Maior chacina do DF: júri entra no 2º dia com depoimento de 16 pessoas
Réus são acusados de matar 10 pessoas da mesma família, inclusive três crianças. A expectativa é que o julgamento termine apenas dia 19/4
atualizado
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O Tribunal do Júri da maior chacina do Distrito Federal foi retomado na manhã desta terça-feira (14/4), no fórum de Planaltina, para o segundo dia de julgamento dos cinco réus pela morte de 10 pessoas de uma mesma família.
O Júri teve início na segunda-feira (13/4), por volta das 10h, e se estendeu até as 20h, com depoimentos colhidos de 6 testemunhas. A expectativa é que outras 16 pessoas, entre familiares e policiais que atuaram no caso, prestem depoimento nos próximos dias. Conforme informado pelo Ministério Público, o Júri deve ser encerrado apenas em 19 de abril.
No primeiro dia de júri, testemunhas detalharam o que sabem sobre o crime. Um dos investigadores da polícia civil que atuou no caso afirmou que, através da perícia, foi confirmado que as três crianças vítimas da chacina foram queimadas vivas.
Também foi apontado que após a morte dos primeiros familiares, os acusados passaram a usar o celular das vítimas para responder mensagens de parentes e amigos para tentar despistar o crime.
Sentam no banco dos réus os seguintes acusados:
- Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano;
- Horácio Carlos Ferreira Barbosa: atuou diretamente nos assassinatos;
- Carlomam dos Santos Nogueira: participou dos sequestros e execuções;
- Fabrício Silva Canhedo: responsável pela vigilância do cativeiro em parte do período;
- Carlos Henrique Alves da Silva: participou da rendição de vítimas.
O quinteto foi transferido para o tribunal sob escolta da Polícia Penal e, apesar de estarem lado a lado, não podem se comunicar durante a sessão.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT), se condenados, os acusados podem ter até 358 anos de prisão.
Eles respondem por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
Entenda o caso
- Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
- O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
- Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
- As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
- No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias.
- Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
- Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
- O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
- Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
- Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
- Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
- Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
No primeiro dia do julgamento, a mãe de Elizamar, uma das vítimas da chacina contou como tem lidado com o luto e o que espera do julgamento. Ela afirmou que a morte da filha e dos netos é uma dor que não passa, mas acredita na condenação dos acusados.
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