Crise de Flávio bagunça disputa estadual e multiplica “presidenciáveis” em MG
Três políticos mineiros sinalizam que podem tentar o Planalto. Além de Romeu Zema, podem se aventurar Aécio Neves e Cleitinho Azevedo
atualizado
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Belo Horizonte – Desde que foram divulgados áudios que revelaram a relação entre o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bancárias em valor superior a R$ 50 bilhões, instaurou-se uma confusão entre os candidatos ao governo de Minas Gerais e até novos presidenciáveis acabaram surgindo nas articulações do estado: Cleitinho (Republicanos) e Aécio Neves (PSDB).
O cenário fez com que o Republicanos, legenda do senador Cleitinho Azevedo, principal nome nas pesquisas eleitorais ao Palácio Tiradentes, passasse a ser cotado pela direção estadual e nacional da sigla como um potencial candidato a outro palácio, o do Planalto.
A avaliação, segundo o deputado federal e presidente do partido em Minas Gerais, Euclydes Pettersen, é que em meio às acusações, o correligionário seria uma das melhores alternativas, mas apenas caso Flávio Bolsonaro decidisse abrir mão da disputa. Pettersen ressalta a capacidade de Cleitinho de furar a bolha e poder alcançar inclusive pessoas que tradicionalmente votam na esquerda.
Caiu ruim no PL
A fala sobre a candidatura de Cleitinho foi vista por lideranças da sigla bolsonarista como inoportuna. O pré-candidato ao Senado Domingos Sávio (PL) destacou que quem responde pela legenda no estado são ele e o presidente do diretório local, o deputado federal Zé Vitor.
“Reconheço que todos os partidos que estão legalizados têm todo o direito de lançar candidato. [Mas] acho que é muito inadequado o Euclydes falar em Flávio não querer concorrer. Ele está fazendo uma especulação e não me parece que ele deveria fazer esse tipo de comentário envolvendo a questão do PL. Nós respondemos pelo PL”, disse o aliado de Flávio.
Republicanos já tem alternativa caso Cleitinho dispute presidência
Ainda neste mês o PL mineiro havia acertado uma aliança com o Republicanos, que deve ser oficializada em breve, para a disputa ao Palácio Tiradentes. Inicialmente, a ideia dos bolsonaristas era ter uma das vagas principais, se não a de governador, a de vice.
Frente à situação política nacional, a agremiação de Pettersen afirmou que, caso dispute o governo de Minas, os dois nomes na chapa devem ser do Republicanos. O preferido para vice seria o do ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) Luiz Eduardo Falcão.
Assim, as duas vagas ao Senado ficariam com o PL, uma sendo do pré-candidato Domingos Sávio (PL) e a outra poderia ser de alguém alinhado ideologicamente, como é o caso do ex-secretário Geral do Governo de Minas Gerais Marcelo Aro (PP).
Em caso de Cleitinho ser candidato ao Executivo nacional, Falcão herdaria a cabeça de chapa na disputa estadual. O nome do vice ainda seria debatido.
Simões segue esperançoso
O governador Mateus Simões (PSD), que buscou o apoio bolsonarista ao longo dos últimos meses, ainda mantém a esperança de que o senador do Republicanos vá desistir de concorrer e que, tanto o Republicanos, como o PL, passarão a apoiar a sua candidatura à reeleição.
Ele comparou o pleito deste ano a disputa à prefeitura de Belo Horizonte em 2024, quando o então prefeito Fuad Noman (PSD) saiu candidato com apenas 8% das intenções de voto e sendo uma figura desconhecida, mas que conseguiu alavancar ao longo da campanha. Simões hoje conta com 11% das intenções de voto.
Pesa contra a construção deste apoio em torno de Simões a sua ligação com o seu antecessor e atual pré-candidato a presidência Romeu Zema (Novo), que, além de disputar votos na mesma fatia do eleitorado, ainda vem tecendo duras críticas a Flávio Bolsonaro por sua relação com Daniel Vorcaro.
Outro complicador é que, mesmo que Zema não seja candidato, o PSD tem como postulante ao Palácio do Planalto o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que, no atual cenário, não possui palanque em Minas Gerais, mesmo tendo um correligionário na disputa estadual.
Candidato tucano a presidência
Com a ventilação da possibilidade de Flávio Bolsonaro não concorrer a presidência, o ex-presidente do Cidadania, Roberto Freire, se animou em construir uma alternativa junto ao deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG). Entre os entusiastas da proposta estão o atual presidente da sigla de Freire, Alex Manente, e o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força.
Os três se reuniram com o tucano e outros aliados para apresentar a ideia como uma candidatura mais ao centro. O presidente do PSDB mineiro, o deputado federal Paulo Abi-Ackel, disse que seria uma disputa mais pelo centro, entre a esquerda e o que ele chamou de “ultradireita”.
A intenção é disputar o voto, não apenas dos indecisos, mas daqueles que tenham restrições ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e figuras ligadas ao bolsonarismo.







