Empacado em pesquisas, Zema se afasta de Flávio e enfurece bolsonarismo
Romeu Zema afirmou que votar em Flávio Bolsonaro vai ajudar a reeleger o presidente Lula; e criticou defesa do presidenciável
atualizado
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Belo Horizonte – A pesquisa eleitoral BTG/Nexus, dessa segunda-feira (25/5), mostrou o pré-candidato à presidência Romeu Zema (Novo) com apenas 4% das intenções de voto, o que o coloca como o quarto candidato preferido do eleitor, até o momento, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 40%; Flávio Bolsonaro (PL), com 35%; e de Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, com quem Zema está tecnicamente empatado.
Para tentar alavancar o seus números na disputa, o mineiro vem adotando duas estratégias. A primeira é a realização de agendas em outros estados, como Santa Catarina e São Paulo, com eventos com empresários e entrevistas para tornar seu nome mais conhecido em todo país.
A outra é retomar as críticas ao senador Flávio Bolsonaro, que vem enfrentando um cenário de desgaste por sua relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcado, preso e investigado por estar envolvido em um esquema de fraude bancária avaliado em cerca de R$ 50 bilhões.
Zema, que foi um dos cotados para integrar a chapa de Flávio como candidato a vice-presidente, busca agora convencer os eleitores do adversário de que ele é um nome mais viável no pleito de outubro.
Durante evento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, AmCham, nessa segunda-feira, em São Paulo, Romeu Zema disse que quem votar em Flávio Bolsonaro estará ajudando a reeleger Lula e alegou que o cenário eleitoral deste ano é mais complicado que o de 2022, pois não havia um escândalo envolvendo a direita.
“Essas últimas pesquisas demostraram que, quem está votando no Flávio vai estar entregando a eleição para o Lula, que manteve seu posicionamento, enquanto ele caiu. Isso se não surgir mais nada daqui pra diante”, comentou.
Tais posicionamentos geraram a ira de bolsonaristas. O pré-candidato ao Senado por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL-SC), foi às redes sociais afirmar que Romeu Zema é baixo e que “na primeira oportunidade, vem mais uma facada”.
Estou para conhecer sujeito mais baixo que esse! Tentamos e na primeira oportunidade vem mais uma facada! E não me venham falar que isto é pontual, pois não é. O que seus satélites fazem são facilmente identificados quando rapidamente pesquisados, seja por inércia, seja por ação… https://t.co/y2hH0QzbNg
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) May 25, 2026
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) também criticou o mineiro e o comparou ao ex-candidato à presidência João Amoedo, que deixou o partido Novo, após discordâncias sobre a aproximação com grupos mais bolsonaristas.
Zema critica, recua e retoma ataques
Inicialmente, quando a relação entre Flávio e Vorcaro foi divulgada, Zema foi às redes sociais criticar o político e chamar a relação de “imperdoável”. Tal movimentação foi alvo de críticas de bolsonaristas e até de correligionários, que têm uma relação muito estreita com políticos da família Bolsonaro e com outros que orbitam esse núcleo. Na altura, os grupos chegaram a chamar de “precipitada” a atitude do mineiro.
Dias depois, em evento do Novo, Zema classificou o episódio de “página virada”. Ele conversou com Flávio e chegou a dizer que, caso o adversário estivesse no segundo turno contra o petista, votaria nele.
A pacificação durou pouco. Quase uma semana após as falas em tom ameno, o mineiro voltou a atacar o senador e destacar que a defesa de Flávio não foi convincente.
“Fiquei muito decepcionado com tudo que aconteceu. Alguém que tem um relacionamento tão próximo com um banqueiro bandido, que é o que eu considero o senhor Vorcaro, o maior bandido do sistema financeiro da história do Brasil”, afirmou durante agenda na AmCham.
Entre os argumentos apresentados por Flávio Bolsonaro para justificar a troca de mensagens com o banqueiro, estão um suposto contrato para financiamento do filme Dark Horse, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Vorcaro teria ficado de investir R$ 130 milhões na obra, que está prevista para estrear poucos dias antes do primeiro turno da eleição.
Por fim, Zema afirmou que votar em Flávio seria o mesmo que entregar a eleição para o presidente Lula e que as pesquisas vêm mostrando uma queda nas intenções de voto do filho de Jair Bolsonaro.






