Naja: vídeo levanta suspeitas de que PMs agiram para proteger investigados

Os investigadores dizem ter encontrado “severas dificuldades” para apurar o caso devido à conduta de coronel e do batalhão ambiental

atualizado

metropoles.com

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Hugo Barreto/Metrópoles
Pedro Krambeck
1 de 1 Pedro Krambeck - Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Imagens do circuito de segurança do Shopping Píer 21 obtidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama) colocam policiais do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) da PMDF na investigação envolvendo ocultação de provas e tráfico internacional de animais. Relatórios que fazem parte do inquérito, obtidos com exclusividade pelo Metrópoles, levantam suspeita de que eles tenham agido supostamente para proteger os alvos da Operação Snake e atrapalhar o trabalho da PCDF.

Segundo os documentos, as gravações mostram o momento em que o estudante de medicina veterinária Gabriel Ribeiro, 24 anos, amigo de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22, deixa a cobra Naja no estacionamento do estabelecimento comercial. Uma equipe da PM aparece no local em menos de um minuto e recolhe o animal.

A serpente estava dentro de uma caixa de plástico, próximo a um barranco, nas redondezas do Píer 21, no Setor de Clubes Sul. O fato ocorreu em 8 de julho, um dia após Pedro ser picado pela Naja. O rapaz foi levado ao Hospital Maria Auxiliadora, no Gama, chegou a ficar internado, em coma.

No dia seguinte à apreensão da cobra, os policiais militares retornaram à 14ª DP com mais 16 serpentes. Todos os animais pertencem a Pedro Henrique e não tinham documentação. Estavam escondidos dentro de uma baia de cavalo em um haras do núcleo rural Taquara, em Planaltina.

“Mais uma vez, a PMDF apresentou os animais arrecadados sem conduzir ninguém à delegacia. Sendo que, coincidentemente, após poucos instantes, compareceu a esta circunscricional ‘espontaneamente’ o filho do dono do haras e também amigo de Pedro Henrique e Gabriel Ribeiro”, diz o inquérito conduzido pela Polícia Civil. O rapaz foi ouvido e confirmou ter permitido que Gabriel escondesse as serpentes de Pedro no local.
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8 imagens
Serpente em caixa de plástico
Foram 16 no total
BPMA identificou o local
Elas estavam guardadas em caixas
Répteis estavam dentro de uma baia de cavalo
Cobras apreendidas pelo Batalhão de Polícia Ambiental após uma naja picar um jovem acusado de tráfico de animais
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Cobras apreendidas pelo Batalhão de Polícia Ambiental após uma naja picar um jovem acusado de tráfico de animais

PMDF/Divulgação
Serpente em caixa de plástico
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Serpente em caixa de plástico

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Foram 16 no total
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Foram 16 no total

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BPMA identificou o local
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BPMA identificou o local

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Elas estavam guardadas em caixas
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Elas estavam guardadas em caixas

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Répteis estavam dentro de uma baia de cavalo
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Répteis estavam dentro de uma baia de cavalo

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Cobras encontradas pela PMDF na operação
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Cobras encontradas pela PMDF na operação

PMDF/Divulgação
Local onde as serpentes foram encontradas
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Local onde as serpentes foram encontradas

PMDF/Divulgação

 

Segundo o depoimento dos policiais militares que apreenderam os animais, a empreitada ocorreu após a equipe receber denúncia anônima. Os PMs narram que receberam um ponto de referência e acabaram encontrando um haras. No imóvel, foram recebidos por um capataz, que indicou o local onde estavam as cobras. Os militares alegaram que não foi preciso conduzir a testemunha até a delegacia “pelo fato de residir ricamente naquele local”.

“Diante desse cenário, percebe-se que, desde o início da investigação, a autoridade policial responsável pela apuração vem encontrando severas dificuldades no tocante à obtenção de provas, o que decorre, lamentavelmente, da conduta praticada por policiais militares, especialmente o padrasto de Pedro, coronel Clovis Condi, e os policiais lotados no BPMA/PMDF comandado pelo major Elias Costa”, diz um dos trechos dos relatórios.

Condi é irmão do subcomandante-geral da corporação, Claudio Fernando Condi, e padrasto de Pedro Henrique. Assim como a mãe do rapaz, Rose Meire, ele também é investigado no âmbito da Operação Snake. Acionada, a Polícia disse que as “investigações da PCDF não estão no rol das atribuições institucionais da PMDF”.


Tráfico

Segundo a PCDF, a partir dos elementos colhidos durante as investigações, foi possível verificar, pela grande quantidade de animais apreendidos, que “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador.”

A afirmação é corroborada por mensagens de texto trocadas entre o jovem e a mãe dele. Na ocasião, o universitário passava pela cidade de Ibotirama (BA) e trazia consigo uma cobra.  Ele também mantinha contatos de outros traficantes de animais.

Com relação ao coronel Clovis Eduardo Condi, embora ele tenha negado que tivesse conhecimento das serpentes encontradas com o enteado, há elementos que o ligam aos crimes, ainda segundo a PCDF. Os investigadores tiveram acesso a imagens do elevador do condomínio residencial da família e da casa de Gabriel Ribeiro, o amigo de Pedro, que também está preso.

As gravações mostram o militar ajudando a esconder cobras clandestinas. Condi, acompanhado por seu filho menor, retirou as serpentes do interior da residência da família, e mandou, juntamente com Rose Meire, que Gabriel “desse sumiço” nos animais, os quais foram localizados em um haras de Planaltina. Gabriel contou com o auxílio de uma mulher.

Prisão
Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl foi preso em casa, na madrugada desta quarta-feira (29/7), conforme revelado pelo Metrópoles.

O estudante, 22, foi picado por uma cobra Naja kaouthia que criava como animal de estimação, apesar de a serpente não ser natural de nenhum habitat brasileiro. A suspeita é que o animal tenha sido trazido para o Distrito Federal a partir de uma licença irregular, emitida por uma servidora do próprio Ibama, que já foi afastada do cargo.

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Na ocasião, ele estava no apartamento onde mora com a mãe e o padrasto, no Guará
O estudante de veterinária foi picado pela Naja que criava ilegamente
O rapaz chegou a ficar em coma após a picada da serpente
Nas redes sociais, ele ostentava fotos com diversos tipos de animais silvestres
A polícia investiga a suspeita de que o rapaz tenha envolvimento com o tráfico de animais no DF
Pedro Krambeck chegou a ser preso pela Polícia Civil do DF
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Pedro Krambeck chegou a ser preso pela Polícia Civil do DF

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Na ocasião, ele estava no apartamento onde mora com a mãe e o padrasto, no Guará
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Na ocasião, ele estava no apartamento onde mora com a mãe e o padrasto, no Guará

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O estudante de veterinária foi picado pela Naja que criava ilegamente
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O estudante de veterinária foi picado pela Naja que criava ilegamente

Foto: Reprodução
O rapaz chegou a ficar em coma após a picada da serpente
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O rapaz chegou a ficar em coma após a picada da serpente

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Nas redes sociais, ele ostentava fotos com diversos tipos de animais silvestres
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Nas redes sociais, ele ostentava fotos com diversos tipos de animais silvestres

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A polícia investiga a suspeita de que o rapaz tenha envolvimento com o tráfico de animais no DF
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A polícia investiga a suspeita de que o rapaz tenha envolvimento com o tráfico de animais no DF

Arquivo/Metrópoles
Pedro foi detido no apartamento onde mora no Guará
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Pedro foi detido no apartamento onde mora no Guará

Arquivo/Metrópoles
Policiais na casa de Pedro na manhã do dia 29 de julho
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Policiais na casa de Pedro na manhã do dia 29 de julho

Rafaela Felicciano/Metrópoles
No Brasil, não há Najas, logo, o soro que combate o veneno desse tipo de serpente é raro
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No Brasil, não há Najas, logo, o soro que combate o veneno desse tipo de serpente é raro

Material Cedido ao Metrópoles
Ela costuma viver em regiões da África e da Ásia
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Ela costuma viver em regiões da África e da Ásia

Material Cedido ao Metrópoles
A Naja não é uma cobra típica do Brasil
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A Naja não é uma cobra típica do Brasil

Foto: Reprodução
Zoológico de Brasília fez ensaio fotográfico com cobra que picou estudante
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Zoológico de Brasília fez ensaio fotográfico com cobra que picou estudante

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Brasil não tem soro para o animal
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Brasil não tem soro para o animal

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
A serpente não é natural de nenhum habitat brasileiro
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A serpente não é natural de nenhum habitat brasileiro

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Naja: vídeo levanta suspeitas de que PMs agiram para proteger investigados - imagem 15
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A Naja foi transferida para o Butantan, em SP
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A Naja foi transferida para o Butantan, em SP

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Naja no Zoo
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Naja no Zoo

Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília
No Zoo de Brasília, serpente ganhou espaço próprio para sua espécie
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No Zoo de Brasília, serpente ganhou espaço próprio para sua espécie

Ivan Mattos/Zoológico de Brasília/Reprodução
Naja: vídeo levanta suspeitas de que PMs agiram para proteger investigados - imagem 19
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Ivan Mattos/ Zoológico de Brasília

O mandado de prisão temporária foi cumprido no âmbito da quarta fase da Operação Snake e teve apoio de uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) da PCDF e da Polícia Federal.

 

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