“É traficante de animais e não mero colecionador”, diz PCDF sobre jovem picado por Naja

Coronel da PMDF, padrasto de Pedro Krambeck também é investigado por praticar crimes ambientais.

atualizado 29/07/2020 10:09

Pedro KrambeckRafaela Felicciano/Metrópoles

O Metrópoles teve acesso, com exclusividade, a novos documentos do inquérito que faz parte das investigações sobre o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl.  A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) constatou crimes de maus-tratos, posse ilegal de animais silvestres, associação criminosa e contra a saúde pública. Para a corporação, “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador”.

Investigadores da 14ª Delegacia de Polícia (Gama), responsáveis pelo caso, detalham que as cobras eram mantidas em caixas empilhadas à vista de qualquer visitante, e que a criação de camundongos era realizada na área de serviço da residência em que Pedro mora com a mãe, Rose Meire, e o padrasto, o coronel da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Clovis Eduardo Condi. O casal também é suspeito de envolvimento no tráfico de animais.

Segundo a PCDF, a partir dos elementos colhidos durante as investigações, foi possível verificar que, pela grande quantidade de animais apreendidos, “Pedro Henrique é traficante de animais silvestres e não mero colecionador.”

A afirmação é corroborada por mensagens de texto trocadas entre o jovem e a mãe, Rose Meire. Na ocasião, Pedro passava pela cidade de Ibotirama (BA) e trazia consigo uma cobra.  Ele também mantinha contato com outros traficantes de animais.

“Elementos de informação coligidos, como fotografias, imagens e mensagens de texto trocadas entre ela e Pedro Henrique, demonstram que ela (Rose Meire) não somente tinha ciência, como também auxiliava nos cuidados com os animais, tendo, inclusive, mensagens, relatando a Pedro Henrique a fuga de uma das cobras, além de comentários acerca das condições de uma das espécimes que havia colocado dezesseis ovos”, diz um trecho do relatório ao qual o Metrópoles teve acesso.

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Com relação ao coronel Clovis Eduardo Condi, da PMDF, embora também ele já tenha negado que tivesse conhecimento das serpentes, há elementos que ligam ele aos crimes. Os investigadores tiveram acesso a imagens do elevador do condomínio residencial da família e da casa de Gabriel Ribeiro, um amigo de Pedro que também foi preso.

As gravações mostram o militar ajudando a esconder cobras clandestinas. Condi, acompanhado por seu filho menor, retirou as serpentes do interior da residência da família, e mandou, juntamente com Rose Meire, que Gabriel “desse sumiço” nos animais, os quais foram localizados em um haras de Planaltina. Gabriel contou com o auxílio de uma terceira pessoa, uma mulher.

Prisão

A 14ª Delegacia de Polícia (Gama) prendeu Pedro Krambeck , na manhã desta quarta-feira (29/7). O mandado de prisão foi cumprido no Guará, no apartamento onde ele mora.

O estudante, de 22 anos, foi picado por uma cobra Naja kaouthia que criava como animal de estimação, apesar de a serpente não ser natural de nenhum habitat brasileiro. A suspeita é que o animal tenha sido trazido para o Distrito Federal a partir de uma licença irregular, emitida por uma servidora do próprio Ibama, que já foi afastada do cargo.

O mandado de prisão temporária é cumprido no âmbito da quarta fase da Operação Snake e teve apoio de uma equipe do Instituto de Medicina Legal (IML) da PCDF.

Um perito médico-legista da PCDF acompanha a diligência para verificar as condições de saúde do jovem, por conta da notícia de que ele está com a saúde supostamente fragilizada em razão de ter recebido alta da unidade de terapia intensiva (UTI) há poucos dias, onde esteve em tratamento para se curar das consequências oriundas do veneno da cobra.

A prisão temporária, com prazo inicial de cinco dias, foi decretada pela 1ª Vara Criminal do Gama, após representação da PCDF. Os investigadores constataram indícios de que o alvo, juntamente com outros investigados, estaria envolvido em uma associação criminosa responsável, entre outras condutas, pela destruição das provas relacionadas aos crimes ambientais.

Memória

Pedro foi picado pela Naja no dia 7 de julho. Levado ao Hospital Maria Auxiliadora, no Gama, chegou a ficar internado, em coma.

Assim que foi picado pela serpente, o amigo Gabriel Ribeiro, que está preso, iniciou uma peregrinação a fim de esconder os animais clandestinos que Pedro criava.

A Naja foi achada perto do shopping Pier 21. Outras 16 serpentes, em uma chácara em Planaltina.

 

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