The Slow Bakery: fábrica de pães de levain produz 5 toneladas por mês
De receitas tradicionais a releituras de clássicos – o joelho é o favorito da clientela –, empresa é pioneira na fermentação natural no Rio

O carioca Rafa Brito Pereira e a brasiliense Ludmila Espíndola, donos da The Slow Bakery, no Rio de Janeiro, não são mais uma incrível história do empresário que largou tudo para viver o sonho. A guinada na empresa – de agência de conteúdo para padaria de fermentação natural – veio da necessidade: o casal quebrou no início de 2014 e precisou se reinventar.
“Na época, tentei voltar para o mercado de audiovisual. Tive muita sorte, consegui um frila bacana, e foi possível desenhar um momento de tranquilidade financeira para o Rafa estudar padaria. Começamos a panificação no escritório da nossa antiga empresa. Um dia, a Bela Gil postou no Instagram que matava a saudade dos pães que comia no exterior com os nossos. Eu não sei como ela chegou a nós, mas foi assim que começou essa história toda”, lembra Ludmila.

A produção artesanal, que variava entre 80 e 100 quilos por mês – o casal entregava os pães pessoalmente aos clientes da capital fluminense –, passou para cinco toneladas em meia década, transição nada fácil. “Nosso pão é de fermentação natural e lenta, nunca saímos desse conceito. Quando abrimos o café, o pão acabava às 16h. A quantidade de desaforo que ouvimos era incrível. No final do dia, a gente dava risada, mas tinha um conflito no ar. Que lugar é esse que não tem o que o cliente quer a tempo e a hora?”, lembra a brasiliense.
A solução chegou alguns meses depois: uma câmara climática para pães, a fermentadora, entrou para o maquinário da produção. “A gente não tinha estrutura para dar conta dessa demanda, tivemos uma pequena crise de 2 ou 3 meses, porque o pão acabava. Com a máquina, nosso produto continua o mesmo: feito à mão, com os padeiros percebendo tudo no olho, no tátil, modelando manualmente”, descreve Ludmila.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO casal de empresários esteve em Brasília no Congresso Abrasel 2019 para apresentar a Slow Bakery ao público brasiliense: na última quarta-feira (14/08/2019), eles falaram sobre o modo de produção da casa, além das transformações que o empreendimento gerou em suas vidas.
Prata da casa
Ludmila e Rafa conseguiram firmar a identidade carioca da Slow Bakery com a releitura de um clássico da cidade, o joelho. O salgado tradicional, encontrado em qualquer esquina do Rio, figura no cardápio, em uma versão com brioche, presunto, queijo e molho bechamel. “Esse joelho é um conflito na padaria até hoje: um salgadinho que costuma figurar em lugares onde não se tem cuidado com qualidade. Mas tem um lugar emocional para a gente, é o que mata a fome do trabalhador, do estudante, e quisemos resgatar isso”, lembra a empresária.
A próxima grande mudança do casal é, mais uma vez, de endereço. A nova The Slow Bakery será inaugurada num espaço de 480 metros, num conceito aberto. Da cafeteria, o cliente poderá ver a produção de pães, num aquário, além de se deliciar com os cheiros e sons da torrefação de cafés especiais que será instalada no espaço. A nova sede tem previsão de inauguração para setembro.

















