marcelo Aro (PP), causa um certo receio.
“As pessoas amadurecem na política. Acho que isso não é um problema que não possa ser contornado. Tem que pactuar, não só com o Gabriel, mas em nível nacional, envolvendo o Baleia. A política não pode ser feita por caprichos, com caprichos”, respondeu Marília.
Gabriel Azevedo vem conversando com políticos de diferentes partidos e buscando costurar apoios à sua candidatura. Na última quinta-feira (21/5), ele se encontrou com a presidente do PT mineiro, a deputada estadual Leninha. Nesta quarta-feira (27/5), vai se encontrar com o ex-deputado federal e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Odair Cunha, e com o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves.
Já sobre o também pré-candidato Alexandre Kalil, que esteve junto ao PT na disputa ao governo em 2022, Marília afirmou que não descarta o nome do pedetista como um apoio, mas alegou que ele não quer caminhar junto ao partido na disputa deste ano.
“O problema é que o Kalil não quer. Não adianta insistir. Nós insistimos tanto com quem não queria e hoje estamos quase sem opção. Tem que agilizar esse processo”, afirmou.
