Parmesão como “barra de proteína”? Nutricionista explica tendência
Parmesão viraliza como “barra de proteína natural”. Nutricionista explica benefícios, riscos e a diferença do Parmigiano Reggiano
atualizado
Compartilhar notícia

Nas últimas semanas, um alimento clássico da culinária italiana ganhou um novo status nas redes sociais da gringa: o parmesão estaria sendo tratado como a “barra de proteína mais saudável do mundo”. A ideia viralizou entre criadores de conteúdo fitness que passaram a consumir pedaços do queijo como lanche rápido e rico em proteína.
Mas será que isso faz sentido do ponto de vista nutricional? A nutricionista Luíza Chedid resolveu analisar a tendência e explicar o que realmente há por trás do hype.
Segundo ela, o parmesão realmente tem qualidades interessantes, mas também exige atenção.
Parmesão tem muita proteína — mas não é só isso
De acordo com a nutricionista, o primeiro ponto que fez o queijo viralizar é verdadeiro: o parmesão é, de fato, um alimento bastante rico em proteína.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Luíza explicou que isso acontece porque o queijo é bastante concentrado. Durante o processo de maturação, a água do leite diminui e os nutrientes ficam mais densos, incluindo as proteínas.
Porém, a especialista faz um alerta importante.
Ver essa foto no Instagram
“Ele também tem uma quantidade elevada de sódio e de gordura. Então não dá para consumir como se fosse uma barra de proteína comum”. Ou seja: apesar do valor nutricional, o consumo precisa ser moderado.
Nem todo parmesão é igual
Outro ponto destacado pela nutricionista é que muitas pessoas não sabem que existem diferenças importantes entre o Parmigiano Reggiano e o parmesão comum vendido no mercado.
O Parmigiano Reggiano tradicional segue regras rígidas de produção.
“O Parmigiano Reggiano é feito basicamente com leite, sal e coalho, e passa por um processo de maturação de no mínimo 12 meses”, explica a nutricionista.
Esse longo período de maturação é justamente o que contribui para a textura mais dura, sabor intenso e maior concentração de nutrientes.
Já muitos parmesões industrializados são produzidos de forma diferente. “Alguns parmesões industrializados podem ter adição de amido, conservantes e passam por menos tempo de maturação”. Isso altera não apenas o sabor, mas também a qualidade nutricional do produto.
Por que o parmesão tem pouca lactose?
Uma característica que chama atenção no parmesão, principalmente para quem tem intolerância, é o baixo teor de lactose. A explicação está justamente no processo de maturação.
Durante esse período, as bactérias responsáveis pela fermentação consomem praticamente toda a lactose presente no leite, transformando esse açúcar em outros compostos.
Com isso, o queijo envelhecido acaba ficando naturalmente com níveis muito baixos de lactose.
Isso não significa que ele seja automaticamente liberado para todas as pessoas intolerantes, mas muitos indivíduos conseguem tolerá-lo melhor do que queijos frescos.
O queijo pode ser saudável
Apesar do sucesso nas redes sociais, a nutricionista reforça que nenhum alimento deve ser analisado isoladamente.
“Ele pode sim ser um alimento nutritivo, mas tudo depende da qualidade do produto, da quantidade consumida e também do contexto intestinal de cada pessoa”, orienta a profissional.
Ou seja, o parmesão pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, mas não deve ser tratado como solução milagrosa para ingestão de proteína.
A tendência viral mostra mais uma vez como alimentos tradicionais podem ganhar novos significados nas redes. Porém, especialistas lembram que informação nutricional precisa sempre vir antes da moda alimentar.
