Jovem que escondeu Naja se sente “ameaçado e obrigado a proteger PM”

Integrantes do Batalhão Ambiental (BPMA) têm atuado na tentativa de desvincular as serpentes aos nomes dos investigados, afirma a polícia

atualizado 31/07/2020 12:02

Gabriel RibeiroRafaela Felicciano/Metrópoles

Novo documento que faz parte do inquérito conduzido pela Polícia Civil do DF (PCDF), ao qual o Metrópoles teve acesso com exclusividade, aponta que o estudante de medicina veterinária Gabriel Ribeiro (foto em destaque), 24 anos, o jovem que escondeu a cobra Naja, “encontra-se visivelmente ameaçado”, uma vez que procura proteger o padrasto de Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl, 22, coronel da Polícia Militar do DF (PMDF) Clovis Eduardo Condi.

Gabriel é amigo de Pedro. Ambos estão presos temporariamente. Ainda segundo o documento, desde o início das investigações conduzidas pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama), integrantes do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA) têm atuado na tentativa de desvincular as serpentes localizadas dos investigados.

“Conforme fica evidenciada, inclusive por denúncia anônima, a atuação de policiais daquele Batalhão na tentativa de ocultar os fatos, bem como pelo depoimento de Gabriel no sentido de que foi interrogado por policiais militares no Cetas/Ibama, quando foi realizar a entrega espontânea de duas serpentes, após orientação, e pelo fato de ter o BPMA comparecido à residência de Gabriel no dia anterior ao cumprimento de mandados de busca e apreensão, fato que atrapalhou sobremaneira as investigações”, destacou a PCDF.

Após ser picado por uma Naja, Pedro se tornou suspeito de integrar associação criminosa de tráfico de animais. Durante as apurações, os policiais chegaram até Gabriel Ribeiro, que escondeu a serpente perto do Shopping Pier 21, no Lago Sul. Ele é acusado de crimes de maus-tratos, posse ilegal de animais silvestres e crime contra a saúde pública.

 

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Investigadores da 14ª DP detalham que as serpentes encontradas com Pedro eram mantidas em caixas empilhadas à vista de qualquer visitante e que a criação de camundongos era feita na área de serviço da residência em que rapaz mora com a mãe, Rose Meire, e o padrasto, no Guará.

Tráfico
Segundo a PCDF, a partir dos elementos colhidos durante as investigações, foi possível verificar, pela grande quantidade de animais apreendidos, que “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador.”

A afirmação é corroborada por mensagens de texto trocadas entre o jovem e Rose Meire (mãe de Pedro). Na ocasião, Pedro passava pela cidade de Ibotirama (BA) e trazia consigo uma cobra.  Ele também mantinha contatos de outros traficantes de animais.

Com relação ao coronel Clovis Eduardo Condi, da PMDF, embora também ele já tenha negado que tivesse conhecimento das serpentes, há elementos que ligam o militar aos crimes. Os investigadores tiveram acesso a imagens do elevador do condomínio residencial da família e na casa de Gabriel Ribeiro, o amigo de Pedro que também está preso.

As gravações mostram o militar ajudando a esconder cobras clandestinas. Condi, acompanhado por seu filho menor, retirou as serpentes do interior da residência da família, e mandou, juntamente com Rose Meire, que Gabriel “desse sumiço” nos animais, os quais foram localizados em um haras de Planaltina. Gabriel contou com o auxílio de uma mulher.

Prisão
Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl foi preso em casa, na madrugada desta quarta-feira (29/7), conforme revelado pelo Metrópoles.

O estudante, de 22 anos, foi picado por uma cobra Naja kaouthia que criava como animal de estimação, apesar de a serpente não ser natural de nenhum habitat brasileiro. A suspeita é que o animal tenha sido trazido para o Distrito Federal a partir de uma licença irregular, emitida por uma servidora do próprio Ibama, que já foi afastada do cargo.

O mandado de prisão temporária foi cumprido no âmbito da quarta fase da Operação Snake e teve apoio de uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) da PCDF.

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