Chacina: réus se delataram, mas nenhum confessou ter matado as crianças
Delegado que comandou a investigação deu depoimento nesta segunda-feira. “Gideon tinha uma ascendência, a ‘mente pensante'”, diz o policial
atualizado
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Até as 19h45 desta segunda-feira (13/4), primeiro dia de julgamento do crime que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, seis pessoas haviam sido ouvidas no Tribunal do Juri de Planaltina.
O delegado Achilles de Oliveira, à época lotado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranóa) comandou a investigação. Durante o depoimento, o policial detalhou a participação dos réus no crime. Segundo o investigador, todos se delataram, mas ninguém assumiu ter matado as crianças, filhos de Elizamara Silva e Thiago Gabriel Belchior, também mortos brutalmente.
Estão sendo julgados: Gideon Batista de Menezes; Horácio Carlos Ferreira Barbosa; Carlomam dos Santos Nogueira; Fabrício Silva Canhedo; e Carlos Henrique Alves da Silva.
“Percebemos que Gideon tinha uma ascendência, a ‘mente pensante’, e Horácio, uma espécie de braço direito; Carlomam seria o principal executor”, detalha Achilles. “Ele era quem colocava a cara para bater, porque os dois primeiros não poderiam aparecer para as vítimas, já que seriam reconhecidos”, diz.
Os réus estão acompanhando o julgamento quase sem esboçar reação aos depoimentos. Carlomam, por exemplo, ficou de cabeça baixa o tempo todo. Além dos envolvidos, cerca de 30 pessoas acompanham o julgamento.
Força-tarefa
Outro policial civil de Goiás, Igor Silva de Almeida também foi ouvido e comentou sobre a prisão de Horácio.
“Fui chamado para ver o carro com quatro corpos carbonizados, em Cristalina (GO). Chegando lá, soube que encontraram outro carro da mesma forma em Unaí (MG) e que os carros eram de Brasília. A partir disso, instaurou-se uma força-tarefa, que foi no Paranoá, e lá soube do Gideon e do Horácio”, detalhou.
Segundo o agente da PCGO, após cruzar dados referentes ao Horácio, a investigação descobriu que ele tinha uma namorada no Paranoá Parque. “Iniciamos diligências e, dias depois, tivemos a sorte e a expertise de encontrar o Horácio fazendo manutenção no carro. Vi o rosto dele queimado, mas não sei dizer se era do sol ou do fogo no carro”, comentou.
José Martins de Vasconcelos Sobrinho, amigo de um veterinário que conhecia o sobrinho de Marcos Antônio, também foi ouvido na condição de testemunha do caso.
Ele contou, durante o julgamento, que Marcos Antônio praticava vaquejada e que seu amigo veterinário pediu para que cuidasse dos cavalos da vítima. “Naquela altura, ela era dada apenas como desaparecida”, lembrou. “Estava com medo de ir no local e pedi ajuda para o meu amigo”, acrescentou José Martins.
Segundo ele, ao chegar na casa, percebeu que ela estava bagunçada. “Não sei se por conta da perícia. Em um dos cômodos, a gente localizou um celular que estava sem chip e levei à 6ª DP”, disse.
Entenda
O crime brutal, cometido com requintes de crueldade, foi praticado por pessoas próximas às vítimas, que tinham como objetivo a apropriação da chácara onde viviam os integrantes da família. A área, contudo, nem sequer pertencia aos mortos.
As vítimas são:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira: patriarca;
- Renata Juliene Belchio: esposa de Marcos;
- Gabriela Belchior de Oliveira: filha do casal;
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira: filho do casal;
- Elizamar da Silva: esposa de Thiago;
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7): filhos de Thiago e Elizamar;
- Cláudia da Rocha Marques: ex-companheira de Marcos;
- Ana Beatriz Marques de Oliveira: filha de Marcos e Cláudia.
A sessão foi interrompida pouco antes das 20h desta segunda e será retomada nesta terça-feira (14/4), às 8h.




















