
Na MiraColunas

Carros, cativeiro e cisterna: onde 10 corpos de chacina foram achados
Quinteto que participou da morte de 10 pessoas por causa de uma chácara no Itapoã (DF) enfrenta júri popular. Relembre detalhes do caso
atualizado
Compartilhar notícia

Os corpos de 10 pessoas da família Belchior, vítimas da maior chacina do Distrito Federal, foram espalhados em diferentes locais após o crime. Eles foram assassinados por Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Gideon Batista de Menezes que, nessa semana, estão sendo julgados no Tribunal do Júri, no Fórum de Planaltina.
A cabeleireira Elizamar Silva, 39 anos, e os três filhos — Rafael da Silva, Rafaela da Silva e Gabriel da Silva — desapareceram em 12 de janeiro de 2023. A mulher, moradora de Santa Maria (DF), saiu do seu salão de beleza na Asa Norte e foi até a chácara do sogro, Marcos Antônio, no Itapoã (DF).
Após buscar os filhos, que estavam com ele, os quatro (a cabeleireira e os meninos) sumiram. Os corpos foram encontrados carbonizados, a uma distância de mais de 130 km do Itapoã.
Atraídos para cativeiro
As outras seis vítimas — esposa de Marcos Antônio, ex-mulher e outros filhos dele — foram atraídas por mensagens para o local onde os criminosos montaram um cativeiro, em Planaltina (DF).
Em 14 de janeiro, os corpos de Renata Belchior (sogra de Elizamar) e a filha Gabriela Belchior foram encontrados carbonizados dentro do veículo de Marcos Antônio, em Unaí (MG), a 230 km de Planaltina. Renata era esposa de Marcos Antônio e mãe de Thiago Belchior, marido de Elizamar (cabeleireira). Gabriela era filha dela e irmã de Thiago.
Após a localização desses corpos, Marcos Antônio Oliveira, sogro de Elizamar, foi encontrado em 18 de janeiro — seis dias após o desaparecimento da nora e dos netos. Ele foi esquartejado e enterrado em Planaltina (DF), no local que funcionava como cativeiro dos criminosos, a uma distância de 40 km do Itapoã, onde morava.
Em 24 de janeiro, a polícia encontrou o cadáver de Thiago Belchior (marido de Elizamar) dentro de uma cisterna em Planaltina. No mesmo local estavam os corpos de Cláudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex-mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente.
Veja:
Disputa por terras
Na época, a Polícia Civil apurou que os crimes foram motivados por uma disputa de terras em Itapoã (DF). O imóvel foi avaliado, na época, em R$ 2 milhões. O local tem cachoeira privativa, ampla área e cerca de 5 hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados. A ideia do bando era limar uma família inteira e, sem herdeiros vivos, tomar o imóvel para si.
Prisões
O primeiro a ser preso foi Gideon Batista, capturado em 17 de janeiro. Ele foi detido pela manhã; o comparsa, Horácio Carlos, à tarde. Durante as prisões, os dois citaram Thiago Belchior e Marcos Antônio como mandantes do crime, tese rechaçada mais tarde. No mesmo dia, à noite, Fabrício Silva foi capturado.
Gideon trabalhava com Marcos Antônio, uma das vítimas, e foi encontrado com as mãos queimadas. Fabrício era responsável por manter parte das vítimas em cativeiro. Carlomam se entregou e conhecia as vítimas e pelo menos um dos suspeitos.
Júri popular
Fabrício Silva Canhedo, Carlomam dos Santos Nogueira, Carlos Henrique Alves da Silva, Horácio Carlos Ferreira Barbosa e Gideon Batista de Menezes enfrentam, novamente, o Tribunal do Júri, às 9h desta terça-feira (14/4), no Fórum de Planaltina. Eles são os cinco réus apontados como autores da maior chacina da história do Distrito Federal.
Se condenados, os criminosos podem pegar mais de 70 anos de prisão cada. Somadas, as penas podem chegar a 358 anos. O quinteto responderá pelos crimes de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.





















