Crianças foram queimadas vivas, diz policial durante júri de chacina
Menores foram sequestrados, junto com a mãe Elizamar. Os corpos de mãe e filhos foram encontrado em 12 de janeiro de 2023
atualizado
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Durante depoimento no Tribunal do Júri do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, um investigador da Polícia Civil do DF que atuou nas investigações do crime detalhou que três crianças – integrantes de uma mesma família assassinada em janeiro de 2023, foram queimadas vivas.
Rafael, 6 anos; Rafaela, 6; e Gabriel, 7, eram filhos da cabeleireira Elizamar da Silva. Conforme informado pelo policial, os menores ainda estavam vivos quando os assassinos atearam fogo no veículo onde eles estavam. Os três respiraram fumaça e morreram carbonizados.
Elizamar, de acordo com o relato, morreu por possível asfixia mecânica e teve o corpo carbonizado em seguida.
Ela e os filhos foram sequestrados no DF e levados para Cristalina, em Goiás. Lá, eles foram mortos dentro do veículo utilizado no sequestro. Os corpos de mãe e filhos foram encontrado em 12 de janeiro de 2023.
O crime brutal, cometido com requintes de crueldade, foi praticado por pessoas próximas às vítimas, que tinham como objetivo a apropriação da chácara onde que viviam os integrantes da família. A área, contudo, nem sequer pertencia aos mortos.
As vítimas são:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia
Detalhes das execuções
De acordo com o policial ouvido no tribunal, Marcos – o patriarca da família, morreu por um disparo de arma de fogo na cabeça. O corpo foi decapitado e esquartejado.
Já no corpo de Thiago havia sinais de amarração nos membros superiores e inferiores, e a causa da morte foi asfixia por sufocação direta, por meio de uma gase.
No corpo de Cláudia também havia sinais de amarração nos membros superiores e inferiores. Segundo o exame, a causa da morte foi hipovolemia por esgorjamento — quando há grande perda de sangue devido a um corte na região lateral do pescoço. Ana Beatriz morreu da mesma forma.
Já em relação a Renata e Gabriela, os peritos não conseguiram determinar a causa da morte, porque os corpos estavam muito carbonizados.
O Crime
A barbárie foi cometida em janeiro de 2023, mas os criminosos começaram a arquitetar o plano três meses antes, em outubro de 2022.
A participação de cada um no crime segundo o MPDFT
- Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano, Gideon morava na chácara das vítimas porque prestava serviços gerais à família. Ele confessou que, junto a Horácio, planejou todo o crime e alugou a casa onde manteve as vítimas escondidas antes de matá-las.
- Horácio Carlos Ferreira Barbosa: assim como Gideon, morava na chácara prestando serviços gerais. Horácio atuou diretamente nos assassinatos se fingindo de vítima durante um assalto fake; sequestrando vítimas; enviando mensagens a familiares das vítimas se passando por elas; e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.
- Carlomam dos Santos Nogueira: se embrenhou no plano criminoso e participou diretamente dos sequestros e execuções. É o autor do tiro na nuca que matou Marcos Antônio, autodeclarado dono da chácara. Chegou a ficar foragido após as prisões de Gideon e Horácio, mas se entregou dias depois.
- Fabrício Silva Canhedo: além de atuar nos sequestros, foi responsável pela vigilância do cativeiro onde as vítimas ficaram escondidas e também pela ocultação do carro de Cláudia, “segunda esposa” de Marcos Antônio.
- Carlos Henrique Alves da Silva: último a ser preso, participou da rendição de vítimas. Tentou fugir pelo telhado de casa ao ser localizado por policiais.
Os cinco réus vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
Se condenados, os criminosos podem pegar mais de 70 anos de prisão cada. Somadas, as penas podem chegar a 358 anos.
Motivação
Durante o depoimento ao tribunal do júri, o investigador da PCDF contou que a questão da Chácara como motivação do crime deixou dúvidas, pois um dos envolvidos na morte sabia que a casa não era de Marcos.
“Executaram para que os familiares não fossem atrás dos outros. Marcos tinha posse da chácara, mas estava em disputa judicial, Gedeon sabia disso”, declarou.
No final, segundo o policial, quase todos os envolvidos confessaram em partes os crimes. Conforme relatou o agente, Gedeon e Horacio apresentaram como motivação a posse da chácara, mas o policial disse desconfiar de uma espécie de ódio desenvolvido na convivência entre Marcos e os presos.
Segundo a investigação da polícia, em 18 dias, Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira, Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves assassinaram as 10 pessoas. O crime também teve a participação de um adolescente.
Passo a passo do crime
A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.
A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família.
Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.
Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal.
Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos, e os corpos, queimados dentro de um carro
Na sequência, os acusados mataram as demais vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram assassinadas.
Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos, e os corpos escondidos em uma cisterna.
Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.
