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Se há um mercado em expansão na capital federal, é o de cafeterias. Brasília está namorando firme com o café especial. Em 2018, o Metrópoles noticiou ao menos 10 novos estabelecimentos dentro e fora do Plano Piloto, e a cidade sediou pela primeira vez uma competição relacionada à bebida, o Campeonato Brasileiro de Aeropress.

Com a tendência estabelecida, é natural que mais cafeterias estejam pipocando no mapa da cidade. Aficionados da bebida desbravam a vida de empresário em seus estabelecimentos. O caso do Koppe Café, aberto há menos de um mês, é o inverso: Diego Pullig, um dos sócios da casa, acumula duas décadas de administração em shoppings e só descobriu o mundo dos cafés especiais depois da decisão de empreender na área.

Júlia Bandeira/Especial para o Metrópoles

Equipe do Koppe: novo estabelecimento da cidade

 

Na hora da foto, Diego (de cinza, no centro) fez questão de chamar toda a equipe do café. “Meu cotidiano mudou, hoje sou muito mais inquieto. Saber que temos um produto excelente mexeu comigo, mesmo com a insegurança: será que Brasília está pronta para um café assim? Quero acreditar que sim”, comenta o empresário. Na casa, ele oferece grãos da torrefação Mon Coffee nos métodos Hario V60 e aeropress e no espresso, da Fontenelle. Com cardápio elaborado pelo chef Bruno Barboza, a casa funciona nos três turnos. “Fiz questão de cobrir todas as refeições, principalmente o almoço”, conta Pullig.

 

Encontros fortuitos
Quando os sócios – e pai e filha – André Basílio e Letícia Gomes começaram a pesquisar cafés para seu novo empreendimento, o Croqui Café, jamais imaginariam a sorte de encontrar amigos de velha data em suas andanças. Pesquisando os grãos de Itajubá (MG), terra natal de André, a família descobriu que colegas de infância do empreendedor são os donos das torrefações Tocaya e Pereira Vilela. Surgiu assim uma parceria, e o novo empreendimento do Lago Norte recebe todas as novidades dessas marcas.

O conceito do Croqui é um pouco diferente: a ideia é aliar, tanto no dia a dia quanto em eventos, o café especial e a moda, paixões, respectivamente, do pai e da filha. “A ideia é mostrar ao nosso público que tanto a bebida quanto o tecido são produtos que antigamente eram considerados nobres, e hoje evoluíram e se popularizaram”, define Letícia. Além dos grãos mineiros, a casa ainda oferece cafés da Anero e da Together nos métodos espresso, Hario V60, aeropress e prensa francesa.

 

Outro encontro de sorte foi o da designer Gabriela Ishii e do empresário Helio Nakanishi, proprietário da rede Helio Diff. A jovem havia saído do emprego anterior, frustrada com os rumos da carreira, e estava vendendo cookies em uma feira de gastronomia japonesa quando foi apresentada, pelo pai, Edson Ishii, ao cabeleireiro. Ao ver os biscoitos caseiros da moça, o empresário não titubeou: convidou pai e filha para tocar o café que queria abrir em seu estabelecimento no Lago Sul.

“Sempre gostei de cozinhar, minha relação com meu pai foi permeada pela comida. Desde que eu era pequena, a gente acorda sábado para comprar ingredientes e passar o domingo preparando os alimentos. Mas eu não tinha esse propósito profissional, caí de paraquedas”, comenta a moça, que decidiu dar uma roupagem nipônica ao Teru Café.

 

“Aqui em Brasília tem muito restaurante japonês, mas não tem os docinhos dos cafés do Japão”, comenta Gabriela, que incluiu quitutes com matcha no cardápio. “Eu queria uma loja de conveniência para minhas clientes, mas sem aquelas comidas prontas, industrializadas. A boa comida, afinal, mantém unhas e cabelos saudáveis”, brinca Nakanishi.

Casas novas
A nutricionista Patrícia Gentil estava em busca de ajuda para abrir seu café e encontrou nas irmãs Cristine e Michelle Gentil as sócias ideais. “A gente fez curso de barista, nos aprofundamos no mundo do café, minha mãe veio para a cozinha, adaptou as receitas de bolo que fazia em casa”, lembra Cristine, a irmã jornalista que cuida de redes sociais, marketing e contato com o cliente.

Com menos de três meses de funcionamento, o Gentil Café fidelizou clientes não só pelos métodos de extração do grão – a casa conta com espresso, Hario V60, aeropress, prensa francesa e o pernambucano Koar –, mas pelos concorridos bolos da mãe do trio, Sara Gentil. “Quando começamos a falar que íamos abrir o café, o povo perguntava se ia ter os doces dela. Meus pais sempre foram anfitriões, nossa casa vivia cheia”, lembra Cristine.

A jornalista ainda se impressiona com a paixão da clientela pela bebida. “As pessoas se acostumaram a tomar um bom café em Brasília, temos um ótimo retorno. O público da cidade é interessado, é impressionante como muita gente já vem educada. Mas também tem quem vem para descobrir”, descreve Cristine.

 

O fim de 2018 ainda reservou algumas surpresas para os coffee lovers de plantão. Na Asa Norte, o modesto Casinha Café tem um cardápio inteiramente vegano, com receitas como cookie, matcha latte, waffles, pães de beijo e coxinha de palmito, alho-poró e creme de castanha-de-caju na massa de batata-baroa, para a alegria dos celíacos. A casa não tem espresso e serve o café coado ou na prensa francesa.

No Papílio Café, no Lago Sul, a proposta é prover as três refeições. Desde as tapiocas do café da manhã aos almoços bem servidos, passando pelos bolos da sobremesa, o cardápio da casa é enxuto e diverso. Para beber, a casa oferece café espresso e coado, além do chocolate quente com uma generosa dose de Nutella.

 

A Labecca abriu uma casa nova no Plano Piloto: na 408 Sul, o estabelecimento conta com o mesmo menu da loja do Lago. O espaçoso café tem uma novidade para a criançada: um parquinho do lado de fora, para brincar à vontade com os pais de olho.

Confira o serviço das casas citadas na matéria (em ordem alfabética):
Casinha Café
411 Norte, Bloco D, Loja 41. Terça a sábado, das 16h às 22h

Croqui Café
SHIN, CA 5, Bloco B4, Loja 5. Terça a sexta, das 13h às 21h; sábado, das 10h às 17h; domingo, das 10h às 15h

Gentil Café
410 Sul, Bloco B, Loja 36. Segunda a sexta, das 12h às 21h; sábado, das 11h às 21h

Koppe Cafés Especiais
403 Sul, Bloco D, Loja 16. Terça a sábado, das 9h às 21h; domingo, das 9h às 16h

Labecca
408 Sul, Bloco B, Loja 11. Terça a sexta, das 13h às 22h; sábado e domingo, das 8h às 14h

Papílio Café
SHIS, QI 5, Bloco D, Loja 3. Segunda a sexta, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 14h

Teru Café
SHIS, QL 8, Conjunto 1, Casa 3. Segunda a sábado, das 9h às 20h30