“Estar na presença deles é muito pesado”, diz irmã de vítima em julgamento de chacina no DF
Julgamento começou nesta segunda-feira (13/4) e reúne réus acusados de matar 10 pessoas da mesma família; entre elas está Renata Belchior
atualizado
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Aos 54 anos, a professora Núbia Cristina Belchior sentou‑se para assistir o primeiro dia de julgamento dos acusados pela maior chacina da história do Distrito Federal nesta segunda-feira (13/4) e disse que o que sentiu foi “ muito pesado”.
Irmã de Renata Juliene Belchior, 52, ela acompanha o julgamento dos cinco réus acusados de assassinar 10 pessoas da mesma família, entre final de 2022 e janeiro de 2023, motivados pela cobiça por uma chácara avaliada em cerca de R$ 2 milhões na região do Itapoã.
Em entrevista ao Metrópoles, Núbia afirmou que o impacto emocional do julgamento é ainda maior do que o vivido no período das mortes. “Estar na presença deles é muito pesado. A sensação hoje foi mais forte do que na época dos assassinatos, porque antes ainda existia esperança de que nada tivesse acontecido. Hoje, chegamos aqui com a certeza de tudo”, disse.
Ela também afirmou que parte do conteúdo do processo é tão chocante que não conseguiu ler. “Muitos dos fatos descritos eu nunca tive coragem de ler. São coisas absurdas.”
A irmã da vítima também criticou a atuação das defesas durante o julgamento.
“A gente se sente mal diante dos advogados tentando defender o indefensável, tentando colocar nossa palavra e nosso sentimento em dúvida. É uma sensação muito ruim”, relatou.
Núbia ainda fez duras declarações sobre os acusados, classificando um dos réus como “macabro” e “terrível”, e afirmando que ele teria prazer em situações de extrema violência. Para ela, no entanto, todos os réus compartilham da mesma gravidade. “Não só ele, como todos os réus. Eles são todos iguais.”
Diante da brutalidade do caso, Núbia afirmou não acreditar na possibilidade de ressocialização dos envolvidos. “Eles não têm condições de serem reintegrados à sociedade.” Ainda assim, disse manter a confiança na Justiça. “Como boa brasileira que sou, acredito que a justiça será feita. Estamos lidando com monstros.”
O primeiro dia de julgamento, realizado em Planaltina, durou mais de 10 horas e foi encerrado por volta das 20h. A sessão será retomada nesta terça-feira (14/4), às 9h, com previsão de que as audiências se estendam ao longo da semana.
Ao todo, 23 testemunhas foram arroladas no processo, incluindo familiares das vítimas, agentes das forças de segurança do Distrito Federal e de Goiás, um policial rodoviário federal e um adolescente apontado como participante dos crimes.
Quem foi Renata e como ela morreu
Renata Juliene Belchior, 52 anos, era a sogra de Elizamar da Silva, mãe de Thiago Gabriel Belchior e esposa de Marcos Antônio Lopes de Oliveira.
No dia 12 de janeiro de 2023, a cabeleireira Elizamar da Silva, de 39 anos, desapareceu com os três filhos pequenos. Segundo a polícia, ela teria saído de casa com um carro para buscar o marido, Thiago Gabriel Belchior, de 30 anos.
No dia seguinte, o veículo dela foi encontrado com os quatro corpos queimados dentro, perto de Cristalina (GO), no Entorno do Distrito Federal. O marido dela também foi considerado desaparecido.
Três dias depois, familiares relataram o sumiço de mais três pessoas da família: o pai, a mãe e uma irmã de Thiago – respectivamente Marcos Antônio Lopes de Oliveira, Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior.
O carro de Marcos Antônio, sogro de Elizamar, foi encontrado carbonizado com dois corpos dentro, no fim de semana do desaparecimento da família. Posteriormente, as investigações confirmaram que eles eram de Renata Juliene Belchior e Gabriela Belchior.
Além da família de Elizamar, a polícia também registrou o desaparecimento de Cláudia Regina Marques de Oliveira e Ana Beatriz Marques de Oliveira, ex‑mulher e filha de Marcos Antônio, respectivamente.
O corpo de Marcos Antônio foi encontrado enterrado e esquartejado perto da casa usada como cativeiro pelos criminosos, em Planaltina. No dia 17 de janeiro, foram localizados os três últimos corpos, identificados como Thiago Belchior, Cláudia Regina Marques e Ana Beatriz Marques.
