Advogado de vítimas de chacina diz que réus deveriam ter pena de morte. Veja vídeo

Advogado que defende familiares das vítimas da maior chacina do DF afirma que legislação brasileira não tem condições de responsabilizar

atualizado

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O advogado João Darc, que representa os familiares das vítimas da maior chacina do DF, afirmou, nesta segunda-feira (13/4), momentos antes do começo do julgamento, que a legislação brasileira não prevê pena compatível para responsabilizar “tamanha monstruosidade” cometida contra uma família inteira. Para ele, os réus deveriam ser julgados em locais onde há pena de morte prevista.

“Entendemos que nosso ordenamento jurídico não é suficiente hoje para condenar pessoas tão monstruosas quanto foram esses delinquentes. Na minha ótica, não temos ordenamento jurídico para dar uma resposta satisfatória para a família e para a sociedade. Esses cidadão deveriam estar sendo julgados no Texas ou na California [nos Estados Unidos], onde tem pena de morte”, disse.

Mais de 3 anos após o crime bárbaro que chocou o Distrito Federal, criminosos que assassinaram 10 pessoas de uma mesma família serão levados, nesta segunda-feira (13/4), ao banco dos réus do Tribunal de Júri de Planaltina.

O crime brutal, cometido com requintes de crueldade, foi praticado por pessoas próximas às vítimas, que tinham como objetivo a apropriação da casa em que viviam os integrantes da família.

Segundo o advogado, a expectativa da família das vitimas é que “haja justiça” e que os “criminosos peguem pena máxima”.

“Não precisa sequer ser operador do direito para entendermos a crueldade que foi praticada pelos acusados. Basta sabermos que três crianças foram estranguladas e depois carbonizadas dentro de um carro. Vamos esperar uma resposta satisfatória dos jurados”, pontuou.
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Polícia Penal escolta os réus do julgamento da maior chacina do DF
Julgamento do caso conhecido como a chacina do DF
Júri maior chacina do DF
Advogado da família morta na maior chacina do DF
Advogado das vítimas da maior chacina do DF
Chegada dos presos escoltados pela Polícia Penal ao júri da maior chacina do DF
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Chegada dos presos escoltados pela Polícia Penal ao júri da maior chacina do DF

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Advogado das vítimas da maior chacina do DF

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Conforme detalhou João Darc, a previsão é de que as testemunhas sejam ouvidas entre esta segunda-feira e terça-feira (14/4). No total 22 pessoas, entre familiares e conhecidos, testemunharão ao longo do julgamento.

Se condenados, os criminosos podem pegar mais de 70 anos de prisão cada. Somadas, as penas podem chegar a 358 anos.

Relembre o caso

A barbárie foi realizada em janeiro de 2023, mas os criminosos começaram a arquitetar o plano três meses antes, em outubro de 2022.

Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva responderão por seis crimes diferentes.

Relembre a participação de cada um no crime:

  • Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano, Gideon morava na chácara das vítimas porque prestava serviços gerais à família. Ele confessou que, junto a Horácio, planejou todo o crime e alugou a casa onde manteve as vítimas escondidas antes de matá-las.
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: assim como Gideon, morava na chácara prestando serviços gerais. Horácio atuou diretamente nos assassinatos se fingindo de vítima durante um assalto fake; sequestrando vítimas; enviando mensagens a familiares das vítimas se passando por elas; e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.
  • Carlomam dos Santos Nogueira: se embrenhou no plano criminoso e participou diretamente dos sequestros e execuções. É o autor do tiro na nuca que matou Marcos Antônio, autodeclarado dono da chácara. Chegou a ficar foragido após as prisões de Gideon e Horácio, mas se entregou dias depois.
  • Fabrício Silva Canhedo: além de atuar nos sequestros, foi responsável pela vigilância do cativeiro onde as vítimas ficaram escondidas e também pela ocultação do carro de Cláudia, “segunda esposa” de Marcos Antônio.
  • Carlos Henrique Alves da Silva: último a ser preso, participou da rendição de vítimas. Tentou fugir pelo telhado de casa ao ser localizado por policiais.

Os cinco réus vão responder pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

Defesa de Carlos Henrique

Vanessa Ramos, advogada de Carlos Henrique, ao lado do também advogado do Carlos, doutor Antônio Sardinha afirmou que durante o julgamento, o réu vai apresentar  “a real versão dos fatos”.

“Durante todo o julgamento, durante toda essa semana, a defesa de Carlos Henrique vai buscar sim a correta aplicação da lei pra que ele seja responsabilizado pelos atos e unicamente pelos atos que ele praticou. Aqui, [Carlos]vai dar a versão dele. Não vamos adiantar nossas teses agora porque a semana vai ser longa. Mas falaremos que ele vai dar a real versão do que aconteceu de acordo com o que tem no processo”, pontuaram os advogados de defesa.

Eles disseram que o tribunal do júri não é o melhor lugar para julgar o caso, pois um “juiz seria mais justo”, mas disseram que falarão mais sobre os motivos de não ser legal o julgamento no Júri ao longo da semana

Mais sobre o caso

Avaliado em R$ 2 milhões, o terreno no Itapoã que motivou os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas tem cachoeira privativa, ampla área de capim de gado e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.

O plano, então, era assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar qualquer herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.

Os integrantes da família, então, foram atraídos para emboscadas e assassinados um por um. São eles:

  • Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca
  • Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos
  • Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal
  • Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal
  • Elizamar da Silva – esposa de Thiago
  • Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar
  • Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos
  • Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia

A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro, em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.

A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família.

Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.

Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os três filhos pequenos do casal.

Os quatro foram levados até Cristalina (GO), onde foram mortos, e os corpos, queimados dentro de um carro.

Na sequência, os acusados mataram as demais vítimas mantidas em cativeiro para evitar que os crimes fossem descobertos. Renata e Gabriela foram levadas até Unaí (MG), onde foram assassinadas.

Por fim, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram mortos, e os corpos escondidos em uma cisterna.

Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.

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