Maior chacina do DF: confira a denúncia do crime ponto a ponto
Em 2023, cinco homens mataram 10 pessoas da mesma família. Os criminosos vão a júri nesta segunda-feira (13/4)
atualizado
Compartilhar notícia

A denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) que tornou réus cinco acusados pela maior chacina do DF detalha um plano criminoso marcado por sequestros, extorsões e a execução de 10 pessoas da mesma família, motivado pela disputa por uma chácara no Itapoã (DF).
Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Gideon Batista de Menezes vão ao Tribunal do Júri, às 9h, desta segunda-feira (13/4), no Fórum de Planaltina (DF).
Conforme a denúncia do MPDFT, os criminosos podem acumular 358 anos de pena.
Eles responderão pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
O crime foi cometido em janeiro de 2023, mas os criminosos começaram a arquitetar o plano três meses antes.
O plano, segundo a investigação, era matar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar herdeiros. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto.
“As investigações mostraram que, entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, que estava sob a posse de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. Também era parte do plano dos réus subtrair valores em dinheiro da família da vítima. Para isso, o combinado inicial era matar Marcos e sequestrar pessoas da família dele”, pontua o MPDFT.
Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e mortos um a um. As vítimas são:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca;
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos;
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal;
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal;
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago;
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar;
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.
Entenda o caso
- Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã, e também obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
- O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar familiares.
- Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil.
- As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina, onde Marcos foi morto e enterrado.
- No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias.
- Com os aparelhos, os criminosos passaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
- Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
- O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere.
- Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
- Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima.
- Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
- Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados.
- Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
- Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
Tribunal de Júri
O julgamento dos cinco réus apontados como autores da maior chacina da história do Distrito Federal começa na manhã desta segunda-feira (13/4). Somadas, as penas podem chegar a 358 anos.
De acordo com a denúncia do MPDFT, mais de 100 crimes foram cometidos pelos acusados. À época, o promotor de Justiça Daniel Bernoulli afirmou: “De acordo com as investigações, mais de 100 crimes foram cometidos pelos denunciados. Somadas, as penas podem variar de 211 a 385 anos, conforme o Código de Processo Penal”.
O crime aconteceu em 2023 e chocou o país à época.
Quem são os acusados:
- Gideon Batista de Menezes: apontado como um dos principais articuladores do plano, Gideon morava na chácara das vítimas porque prestava serviços gerais à família. Ele confessou que, junto a Horácio, planejou todo o crime e alugou a casa onde manteve as vítimas escondidas antes de matá-las.
- Horácio Carlos Ferreira Barbosa: assim como Gideon, morava na chácara prestando serviços gerais. Horácio atuou diretamente nos assassinatos se fingindo de vítima durante um assalto fake; sequestrando vítimas; enviando mensagens a familiares das vítimas se passando por elas; e enterrando, esquartejando e incendiando corpos e veículos.
- Carlomam dos Santos Nogueira: se embrenhou no plano criminoso e participou diretamente dos sequestros e execuções. É o autor do tiro na nuca que matou Marcos Antônio, autodeclarado dono da chácara. Chegou a ficar foragido após as prisões de Gideon e Horácio, mas se entregou dias depois.
- Fabrício Silva Canhedo: além de atuar nos sequestros, foi responsável pela vigilância do cativeiro onde as vítimas ficaram escondidas e também pela ocultação do carro de Cláudia, “segunda esposa” de Marcos Antônio.
- Carlos Henrique Alves da Silva: último a ser preso, participou da rendição de vítimas. Tentou fugir pelo telhado de casa ao ser localizado por policiais.
Reportagem especial
Todos os detalhes do crime que ficou conhecido como a maior chacina do DF, com as reviravoltas e os mistérios que cercaram o caso, foram detalhadas na reportagem especial “O Fim de uma Família”.




